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O que é um SSD? Tudo sobre Solid State Drives

Como funciona o SSD? Quais as vantagens sobre o HD tradicional? Quanto custa? Vale a pena? Todas as respostas aqui

Paulo Higa Por
TB Responde

O SSD (Solid State Drive ou unidade em estado sólido) é um componente de hardware que substitui o antigo HD (Hard Disk ou disco rígido) como unidade de armazenamento de dados nos PCs. Muito mais rápido, o SSD não possui discos físicos ou agulhas magnéticas, sendo capaz de acessar dados em uma fração de segundo e tornar seu computador mais ágil para abrir programas e executar tarefas.

SSD Samsung V-NAND

Como não possuem partes móveis, os SSDs resolvem a limitação de velocidade dos HDs, que utilizam cabeças de leitura e gravação para fazer operações em discos magnéticos. Nos últimos anos, a queda significativa no preço por gigabyte fez do SSD um upgrade considerável (e talvez o mais importante) para melhorar o desempenho de qualquer computador.

Mas como funciona um SSD? A vida útil é muito curta? Vale a pena comprar um SSD? Para descobrir a resposta dessas e outras perguntas, leia os próximos parágrafos.

Como funciona um SSD?

Os SSDs mais comuns no mercado possuem dois componentes fundamentais: a memória flash e o controlador.

A memória flash guarda todos os arquivos e, diferente dos discos magnéticos dos HDs, não necessita de partes móveis nem motores para funcionar. Todas as operações são feitas eletricamente, tornando as operações de leitura e escrita mais rápidas, além de deixar o drive mais silencioso e resistente a vibrações e quedas.

O controlador gerencia a troca de dados entre o computador e a memória flash. Formado por um processador que executa diversas tarefas no drive, é um dos principais responsáveis pela performance de um SSD. O chip é capaz de gerenciar o cache de leitura e escrita de arquivos, criptografar informações, mapear partes defeituosas do SSD para evitar corrompimento de dados e garantir uma vida útil maior da memória flash.

Um controlador SandForce e oito chips de memória flash dentro do OCZ Vertex 3

O avanço tecnológico nos controladores fez com que a velocidade dos SSDs aumentasse rapidamente. Enquanto os primeiros SSDs de uso doméstico, como o Intel X25-M, atingiam velocidades de 250 MB/s para leitura e 70 MB/s para escrita, os mais novos são capazes de ultrapassar a casa dos gigabytes por segundo.

A quantidade máxima de operações de escrita por segundo (IOPS) de um SSD também cresceu muito: passou de 8 mil nos primeiros modelos para mais de 90 mil em modelos básicos lançados em 2020. Para fins de comparação, ambos são muito mais rápidos que um HD tradicional, que fica na casa dos 100 IOPS.

Vantagens e desvantagens do SSD em relação ao HD

A ausência de partes móveis, principal característica de um SSD, traz diversas vantagens. Como não é necessário mover cabeças para lá e para cá, muito menos deixar um disco girando a uma velocidade altíssima, um SSD é silencioso, possui taxas de transferência maiores, tempos de acesso menores e não sofre com usuários desastrados que derrubam coisas no chão.

As taxas de transferência dos SSDs são impressionantes se comparadas com as dos HDs voltados ao uso doméstico, que ficam na casa dos 100 MB/s. Mas é no tempo de acesso que ele brilha: enquanto um HD comum demora 10 ou 15 milissegundos para acessar um arquivo aleatório, um SSD comum faz a tarefa em 0,1 ou 0,2 ms. Isso, além de resultar em um tempo de boot menor, agiliza todas as operações do sistema.

A Samsung produziu um vídeo para comparar o desempenho entre um HD e um SSD. Monitoraram o tempo de inicialização do Windows, a abertura de um arquivo PDF de 25 MB, a capacidade de suportar altas vibrações e o consumo de energia em um notebook. Confira abaixo:

A única desvantagem do SSD é o preço. Embora os valores tenham diminuído significativamente nos últimos anos, eles ainda são mais caros quando consideramos o preço por gigabyte. Por isso, pode ser mais interessante utilizar um SSD para os arquivos do sistema operacional e dos softwares, deixando um HD (interno ou externo) para dados que não necessitam de grande velocidade de acesso, como músicas ou fotos.

