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Samsung DeX: um dock que transforma o Galaxy S8 em desktop (e peca no software)

Com preço sugerido de R$ 649, o Samsung DeX conecta o Galaxy S8 a um teclado, mouse e monitor

Paulo Higa Por

Muita gente já tentou. Em 2011, o Motorola Atrix trazia a Lapdock, que transformava o smartphone em notebook. A Canonical também experimentou um Ubuntu Phone, que tinha hardware poderoso para rodar uma versão completa da distribuição Linux. O Continuum do Windows 10 Mobile é uma promessa desde 2015. Agora, a Samsung está chegando com o DeX.

O DeX é um dock que conecta o Galaxy S8 a um mouse, teclado e monitor para transformar o smartphone em desktop. Compacto, ele tem portas USB, HDMI e até Ethernet, além de uma ventoinha para resfriar o celular em tarefas mais pesadas. Será que é bom? Eu conto tudo nos próximos parágrafos.

Como funciona

A embalagem do DeX é a mais simples possível: ela traz o dock… e só. Não há cabo HDMI, USB-C ou mesmo adaptador de tomada, por isso, você precisa utilizar os acessórios que já vieram com o Galaxy S8 ou comprar novos se não quiser ficar mudando coisas de lugar a todo momento. O dock não é ativado se não estiver ligado a um carregador com potência suficiente para alimentar o celular e a ventoinha.

Com todos os acessórios em mãos, o processo de configuração é simples: basta ligar o Galaxy S8 na base deslizante do DeX, e um teclado, mouse e monitor ao dock. Duas opções serão oferecidas na tela do smartphone: iniciar o Samsung DeX ou espelhar a tela no monitor. Ao escolher a primeira, uma tela de inicialização aparece e, em alguns segundos, temos uma área de trabalho completa à disposição.

A interface do DeX é uma mistura de Chrome OS com Windows, trazendo ícones espalhados pela área de trabalho; uma barra inferior para alternar entre as janelas de aplicativos; e um menu com a lista de todos os softwares que podem ser executados no DeX. No canto inferior direito são exibidos o relógio, os indicadores de conectividade e os ícones de notificação; um clique ali expande a central de notificações.

A compatibilidade e as possibilidades de expansão do DeX atendem a maioria dos usuários: eu consegui utilizar meu teclado Bluetooth, um HD externo, um pen drive e um alto-falante sem fio, tudo ao mesmo tempo. O som fica por conta do (fraco) speaker do Galaxy S8 ou de um acessório Bluetooth, já que o conector de 3,5 mm para fones de ouvido é fisicamente inacessível enquanto o smartphone está conectado ao DeX.

O que é legal

A praticidade de alternar entre o modo smartphone e o modo desktop é inegável: basta conectar o Galaxy S8 ao dock e em segundos a área de trabalho é iniciada, com os mesmos aplicativos que você utiliza no Android e mantendo os arquivos, fotos e contas que já foram salvos anteriormente. A rede celular continua ativa para receber ligações telefônicas e mensagens de texto.

Como estamos falando de um aparelho com memória flash e bom poder de processamento, tanto o modo desktop quanto os aplicativos não demoram para abrir; o desempenho é praticamente o mesmo que na telinha e melhor que o de muito PC por aí. Eu só senti algum engasgo nas animações quando havia muitos aplicativos abertos e uma certa lentidão no navegador da Samsung para renderizar sites pesados.

O modo desktop da Samsung nada mais é do que o Android com uma interface adaptada, o que traz algumas exclusividades do smartphone. O WhatsApp, por exemplo, é o nativo, dispensando o WhatsApp Web. O aplicativo do Instagram permite enviar fotos, sem fazer nenhuma gambiarra. E alguns jogos que só existem para dispositivos móveis podem ser controlados por mouse e teclado em uma tela grande.

Uma parceria com a Microsoft fez muito bem ao DeX, que roda versões do Word, Excel e PowerPoint adaptadas ao modo desktop. Além disso, a integração com Citrix, VMware e Amazon permite que profissionais executem aplicações mais específicas, como um software de gerenciamento, em máquinas virtuais na nuvem, o que abre possibilidades para que empresas explorem a tecnologia.

O que não é legal

Até por ser uma interface adaptada, não um sistema operacional novo, você tem as mesmas limitações de um Android rodando no smartphone. O principal problema é o multitarefa, que engana pelo visual: várias janelas são exibidas ao mesmo tempo no desktop, mas os aplicativos em segundo plano ficam suspensos, como aconteceria em um celular.

