Neuralink, de Elon Musk, é acusada de abusar de testes com animais

Suposta pressão de Elon Musk para acelerar pesquisas teria feito Neuralink causar mais mortes de animais do que o necessário

Emerson Alecrim
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• Atualizado há 6 meses
Chip da Neuralink (imagem: reprodução/Neuralink)
Chip da Neuralink (imagem: reprodução/Neuralink)

Hoje, o nome Elon Musk nos faz lembrar do caos em tornos do Twitter. Mas o empresário está envolvido em outras polêmicas. A mais recente tem relação com a Neuralink. Focada em dispositivos médicos, a companhia está sendo investigada por supostamente exagerar em testes com animais a mando do próprio Musk.

A Neuralink foi criada pelo empresário em 2017 com a proposta de “hackear” o cérebro humano. Nesse sentido, a companhia revelou, em 2020, um implante cerebral. O dispositivo poderá ser útil para ajudar pessoas que sofrem de algum tipo de problema neurológico, como tetraplegia.

Para desenvolver a sua tecnologia, a Neuralink recorre a testes com animais. Do ponto de vista legal, não há nenhum problema nisso. A exemplo de várias outras companhias nos Estados Unidos, a empresa de Musk têm autorização para usar animais em experimentos.

Mas os testes devem estar dentro da lei americana de bem-estar animal, que visa impedir abusos com esse tipo de procedimento. É neste ponto que a situação da Neuralink começa a levantar suspeitas.

Consequência da pressão de Musk

De acordo com a Reuters, a Neuralink está sendo investigada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos a pedido de um promotor federal.

O trabalho segue em sigilo, mas duas fontes próximas ao caso relataram ao veículo que a investigação visa descobrir se a empresa violou a lei de bem-estar animal.

Embora o veículo não tenha tido acesso completo à investigação, o trabalho coincide com queixas de atuais e antigos funcionários da Neuralink sobre testes com animais.

Não se sabe ao certo o total de animais usados pela Neuralink até o momento. Mas, com base em documentos e entrevistas com atuais e ex-funcionários, a Reuters estima que cerca de 1.500 animais já morreram nos laboratórios da companhia. Entre eles estariam ovelhas, porcos, macacos e camundongos.

As fontes ouvidas pelo veículo dão a entender que esse número poderia ser menor se Musk não estivesse pressionando os funcionários para acelerar as pesquisas. A pressa aumenta a proporção de erros, situação que exige que testes sejam repetidos. Se há mais testes, há mais animais mortos.

A pressão por resultados mais rápidos seria tão grande que, em mais de uma ocasião, Elon Musk teria dito a funcionários para se imaginarem com uma bomba presa à cabeça.

Um dos erros teria acontecido em 2021, quando 25 de 60 porcos usados em um estudo tiveram um dispositivo de tamanho errado implantado em suas cabeças. Esses animais não teriam morrido se um funcionário mais bem-preparado tivesse cuidado do procedimento.

Em outro caso, a pressa teria feito funcionários da Neuralink implantarem um dispositivo na vértebra errada de dois porcos. Os animais tiveram que ser sacrificados.

Macaco jogando Pong em teste da Neuralink (imagem: reprodução/Neuralink)
Macaco jogando Pong em teste da Neuralink (imagem: reprodução/Neuralink)

Diante das queixas de funcionários sobre o assunto, a empresa teria realizado uma reunião para responder às preocupações, em setembro. Na ocasião, executivos da Neuralink teriam dito que testes em animais são realizados apenas quando não há outra opção para a pesquisa.

No entanto, alguns documentos apontam que a companhia realizou numerosas cirurgias exploratórias em animais que poderiam ter sido evitadas. Três pessoas próximas às pesquisas da Neuralink também afirmaram que esses procedimentos foram executados sem que opções menos cruéis tivessem sido consideradas.

Até o momento, nenhum representante da Neuralink se manifestou sobre a investigação. Também não houve declaração pública por parte das autoridades.

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Emerson Alecrim

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Em 2023, foi reconhecido no Prêmio Especialistas, em eletroeletrônicos. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.

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