SSD com memória síncrona e assíncrona

A memória flash de um SSD pode trabalhar de dois modos: síncrona e assíncrona. Essa informação geralmente está disponível na ficha de especificações técnicas do produto, mas os usuários não dão muita importância a isso porque não há muito conteúdo sobre o assunto.

A memória síncrona é mais cara e oferece melhor desempenho para manipular dados que não podem ser comprimidos, como músicas, fotos e vídeos. Já a memória assíncrona é menos cara e não possui uma performance tão boa para gravar dados que não podem ser comprimidos.

Num teste com o CrystalDiskMark feito pelo The SSD Review, o Corsair Force GT (memória síncrona) conseguiu 504,4 MB/s de leitura de dados não comprimidos, enquanto que o Corsair Force 3 (memória assíncrona), obteve apenas 212,6 MB/s. O primeiro certamente é uma opção melhor para pessoas que trabalham com arquivos de áudio e vídeo.

Como a diferença de preço não é tão alta, na maioria dos casos vale juntar um dinheiro a mais e comprar um SSD com memória síncrona.

A vida útil de um SSD é muito curta?

Por ser baseado em memória flash, assim como pendrives e cartões de memória, os SSDs possuem vida útil limitada pela quantidade de ciclos de escrita. E, contraintuitivamente, com a miniaturização do processo de fabricação das memórias flash, essa quantidade diminuiu.

Convencionou-se que a memória flash dos SSDs suporta 10 mil ciclos de escrita, mas os drives mais novos possuem vida útil estimada em 3 mil ou 5 mil ciclos.

Mas não há motivo para pânico: você não vai detonar seu SSD novinho em folha em um ou dois anos de uso. O controlador do SSD possui uma tecnologia chamada wear leveling, que pode ser traduzida como “distribuição de uso”. Essa tecnologia evita que um mesmo bloco da memória flash seja utilizado muitas vezes. Quando um arquivo é criado ou alterado, o controlador grava os novos dados em blocos menos utilizados.

Sabendo do wear leveling, vamos simular um cenário hipotético (e exagerado) em que você comprou um SSD com capacidade de 120 GB e vida útil de apenas 3 mil ciclos de escrita. Imagine que você seja capaz de gravar 120 GB de dados todos os dias, um uso muito além do comum.

Fazendo as contas, isso significa que você terá pouco mais de 8 anos até que o SSD comece a falhar. Num ritmo mais normal, gravando 20 GB de dados por dia, esse tempo subiria para 49 anos. Em 49 anos, pode ser que nem você esteja funcionando.

Geralmente, os fabricantes são mais conservadores e estimam a vida útil de um SSD como sendo de 5 a 10 anos de uso intenso. Em geral, durante esse tempo, é provável que você já tenha trocado de computador ou feito uma atualização.

É necessário desfragmentar um SSD?

Você até pode desfragmentar um SSD, mas vai acabar gastando ciclos de escrita desnecessariamente, diminuindo a vida útil do dispositivo. Em outras palavras: não, não é necessário e muito menos recomendável praticar esse tipo de tortura com um SSD.

Como um SSD possui um tempo de acesso extremamente baixo, não há perda significativa de desempenho quando fragmentos de arquivos estão espalhados pelo disco, diferente de um HD, que sofre para mover sua cabeça de leitura para juntar várias partes de um arquivo.

Não desfragmente (nem otimize) um SSD

Um SSD fica mais lento com o tempo?

Isso era verdade nos SSDs lançados há alguns anos, mas o problema não ocorre nos drives mais novos.

Assim como no HD, excluir um arquivo no Windows não significa que ele será apagado fisicamente do disco. Isso não seria um problema se não fosse uma limitação da memória flash: não é possível apenas regravar dados como em um HD, em que você grava por cima de um arquivo. É necessário restaurar a página do SSD ao estado original e só depois gravar o novo dado, o que acaba diminuindo o desempenho.

Também não há meios para restaurar páginas ao estado original de forma independente, é necessário apagar o bloco inteiro. Se o sistema operacional precisar apagar só uma das páginas, o controlador deverá copiar todos os dados de um bloco para um cache, restaurar os dados em outro bloco, apagar o primeiro bloco e então gravar a nova informação.

Para evitar todo esse trabalho, o controlador do SSD procura gravar dados preferencialmente em páginas vazias. O problema é que, depois de um tempo, quando todos os blocos já foram usados pelo menos uma vez, o controlador precisaria executar a tarefa sempre.