Isso fica mais claro, por exemplo, ao assistir a um vídeo pelo YouTube: se você alternar para outro aplicativo, o vídeo é pausado automaticamente. O Slack, aplicativo que utilizamos para comunicação interna, também não funciona em segundo plano, e a janela de mensagens é sempre recarregada quando alterno para ele, prejudicando a produtividade.

Além disso, a maioria dos aplicativos não está adaptada para funcionar em telas grandes. Facebook, Trello, Todoist, Messenger, Instapaper, Pocket Casts e vários jogos são meras janelinhas em modo retrato que não podem ser redimensionadas. O resultado, no final do dia, é um monte de janelas espalhadas pelo monitor que exibem pouco conteúdo. A melhor opção acaba sendo acessar os mesmos serviços pelo navegador.

E isso revela outro problema: o Chrome insiste em carregar versões móveis de sites e, muitas vezes, tenta abrir aplicativos associados a determinado domínio — clique em um link que leva para o trello.com e veja o aplicativo surgindo na sua frente, do nada. A solução é utilizar o navegador da Samsung, que até funciona bem e carrega versões para desktop, mas não importa os favoritos, históricos e senhas do Chrome.

A experiência ruim do Android em tablets se reflete no DeX, que se limita a exibir interfaces esticadas nos aplicativos que possuem janelas redimensionáveis, como é o caso do Twitter. E nem pense em utilizar o DeX como central de mídia para colocar suas séries da Netflix em dia: os vídeos são exibidos em uma pequena janela no meio da tela e não podem ocupar a tela inteira.

Breakneck vira apenas uma janelinha sem graça no meio da tela

O único aplicativo que não abriu é também um dos que mais utilizo. O desktop mostra a mensagem de que o “Spotify não pode ser executado no Samsung DeX; tente executá-lo no modo de telefone”. No entanto, como os aplicativos são fechados automaticamente quando o Galaxy S8 é conectado ao DeX, na prática, é impossível utilizar o serviço de streaming; a versão web também não pode ser acessada.

Procurada pelo Tecnoblog, a Samsung informou que o “Spotify não suporta a resolução Full HD utilizada no DeX”, sem citar detalhes. A explicação faz pouco sentido porque o aplicativo já funciona em smartphones e tablets Android com qualquer resolução de tela.

Também conversei com a assessoria do serviço de música, que não explicou a limitação, nem deu prazo para que o Spotify comece a funcionar no modo desktop do Galaxy S8. A solução foi apelar para o Deezer, que já está incluso no meu plano de celular (e seria uma boa opção se não fechasse sozinho depois de alguns minutos de trabalho).

Conclusão

O DeX é um hardware bom que fica limitado pelo software cru.

Do ponto de vista do consumidor comum, o produto da Samsung falha em oferecer uma experiência sólida, apresentando um multitarefa restrito e aplicativos limitados. Ele ainda não está pronto para substituir um PC comum — enquanto um smartphone é tipicamente monotarefa, com um aplicativo sendo utilizado por vez, a natureza de qualquer sistema para desktop é ter vários aplicativos rodando ao mesmo tempo.

Já para o público corporativo, além das limitações de um sistema para smartphone, o problema recai sobre o custo. Dispensa-se um gabinete de PC, troca-se por um acessório de R$ 649 que exige um smartphone de R$ 3.799 para funcionar (e que faz menos que um gabinete de PC). Os gastos com monitor, teclado, mouse e cabos continuam existindo, portanto, o DeX acaba sendo mais caro que apelar para o tradicional.

O DeX, se pensado friamente como um mero dock de plástico com ventoinha, que não tem capacidade de processamento ou memória próprios, é caro demais até no mercado americano, onde custa US$ 149. Isso é o preço de um Chromebook de entrada que, aliás, já vem com teclado físico e uma tela grande de “brinde”.

Fica claro que o DeX é um primeiro passo e, mais do que isso, um experimento da Samsung — mas tantas empresas já tentaram emplacar produtos semelhantes que fica difícil acreditar que algum deles dará certo. No final das contas, o Galaxy S8 com DeX é apenas um celular conectado a um mouse, teclado e monitor. E colocar manches e manetes em uma Ferrari California não a transforma em um Boeing 777.

