No final do mês, um ônibus elétrico alimentado apenas por baterias começará a circular pela região central da capital paulista. O veículo, o primeiro do tipo inteiramente produzido no Brasil, foi apresentado nesta sexta-feira (14) pela Prefeitura de São Paulo.

A cidade conta há décadas com ônibus do tipo trólebus, que são alimentados por energia elétrica, mas devem ser ligados a uma rede área de cabos. A proposta do veículo recém-anunciado é bem diferente: a alimentação é feita por baterias de fosfato de ferro (LiFePO4) que levam cerca de cinco horas para serem recarregadas.

Ônibus elétrico - BYD e Caio

Ônibus desse tipo vêm sendo testados há alguns meses em São Paulo e outras cidades brasileiras, mas essas unidades são importadas — a grande maioria veio da China. A unidade apresentada hoje foi produzida no Brasil, como já informado.

O chassi foi fornecido pela BYD, uma empresa chinesa, mas que têm fábrica em Campinas, interior de São Paulo. Já a carroceria do ônibus foi fabricada pela Caio Induscar, essa sim uma empresa brasileira — a planta da Caio fica na região de Botucatu, também no interior de São Paulo.

Na China, a BYD produz ônibus elétricos completos (chassi e carroceria) — muitas das unidades testadas anteriormente por aqui foram fabricadas por ela. Porém, no Brasil, o mercado de ônibus funciona de maneira diferente: companhias como Scania, Volvo e Mercedes-Benz fornecem chassis; já fabricantes como Marcopolo, Comil e Caio montam a carroceria. É por isso que a BYD se limitou a produzir apenas o chassi do ônibus elétrico.

Ônibus elétrico - BYD e Caio

De acordo com a BYD, o veículo tem autonomia de 250 km a 300 km, dependendo das condições de operação. São números bons: em média, cada ônibus urbano de São Paulo roda 200 quilômetros por dia.

Em complemento às baterias, o veículo conta com motores elétricos embutidos nas rodas, além de sistemas auxiliares hidráulicos e pneumáticos. Desse modo, o sistema de tração do veículo consegue transformar energia cinética em elétrica para armazená-la nas baterias.

Por sua vez, a carroceria tem quatro portas para embarque e desembarque, ar condicionado, vidros colados, tomadas USB, Wi-Fi, capacidade para até 84 passageiros (incluindo os que ficam em pé) e interior com iluminação em LED.

Ônibus elétrico - BYD e Caio

A primeira unidade foi entregue à Ambiental Transportes, que opera na zona leste da capital paulista. Atualmente, a empresa é a única que possui linhas atendidas por trólebus.

Mais veículos com a nova proposta deverão entrar em operação. A prefeitura já fala em trocar 60 ônibus a diesel por unidades elétricas. É um número bem baixo se considerarmos que, hoje, a cidade de São Paulo conta com cerca de 14,5 mil ônibus urbanos. A expectativa, porém, é a de que essa quantidade aumente quando a licitação para o sistema de transporte coletivo da cidade for concluída.

Só não será tarefa fácil: a licitação deveria ter sido executada em 2013, mas vários problemas — em especial, divergências com o Tribunal de Contas do Município — fizeram o processo ser adiado. Atualmente, as empresas de ônibus da cidade atuam com contratos emergenciais.

Além de São Paulo, ônibus elétricos com chassis da BYD deverão circular em cidades como Campinas e Belém.

