Diretora de produto do Twitter sai da empresa em nova rodada de demissões

Aproximadamente 200 funcionários do Twitter foram demitidos no fim de semana; a diretora Esther Crawford não trabalha mais na rede social

Bruno Gall De Blasi
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• Atualizado há 7 meses
Fachada da sede do Twitter
Sede do Twitter em 2013 (Imagem: Mike Davis / Flickr)

Twitter desligou mais funcionários neste fim de semana. De acordo com o New York Times, a rede social adquirida por Elon Musk demitiu aproximadamente 200 das 2.000 pessoas restantes na empresa. A redução da força de trabalho atingiu diversos cargos, incluindo gerentes de produtos, engenheiros e até mesmo executivos de alto escalão, como a diretora Esther Crawford, que chegou a dormir no escritório no ano passado.

Os cortes aconteceram no sábado (25), quando os colaboradores descobriram que perderam acesso às contas de email, aos computadores da empresa e outras ferramentas corporativas. A demissão, no entanto, só foi confirmada no dia seguinte. Na ocasião, os funcionários do Twitter usaram o Twitter para se despedir dos colegas.

O corte reduziu ainda mais a folha de pagamento da rede social. Para se ter ideia, no ano passado, a empresa tinha por volta de 7.500 funcionários. Depois de um processo de redução da força de trabalho bem caótico, o número de contratados caiu para aproximadamente 2.000 pessoas.

Agora, cerca de 200 pessoas foram demitidas neste fim de semana.

Twitter (Imagem: Jeremy Bezanger / Unsplash)
Twitter (Imagem: Jeremy Bezanger / Unsplash)

Funcionários de alto escalão também foram desligados

Alguns executivos de alto escalão também deixaram a companhia neste fim de semana. É o caso de Esther Crawford: de acordo com a jornalista Zoë Schiffer, da newsletter Plataformer, diretora de gerenciamento de produto e a responsável pelo Twitter Payments não trabalha mais na empresa.

Este serviço, cabe ressaltar, é uma das cartas na manga de Elon Musk para levantar o caixa da plataforma.

Mas este não é o único fato que chama a atenção. Em novembro de 2022, Evan Jones, da equipe de produto da rede social, publicou uma foto da executiva dormindo no escritório do Twitter. Imediatamente, Crawford deu um retweet na imagem e comentou: “quando sua equipe está trabalhando sem parar para cumprir prazos, às vezes você dorme onde você trabalha”.

Não é de se espantar que essa foto veio à tona depois das demissões. Em resposta ao tweet de Schiffer, o também jornalista Thomas Benkö observou que “dormir no escritório não é hardcore o suficiente”. Também teve quem lembrou que, no meio de tanta confusão, ela era “a única pessoa que tinha lealdade quase incondicional (ou assim parece)”.

Diante da situação, Crawford chegou a se pronunciar, mas não confirmou se continua ou não na rede social:

“A pior conclusão que você poderia ter ao me ver ir all-in no Twitter 2.0 é que meu otimismo ou trabalho duro foi um erro. Aqueles que zombam e zombam estão necessariamente à margem e não na arena. Estou profundamente orgulhoso da equipe por construir em meio a tanto barulho e caos”, tweetou.

Forbes ainda apontou que Martin de Kujiper, fundador da Revue, e Haraldur Thorleifsson, responsável pela criação da Ueno, também foram desligados. As duas empresas foram compradas pelo Twitter em 2021.

Slack (Imagem: Pankaj Patel/Unsplash)
Slack (Imagem: Pankaj Patel/Unsplash)

Slack do Twitter ficou fora do ar na semana passada

O corte de 200 funcionários aconteceu logo após uma semana complicada dentro do Twitter.

De acordo com Casey Newton e Zoë Schiffer, na última edição da Platformer, na quarta-feira (22) tanto o Slack quanto o Jira pararam de funcionar dentro da companhia. Devido ao incidente, os funcionários não trabalharam, pois as principais ferramentas estavam indisponíveis.

Até então, havia apenas a informação de que o Slack tinha sido desligado temporariamente para uma manutenção de rotina. Mas a dupla descobriu que o buraco era mais embaixo, pois alguém, de dentro do Twitter, desativou o servidor do mensageiro corporativo internamente. Provavelmente para Elon Musk encontrar mais uma alternativa para reduzir ainda mais os gastos da rede social.

Tudo isso, no entanto, causou estresse entre os funcionários. No Blind, uma plataforma anônima para avaliar empresas, teve até funcionários falando que a queda do serviço foi o empurrão para solicitar a saída da empresa. Especialmente porque o histórico de conversas da ferramenta tornou-se um guia para quem ainda está trabalhando na companhia.

“Depois que todos foram embora, eu não tinha ninguém para fazer perguntas quando estava perdido”, alegou um funcionário. “Eu costumava procurar mensagens de erro no Slack e recebia ajuda 99% das vezes.”

Com informações: ForbesThe GuardianThe New York Times e The Verge

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