Felizmente, os novos SSDs possuem um comando chamado TRIM, utilizado pelo sistema operacional. Esse comando “adianta” o trabalho do controlador e limpa os blocos que tiveram arquivos deletados, deixando o SSD como novo. Windows 7, Linux 2.6.28+ e OS X 10.6.8 ou superiores suportam o comando, o que abrange todos os sistemas operacionais lançados desde 2010.

Vale a pena comprar um SSD?

Se você está juntando dinheiro para fazer um upgrade no PC, vale a pena começar a pesquisar preços de SSDs. Para quem está comprando um novo computador, é interessante pesquisar um modelo que já venha com SSD — especialmente no caso dos notebooks, que normalmente não têm espaço para instalar um SSD e um HD ao mesmo tempo.

Com um disco rígido, o desempenho da máquina acaba sendo limitado em tarefas cotidianas, como abertura de programas, carregamento de jogos e qualquer outra operação que envolva leitura e escrita de dados, não importando quão rápido seu processador seja ou quanta RAM você tenha instalado – o resto dos componentes precisará esperar o lento HD fazer seu trabalho para finalmente entrar em ação.

Mas tenha em mente que, após comprar, instalar e usar um SSD, você seguirá um caminho sem volta: após alguns dias, qualquer computador com HD parecerá lento.

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GuilhermeAmarino

Rapaz, não é "tecnologia improvisada" não, os SSDs só perdem na capacidade de armazenamento (com relação a custo benefício), em todo o resto são bem superiores aos HDs. Isso é fato analisado e comprovado!

GuilhermeAmarino

Para usuários leigos no assunto, basta saber que, SSD e HD funcionam da mesma forma no computador, ou seja, o controlador de drivers do sistema operacional reconhece os dois do mesmo jeito. Resumindo: na pratica o SSD vai funcionar como um HD.

Marcos

Aqui tem um vídeo que mostra o comparativo do SSD, HD e HD híbrido. https://www.youtube.com/wat...

vindros araujo

isso é desespero tentativa frustrada para correr na frente sem pernas que aguente. tem que inventar algo novo, essa tec. é velha, ta tentando faser 1 hd de memoria flash mas isso vai da muito prejuiso ao consumidor !!!!!

vindros araujo

o hd continuará sendo superior ate que inventem algo que realmente funcione bem tao quanto
por enquanto essa tecnologia improvisada vai ficar devendo.