Comentários

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Chode 'Infamous' McBlob

Só há uma explicação para esse texto: o cara que testou o DEX é um idiota, não sabe usar então ficou reclamando como um imbecil.
Primeiro, o som é transmitido pelo cabo HDMI, só precisa usar o bluetooth se quiser. Ligue a caixa de som na saída do monitor que tudo funciona, sua ameba.
Spotify não funciona? Ninguém mandou usar essa bosta.
Chrome abre em modo smartphone? É claro, sua anta, continua sendo um smartphone. Selecione "abrir como desktop".
Smartphone monotarefa? Sua anta, os aplicativos funcionam em paralelo, todos. O youtube para de funcionar porque o Google quer que você pague pelo vídeo em back.
Vocês do technoblog são um bando de incompetentes mesmo.

Kevyn

Acredito que algo importante para o DEX evoluir, seria tornar o sistema padronizado, de forma que outras fabricantes tenham acesso a plataforma.... Se não, vai acontecer como o Windows Phone, o que adianta um baita sistema operacional se não possui aplicativos para os usuários fazerem o que desejam! O apps com suporte ao DEX funcionam legal, o Deezer, Youtube, os APPs Microsoft, os da própria Samsung (SMS, Telefone, Calculadora.....).etc, mas ainda tem alguns que precisam ser adaptados: Netflix, Instagram, Jogos que não funcionam com teclado... entre outros.

evillman Dota

Depende do que você faz no seu laptop... Se apenas navega pelas redes sociais, lê notícias e redige documentos no word... Isso atende perfeitamente. E muita gente só faz isso no laptop. Mas se é pra jogar, programar, etc... Aí a coisa muda de figura.

Anderson Rodrigues
Eu gostei da experiência. Para o meu trabalho, a Samsung precisaria fechar acordos com editores de fotos, da Adobe, para edição de imagens. E uma forma de usar a caneta numa plataforma de mesa como mouse. A caneta do Note 8 é ótima e sua função seria perfeita com estas adaptações.
Paulo
Utilizo um Iphone 7 plus e um galaxy note 8 e o Iphone 7 plus me parece rodar as coisas mais rápido, mesmo sendo uma geração anterior.
Paulo
Não é caro, o Dex veio de graça com o Note 8... :)
Paulo
Eu uso o Dex para ler documentos Word quando estou em hotel em viagens à trabalho. Funciona perfeitamente bem. Inclusive, esse foi um dos motivos por eu ter optado pelo Note 8.
Moon Knight
Isso é interessante pro cara que tem um DEX em casa e um DEX no trabalho e transporta o celular de casa pro trabalho, é mais leve que um notebook, o problema é que não roda um SO de larga abrangência, como um windows, por exemplo, o que diminui muito a compatibilidade com softwares e demais aplicativos necessários pra diversas atividades em desktops.
Ernani
sim, se oxidou probabilidade de ter é próxima de zero, ou ser ruim como foi o S5, .... perguntei sobre praia, pois a maresia costuma oxidar placas, então é bem mais provável ser isso do que voce suar como um porco, kkkk. brincadeiras a parte ok. abs
Glauco
Eu sou muito "calorento" e suo bastante, não como um porco, eu acho. :) E respondendo sua pergunta, sim, moro bem próximo a praia, mas o que importa é que se a placa oxidou é pq o celular não tinha certificação IP67, se tivesse não teria acontecido isso.
Ernani
suor? sei lá hein. voce mora em cidade praiana? suor é muito pouco pra falar que entrou no celular a ponto de atingir e ainda oxidar a placa mão. entraria pelo fone de ouvido e atingiria o falante, isso se ficasse horas ao telefone e suasse que nem um porco véio, rss
Glauco
Não foi o caso, ele não tinha mesmo, eu tive um S6 que morreu porque a placa oxidou e a AT disse que devia ter sido devido a suor, que foi o único líquido que ele ficou exposto.
Glauco
O Samsung DeX tem suas limitações, mas para quem precisa de computador só para digitar texto no Word e fazer apresentações no PowerPoint ele funciona perfeitamente bem (Excel tb), então não está tão cru.
Ernani
é como eu disse. o que é pra voce nao é pra todo mundo e vice-versa. A carroça foi uma boa invenção como todos sabemos hoje, mas sabemos também que era(e ainda é) desajeitada, dura, lenta...mas foi primordial para surgirem os carros como são hoje. O Dex é um avanço da tecnologia, que com certeza em um futuro talvez próximo será muito melhorado, mas mesmo hoje já é um puta negócio para muita gente.
Alberto Prado
Que comparação boa né?!
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