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Paulo Brasil
Muito interessante para os empresários brasileiros. Oque falta realmente no mercado interno são as condições de investimento Público direcionado para os Inventores e Empresa que têm as reais condições de Produção de Motores e energia limpa. O que também precisamos ouvir são as pessoas como inventores autodidatas que podem erradicar o abastecimento desses veiculares com autonomia de até 300 km, pois, o percurso em SP de um ônibus chega a 200 por dia. Agora imagine um Ônibus com autonomia de 730 dias e de 17.520 horas sem parar? Com uma manutenção única desse GEMASV - Gerador Eletromagnético Autossustentável Vertical de potência entre 1.0 MW/h até 5.0 MW/h nesse período de 02 (dois) anos apenas US$. 5.500,00. (Em R$. 17.207,00). Com relação ao pagamento do COMABI - Comodato Automotivo Bimestral da empresa que fizesse o Contrato de COMAB com a nossa empresa, pagaria pelo valor da quilometragem do ônibus urbano, intermunicipal e interestadual rodado no Bimestre. Paulo Brasil [email protected]
EMANUEL FLORIPA
A notícia mente ao afirmar que é o primeiro. A Universidade de SC já opera com um ônibus elétrico desde março desse ano que além de elétrico, é alimentado por energia solar. Mas também não é o primeiro elétrico, apenas o primeiro com alternativa solar, como confirma a notícia abaixo. https://diariodotransporte.com.br/2017/07/16/historia-o-primeiro-onibus-eletrico-no-brasil/
Caio Alexandre
Apesar disso, recomendo a leitura deste artigo. Esclarece bem o ridículo release da prefeitura, que chamou de "primeiro ônibus elétrico brasileiro" e a mídia não especializada (Tecnoblog, incluso) ter acreditado cegamente, com o perdão do release mal-feito, que não especifica se é o "primeiro ônibus elétrico brasileiro" a ser vendido e operado para a SPTrans. https://diariodotransporte.com.br/2017/07/16/historia-o-primeiro-onibus-eletrico-no-brasil/
Emerson Alecrim

O E-Bus ainda não é um projeto finalizado. Além disso, ele é todo adaptado: as baterias não são específicas para o veículo e o chassi original é da Mercedes, por exemplo.

emersonalecrim
O E-Bus ainda não é um projeto finalizado. Além disso, ele é todo adaptado: as baterias não são específicas para o veículo e o chassi original é da Mercedes, por exemplo.
Emerson Alecrim

O problema do E-Bus é que ele ainda não é um projeto finalizado (e nem sei se será). Para completar, ele é todo adaptado: as baterias não são específicas para o veículo e o chassi original é da Mercedes, por exemplo. É claro que isso não tira a importância do trabalho. Mas, no caso da BYD, o projeto já está inclusive em fase de produção em larga escala: a fábrica tem capacidade para 400 chassis por ano.

emersonalecrim
O problema do E-Bus é que ele ainda não é um projeto finalizado (e nem sei se será). Para completar, ele é todo adaptado: as baterias não são específicas para o veículo e o chassi original é da Mercedes, por exemplo. É claro que isso não tira a importância do trabalho. Mas, no caso da BYD, o projeto já está inclusive em fase de produção em larga escala: a fábrica tem capacidade para 400 chassis por ano.
Allef
O primeiro não tinha sido o que a Metra desenvolveu em parceria com a Mitsubishi? http://www.emtu.sp.gov.br/emtu/imprensa/imprensa/rede-de-transporte/e-bus.fss
Cesar Osvaldo Müller
Eu moro em Joinville, por isso falei kkkk
Thiago A. Klein
Isso mesmo, aqui em Joinville tem uma área gigante em que eram feitos os onibus da Busscar.
Cesar Osvaldo Müller
Menos poluentes, sem ruido de motor, sem fumaça de escape...
Cesar Osvaldo Müller
Relaxa que eles compraram a massa falida da Busscar, que em seus tempos áureos era a a maior fabricante de carrocerias....
Natthan Fruche Terzi
Só não entendi uma coisa, a prefeitura que compra os ônibus e ambiental transportes que vai operar?? Vão lucrar sem ter que desembolsar.
Nicolas Gleiser
o ônibus parado só vai gastar a energia referente a iluminação interna e outros aparelhos, o "motor" elétrico só é usado em movimente, e essas 10 viagens citadas ae já chega a passar e muito do expediente de um motorista, pelo pouco que conheço é colocado uma frota imensa no horário de pico que fica ocisosa nas garantes até o próximo horário de pico, esse tempo parado poderia estar recarregando, enquanto o ônibus ta no terminal esperando sua vez de sair ou o embarque, pode esta recarregando . e por ai vai .
Nicolas Gleiser
os painéis dariam no máximo 5~10% a mais na autonomia, sem falar q tu ta adicionando mais peso e uma peça muito cara e que não é tão resistente, seria um gasto extra que pode ser usado em outra coisa .
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