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Lenovo, não estrague o Moto Z Play

Nós gostamos da bateria dele

Paulo Higa Por

A Motorola lança smartphones com longa duração de bateria há pelo menos cinco anos, primeiro com a linha Maxx e, mais recentemente, com a linha Play.

Moto X Play, Moto Z Play e até o básico Moto G4 Play têm baterias com capacidades maiores que seus concorrentes com hardware do mesmo nível, aguentando mais tempo longe da tomada. Só que o Moto Z2 Play pode mudar isso: para tornar o aparelho mais fino, a Lenovo deve colocar uma bateria menor, de 3.000 mAh, cortando a autonomia em relação ao antecessor.

A informação vem de Evan Blass, mais conhecido como @evleaks, que tem Moto Z, Galaxy S8, Galaxy Note 7 e mais uma penca de smartphones em seu bom histórico de vazamentos. Segundo Blass, o Moto Z2 Play terá processador octa-core Snapdragon 626 de 2,2 GHz, 64 GB de armazenamento, 4 GB de RAM, câmera de 12 megapixels (f/1,7) e tela Super AMOLED de 5,5 polegadas (1920x1080 pixels).

No entanto, o que salta aos olhos é a diminuição na bateria de 3.510 mAh no Moto Z Play para 3.000 mAh no Moto Z2 Play. Não parece uma redução numérica tão grande, mas isso faz com que o novo aparelho seja propagandeado pela Lenovo como tendo até 30 horas de bateria, enquanto o antecessor tinha estimativa de até 50 horas — não se trata, portanto, de manter a autonomia porque a eficiência energética do processador ou da tela melhorou; é um corte real.

A redução da capacidade seria uma consequência do esforço da Lenovo em tornar o smartphone 1 mm mais fino e 20 gramas mais leve que seu antecessor. Mas não é como se o Moto Z Play fosse um trambolhão, uma vez que ele tinha apenas 7 mm de espessura e 165 gramas. Ele já era mais fino que smartphones mais caros, como iPhone 7 (7,1 mm) e Galaxy S8 (8 mm).

Alguém realmente quer algo mais fino que isso?

Além disso, o fato do Moto Z Play ter uma duração boa dispensava a necessidade de plugar o módulo de bateria extra, que foi enviado de brinde para os compradores brasileiros do finíssimo Moto Z (5,2 mm) como forma de tentar compensar sua autonomia medíocre. Com o módulo, o smartphone mais fino da Lenovo fica com 11,2 mm de espessura, eliminando a suposta “vantagem” de design.

Uma autonomia menor também vai na contramão do mercado de intermediários premium, que tem recebido novos entrantes com baterias maiores, caso do Zenfone 3 Zoom e do Galaxy A9, ambos de 5.000 mAh — curiosamente, os dois aparelhos são justamente de fabricantes que decepcionavam em bateria no passado.

Diante disso, existem duas possibilidades. A primeira é que a Lenovo não entendeu por que o Moto Z Play foi bem recebido, e vai acabar com uma das melhores características da linha. A segunda é que você e eu fazemos parte de um nicho muito restrito, e que as outras pessoas não ligam muito para a duração de bateria. No entanto, a julgar pelos reviews que o aparelho ganhou, isso não parece ser verdade:

Depois de trazer um Android caro com 2 GB de RAM, lançar um smartphone com ergonomia ruim e bateria decepcionante, deixar seus usuários em risco, fazer bagunça com a marca Motorola e ter seu primeiro prejuízo em seis anos, por favor, Lenovo, tente não estragar o Moto Z Play.