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Quais cabos submarinos existem no Brasil?

15 cabos submarinos estão ligados a um ou mais pontos na costa do Brasil para ajudar na transmissão de dados, e um 16º está em construção

Giovanni Santa Rosa
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Por mais que computadores, TVs e smartphones não precisem de fios para se ligar à internet, grande parte do tráfego da rede depende de cabos. Isso inclui as transmissões entre continentes. Neste caso, a conexão entre países distantes é feita por fibras óticas debaixo dos mares e oceanos. Em junho de 2022, são 15 cabos submarinos no Brasil, e um 16º deve entrar em operação em 2023.

Cabos submarinos
Cabos submarinos (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

O 16º é o Firmina, que deve estar pronto para serviço em 2023.

Abaixo, um pouco mais sobre cada um deles.

Mapa mostra cabos submarinos que se ligam ao Brasil
Mapa mostra cabos submarinos no Brasil (Imagem: Reprodução / Submarine Cable Map)

1. America Movil Submarine Cable System-1 (AMX-1)

  • Pontos de conexão com o Brasil: Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA)
  • Pontos de conexão com outros países: Barranquilla, Cartagena e Schooner Bight (Colômbia); Puerto Plata (República Dominicana); Puerto Barrios (Guatemala); Cancún (México); Hollywood, Flórida, Jacksonville, Flórida, e San Juan, Porto Rico (EUA)
  • Inauguração: 2014
  • Comprimento: 17.800 km
  • Proprietário: América Móvil (Claro)

Conectado a sete países, o AMX-1 foi fruto de um investimento de R$ 1 bilhão da América Móvil, dona da Claro. A estrutura tem capacidade de transmissão de até 30 Tb/s e serve clientes da operadora no Brasil.

2. Americas-II

  • Pontos de conexão com o Brasil: Fortaleza (CE)
  • Pontos de conexão com outros países: Willemstad (Curaçao); Cayenne (Guiana Francesa); Le Lamentin (Martinica); Port of Spain (Trinidad e Tobago); Hollywood, Flórida, e Miramar, Porto Rico (EUA); Camuri (Venezuela); St. Croix (Ilhas Virgens Americanas)
  • Inauguração: agosto de 2000
  • Comprimento: 8.373 km
  • Proprietários: AT&T, Altice Portugal, C&W Networks, CANTV, Corporacion Nacional de Telecomunicaciones (CNT), Embratel, Lumen, Orange, T-Mobile, Tata Communications, Telecom Italia Sparkle, Verizon

O Americas-II é um dos cabos submarinos conectados ao Brasil há mais tempo em operação: desde 2000. Ele foi construído sob encomenda de um consórcio de operadoras internacionais e conta com quatro pares de fibras óticas.

3. Brazilian Festoon

  • Pontos de conexão com o Brasil: Natal (RN), João Pessoa (PB), Recife (PE), Maceió (AL), Aracaju (SE), Sítio (BA), Salvador (BA), Ilhéus (BA), Porto Seguro (BA), São Mateus (ES), Vitória (ES), Atafona (RJ), Macaé (RJ), Rio de Janeiro (RJ).
  • Pontos de conexão com outros países: não tem
  • Inauguração: 1996
  • Comprimento: 2.552 km
  • Proprietário: Embratel

Cabo submarino mais antigo do Brasil, ele interliga cidades por toda a costa brasileira. Em Fortaleza, o Festoon se ligava a outro, que seguia para os EUA.

4. BRUSA

  • Pontos de conexão com o Brasil: Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE)
  • Pontos de conexão com outros países: San Juan, Porto Rico, e Virginia Beach, Virginia (EUA)
  • Inauguração: agosto de 2018
  • Comprimento: 11.000 km
  • Proprietário: Telxius

Inaugurado em 2018, o BRUSA é o cabo submarino que conecta o Brasil e as Américas com maior capacidade. Em 2020, ele chegou a 160 Tb/s.

Cabo submarino do Google
Cabo submarino do Google (Imagem: Google/Reprodução)
  • Pontos de conexão com o Brasil: Fortaleza (CE)
  • Pontos de conexão com outros países: Praia (Cabo Verde); Funchal e Sines (Portugal)
  • Inauguração: junho de 2021
  • Comprimento: 6.200 km
  • Proprietário: EllaLink

O EllaLink começou a ser projetado em 2012, com o objetivo de fazer a internet brasileira depender menos dos EUA. Os escândalos de espionagem da NSA deram mais importância à empreitada. A obra só ficou pronta em 2021. Os cabos têm capacidade para 72 Tb/s e vida útil de 25 anos.

6. GlobeNet

  • Pontos de conexão com o Brasil: Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE)
  • Pontos de conexão com outros países: Barranquilla (Colômbia); Boca Raton, Florida, e Tuckerton, Nova Jersey (EUA); Maiquetia (Venezuela); St. David’s (Bermuda)
  • Inauguração: outubro de 2000
  • Comprimento: 23.500 km
  • Proprietário: GlobeNet

Outro cabo submarino do Brasil lançado nos anos 2000, o GlobeNet, do provedor de mesmo nome, conecta as Américas do Sul e do Norte. Com ele, a latência nas transmissões do continente são mais baixas. Entre Nova York e o Rio de Janeiro, são menos de 101 milissegundos, por exemplo.

7. Junior

  • Pontos de conexão com o Brasil: Rio de Janeiro (RJ) e Santos (SP)
  • Pontos de conexão com outros países: não tem
  • Inauguração: terceiro trimestre de 2018
  • Comprimento: 390 km
  • Proprietário: Google

Perto de outros cabos submarinos dessa lista, o Junior é bem pequenininho. Com apenas 390 km, ele vai do Rio de Janeiro a Santos e tem 13 Tb/s de capacidade. Por ele, só trafegam dados do Google. A fornecedora do projeto foi a Padtec, empresa com sede em Campinas (SP).

