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Polêmica envolvendo YouTube escancara rivalidade entre Google e Amazon

Emerson Alecrim Por
2 anos atrás

Google e Amazon já se estranharam antes, mas nenhum episódio gerou tanta polêmica quanto o atual: o YouTube deixou de funcionar no Echo Show, alto-falante inteligente da Amazon. A decisão foi repentina, sem aviso prévio e a explicação dada pelo Google soa vaga. O resultado? Uma briga de cachorro grande.

Pode parecer um detalhe sem importância, mas o Echo Show tem um grande diferencial em relação ao Amazon Echo convencional: uma tela tátil de 7 polegadas. Dava para assistir a vídeos do YouTube ali até a última terça-feira (26), quando o Google decidiu revogar o acesso ao serviço a partir do dispositivo.

Amazon Echo Show

Amazon Echo Show

Diante das queixas, a Amazon tratou logo de dizer que não teve culpa: "o Google decidiu deixar o YouTube indisponível no Echo Show sem explicação e aviso aos usuários. Não há razão técnica para essa decisão, o que é decepcionante e prejudicial aos nossos clientes".

O Google rebateu prontamente: "a implementação do YouTube no Echo Show por parte da Amazon viola nossos termos de serviço, criando uma experiência de uso incompleta. Esperamos chegar a um acordo para resolvermos esse problema em breve".

Mas a solução para o impasse pode não ser tão imediata assim. A Amazon afirma que o Google, até o momento, não esclareceu quais condições foram violadas. "Eles simplesmente não nos disseram o que há de errado", argumenta Dave Limp, vice-presidente de dispositivos da Amazon.

YouTube triste

Se por um lado o Google parece ser um tanto vago nas justificativas, por outro, a Amazon demonstra alguma falta de tato: o Echo Show reproduzia vídeos do YouTube normalmente, mas não dava acesso a funções importantes da plataforma, como permitir que o usuário se inscrevesse em canais ou exibir recomendações de vídeos. Talvez — e apenas talvez — a iniciativa de disponibilizar mais recursos pudesse ter evitado o atrito.

Mesmo que as razões técnicas sejam legítimas, pode ter certeza que o fator rivalidade pesou nesse conflito. Como dito no início do post, não é a primeira vez que Google e Amazon se estranham.

Para dar um exemplo, no final de 2014, o aplicativo oficial da Amazon foi retirado do Google Play por promover a loja de apps da primeira. O aplicativo voltou ao catálogo, mas, hoje, é bem mais limitado.

Quase um ano depois, em outubro de 2015, a Amazon deixou de vender o Chromecast em sua loja (o Apple TV também foi removido). As razões até hoje são discutidas, mas a Amazon não esconde que a decisão foi uma resposta ao fato de o Chromecast não dar suporte por completo ao Prime Video.

Echo de segunda geração e Echo Plus

Os novos Echo de segunda geração e Echo Plus

A parte negativa dessa história é que o usuário fica no meio do fogo cruzado. E a bandeira da paz não deve ser hasteada tão cedo: nesta semana, a Amazon ampliou a linha Echo e, quase ao mesmo tempo, surgiram rumores de que o Google está trabalhando em um dispositivo similar ao Echo Show, ou seja, em um alto-falante inteligente com tela.

Fontes anônimas entrevistadas pelo TechCrunch afirmam que o dispositivo recebeu o codinome Manhattan. O alto-falante terá plena compatibilidade com o ecossistema do Google e, obviamente, isso inclui o YouTube.

Se os rumores estiverem certo, a Amazon poderá entender que o novo produto é a razão para o Google agir de modo tão arbitrário. Com isso, a briga provavelmente vai ter novos rounds.