CACA-COBRA
Levando em conta que um HDD não chega a 150 MB/s. Mesmo no SATA2 o SSD vai trabalhar de 2 a 3 vezes mais rápido que um HDD. Então, sim, vale a pena.
Carlos Morais
Bela matéria. Parabéns! Sugestão: poderia atualizar o material, já que os HD's atuais estão em novas versões e os SSD's agora já estão em versão M2 (placa), seria legal!
Marcus Mendes
Meu computador é um core 2 duo de 2.4 ghz. A placa mãe tem interface sata de 3gbs por segundo. Compensa trocar o HD de 320 gb hd por SSD?
Kleider
Você respondeu bem amigo. Muito obrigado. Mas como já tem um tempo, eu já realizei o procedimento no meu e inclusive no de um colega de faculdade que gostou do que fiz. Eu comprei um hd de 500 GB com velocidade de leitura e escrita muito boas. Foi um Samsung 850 evo. O procedimento que fiz - uma vez que meu notebook é 15,6" e possui drive de DVD - retirei o Disco Rígido dele do lugar, e pluguei o SSD direto na placa mãe na SATA, pra garantir imediatismo nas tarefas. O disco rígido que "retirei", apenas mudei de lugar. Comprei um adaptador com entrada SATA, encaixei o HD no adaptador e coloquei no lugar do gravador de DVD. Já que pouco uso este. Ele já encaixa plugando. O resultado é que fiquei com o SSD de 500GB na função principal, com o sistema operacional e softwares principais instalados nele, e o disco rígido de 1TB ficou como uma espécie de HD "externo" só que interno. Perfeitamente encaixado no notebook no lugar do drive de DVD. Com o Drive de DVD, comprei um caser e um cabo, fazendo dele um Gravador de DVD externo. Nas poucas vezes que eu precisar usar algo com mídia física, ele estará a um plug disso. Agora melhorei a velocidade do notebook e fiquei com 1, 5 TB. Só salvos os arquivos no HD, e quando preciso instalar um software de trabalho mais pesado faço isso no SSD. Processamento e memória RAM eu já tinha suficiente. Core i7 4ª G, e 16GB de RAM respectivamente.
Marcos Jacoby
Que é um PC com grife e um sistema operacional diferente.
Marcos Jacoby
Sendo profissional com você eu posso dizer que o SSD influencia na velocidade de leitura e gravação de arquivos. Apenas isto. Como vc usa um notebook vc fica restrito nas opções de drives SSD já que só poderá usar drives SATA, a não ser que ele tenha um conector M2 o que eu acho que ele não possui pelo que vi no site da Dell sobre este modelo. Se fosse um desktop vc poderia usar o slot PCI-E 8x ou PCI-E 16x e colocar um drive SSD com interface PCI-E. Estes modelos normalmente oferecem taxas de gravação a partir de 1.000 Mb/s prá mais, portanto o dobro ou mais de um SSD SATA, mas o preço é de lascar. Sugiro que vc foque em performance e procure pelo Google benchmarks entre SSD, algo tipo os 10 mais rápidos ou assemelhados (use os termos em inglês). Depois de ter em mãos o SSD escolhido, ligue ele no caddy e faça a transferência do sistema presente no HD pro SSD. Ou através do programa fornecido em CD acompanhando o SSD, ou se não houver veja no site do fabricante se há algum específico ou se pode usar qualquer programa que ofereça esta funcionalidade. Depois de completa a transferência vc desliga o sistema e o note, inver o SSD e o HD que vai pro caddy, liga de novo e a não ser que após ter dado boot o Windows peça prá reiniciar vc vai estar operando direto do SSD. Não precisa ser um SSD com grande capacidade. Um de 256 Gb deve dar conta do gasto. Procure deixar só o sistema e os programas que usa no SSD. Os projetos depois de terminados devem ser guardado no HD, já que os SSD ainda tem uma taxa de vida bem mais curta que os HD, processo diretamente ligado a escrita de arquivos, ou seja, quanto mais rapidamente escreve dados, mais rapidamente chega próxima a vida útil dele. Mas sinceramente a única vantagem é a velocidade no boot do sistema, na abertura e também gravação de arquivos. O sistema até pode se beneficiar porque o pagefile também vai estar no SSD o que talvez suavize os gargalos no sistema. Mais que isso só montando um desktop com processador mais bala, memória DDR4 e é claro um SSD com interface PCI-E.
Marcos Jacoby
Tem no ML de 4Gb via thunderbolt mas não baixam de 2 milhas.....
Marcos Jacoby
Vamos separar as coisas. Eu aconselho a inverter as coisas. Botar o SSD no lugar do HD que vai pro caddy. Mas antes faça o seguinte. Também veja se acompanha com o SSD um CD com aplicativo para transferir o sistema do HD pro SSD. Se não tiver, faça uma pesquisa no Google e instale este aplicativo. Faça a cópia do sistema que está no HD pro SSD. Terminada a operação, desligue o sistema e o notebook e inverta o HD e o SSD, ficando o HD no caddy. Tudo conectado ligue o note. O sistema deverá dar boot pelo SSD já que por padrão nas BIOS o sistema sempre dá boot pelo primeiro HD, mesmo que você troque o HD por outro diferente. Depois do note dar boot e de vc botar o queixo no lugar (vai estar junto com teus pés) de uma conferida se todos os arquivos estão nos lugares corretos, principalmente ao usar os navegadores da internet. Se tudo estiver ok vc até pode apagar as pastas de programas, dos usuários e do sistema que ficaram no hd, prá liberar espaço, ou manter eles lá caso dê xabu e vc precise recuperar o sistema com os dados, algo facim de ocorrer com virus e trojans da vida.
Marcos Jacoby
No teu caso seria o mais recomendável. Vc até pode gastar mais com um SSD de 128 ou 64 Gb com as melhores taxas de gravação pois normalmente eles são mais caros que os SSD de baixo custo que se saem bem na leitura mas na gravação e a metade da velocidade ou menos. Daria até prá editar um vídeo no SSD e depois de pronto passar pro HD!
Elvalter

Compra um Mac você é o profissional trabalhando com a ferramenta errada.

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