8. Malbec

  • Pontos de conexão com o Brasil: Rio de Janeiro (RJ) e Praia Grande (SP)
  • Pontos de conexão com outros países: Las Toninas (Argentina)
  • Inauguração: junho de 2021
  • Comprimento: 2.600 km
  • Proprietário: GlobeNet e Meta

Fruto de uma parceria entre a provedora GlobeNet e a Meta (dona de Facebook, WhatsApp e Instagram), o Malbec liga São Paulo e Rio de Janeiro. O plano é chegar a Porto Alegre (RS) e Las Toninas (Argentina). A ideia é aumentar a capacidade de conexão do país vizinho. A capacidade total disponível é de 108 Tb/s.

9. Monet

  • Pontos de conexão com o Brasil: Fortaleza (CE) e Santos (SP)
  • Pontos de conexão com outros países: Boca Raton, Flórida (EUA)
  • Inauguração: dezembro de 2017
  • Comprimento: 10.556 km
  • Proprietário: Algar Telecom, Angola Cables, Antel Uruguay e Google
Cabo submarino Monet
Cabo submarino Monet (Imagem: Divulgação / Google)

Com seis pares de fibra ótica e capacidade de até 64 Tb/s, o Monet teve custo estimado de US$ 400 milhões. Ele tem a atribuição de melhorar a capacidade de computação na nuvem do Google na América do Sul.

10. Seabras-1

  • Pontos de conexão com o Brasil: Praia Grande (SP)
  • Pontos de conexão com outros países: Wall Township, Nova Jersey (EUA)
  • Inauguração: setembro de 2017
  • Comprimento: 10.800 km
  • Proprietários: Seaborn Networks e Telecom Italia Sparkle

Com seis pares de fibra ótica e capacidade total de 72 Tb/s, o Seabras-1 é o primeiro cabo submarino a ligar diretamente São Paulo e Nova York. Um de seus objetivos é melhorar a conectividade do mercado financeiro, integrando as bolsas dos dois países.

11. South America-1 (SAm-1)

  • Pontos de conexão com o Brasil: Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Fortaleza (CE)
  • Pontos de conexão com outros países: Las Toninas (Argentina); Arica e Valparaíso (Chile); Barranquila (Colômbia); Punta Cana (República Dominicana); Punta Carnero (Equador); Puerto Barrios e Puerto San Jose (Guatemala); Lurin e Mancora (Peru); Boca Raton, Flórida, e San Juan, Porto Rico (EUA)
  • Inauguração: março de 2001
  • Comprimento: 25.000 km
  • Proprietário: Telxius

O South America-1, ou simplesmente SAm-1, é um cabo de propriedade da Telxius, subsidiária do braço de infraestrutura da Telefonica. Em operação desde os anos 2000, ele interliga as três américas usando quatro pares de fibras óticas. A capacidade total do sistema é de 1,92 Tb/s.

12. South American Crossing (SAC)

  • Pontos de conexão com o Brasil: Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE)
  • Pontos de conexão com outros países: Las Toninas (Argentina); Valparaíso (Chile); Buenaventura (Colômbia); Colon e Fort Amador (Panamá); Lurin (Peru); Puerto Viejo (Venezuela); St. Croix (Ilhas Virgens Americanas)
  • Inauguração: setembro de 2000
  • Comprimento: 20.000 km
  • Proprietários: Lumen e Telecom Italia Sparkle

Mais um cabo submarino do Brasil lançado nos anos 2000, o SAC teve um custo estimado de US$ 2 bilhões. A capacidade inicial do cabo era de 40 Gb/s, e a final, de 1,28 Tb/s.

13. South Atlantic Cable System (SACS)

  • Pontos de conexão com o Brasil: Fortaleza (CE)
  • Pontos de conexão com outros países: Sangano (Angola)
  • Inauguração: setembro de 2018
  • Comprimento: 6.165 km
  • Proprietário: Angola Cables

Com capacidade para até 40 Tb/s, o SACS é usado por multinacionais, provedores e redes de pesquisa. Ele liga Brasil e Angola, mas é útil para outros países. A latência da conexão entre Miami, nos EUA, e Cidade do Cabo, na África do Sul, caiu de 338 para 163 milissegundos graças à nova rota.

  • Pontos de conexão com o Brasil: Fortaleza (CE)
  • Pontos de conexão com outros países: Kribi (Camarões)
  • Inauguração: 2020
  • Comprimento: 5.800 km
  • Proprietários: Camtel e China Unicom

O SAIL foi construído pela Huawei Marine Networks e conta com quatro pares de cabos de fibra ótica. Juntos, eles fornecem uma capacidade de 32 Tb/s. Do lado africano, ele se interconecta a outros 11 cabos terrestres, que chegam até o Oriente Médio. Por aqui, ele se liga ao SAm-1.

15. Tannat

  • Pontos de conexão com o Brasil: Santos (SP)
  • Pontos de conexão com outros países: Las Toninas (Argentina); Maldonado (Uruguai)
  • Inauguração: primeiro trimestre de 2018
  • Comprimento: 2.000 km
  • Proprietários: Antel Uruguay e Google

Pronto desde 2018, o Tannat começou a ser usado em junho de 2019. Inicialmente, ele ligava Brasil e Uruguai; a bifurcação para a Argentina foi feita depois. Este cabo é exclusivo para melhorar a conectividade do Google Cloud, tem seis pares de fibra e atinge 90 Tb/s.

Com informações: TeleGeography.

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Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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