Início » Aplicativos e Software » Por que a atualização do Windows 10 estava apagando arquivos

Por que a atualização do Windows 10 estava apagando arquivos

Microsoft corrigiu falha na atualização de outubro do Windows 10 que apagava arquivos; causa foi uma tentativa de evitar pastas duplicadas

Emerson Alecrim Por

A atualização de outubro do Windows 10 não está mais apagando arquivos pessoais. A Microsoft havia suspendido o update no início da semana porque usuários relataram sumiço de arquivos após a instalação. O problema acaba de ser corrigido, mas deixa a pergunta: o que causou uma falha tão grave?

De acordo com relatos postados em fóruns especializados e redes sociais, a atualização de outubro do Windows 10 (versão 1809) fazia arquivos armazenados em pastas como Documentos e Imagens simplesmente sumirem.

Como não havia causa aparente, a Microsoft suspendeu o update e orientou os usuários afetados a entrar em contato com o seu serviço de suporte. Enquanto isso, a companhia tratou de investigar o problema.

Foto: Andrew Writer via Flickr/CC

Foto: Andrew Writer via Flickr/CC

A intenção era apagar pastas duplicadas

Não demorou para o mistério ser desvendado. Note que o bug afetava apenas as pastas padrão do Windows (Documentos, Imagens, Downloads e assim por diante). Elas são chamadas pela Microsoft de Known Folders ou Pastas Conhecidas, em tradução livre. Essas pastas têm uma configuração especial para permitir que elas sejam mudadas de local e, mesmo assim, softwares continuem salvando arquivos nelas.

O usuário consegue, por exemplo, mover a pasta Imagens da unidade C (padrão) para a D, que pode ser uma partição diferente ou um segundo HD. Para isso, basta ir à guia Local das propriedades da pasta e indicar o novo endereço.

Graças a um recurso chamado Known Folder Redirection (KFR) ou Redirecionamento de Pasta Conhecida, o sistema operacional e os softwares instalados sempre sabem em que local está a pasta. Assim, um editor de imagens, por exemplo, consegue salvar arquivos na pasta Imagens por padrão mesmo se ela tiver sido mudada. Basta acionar o KFR para saber onde ela está.

Só que existe uma limitação: quando uma Pasta Conhecida é mudada de lugar, o sistema operacional preserva a pasta original. Assim, voltando ao exemplo, o usuário acaba tendo duas pastas Imagens, uma atual e outra com conteúdo antigo.

O tema escuro é umas novidades da atualização de outubro

O tema escuro é umas novidades da atualização de outubro

Pois bem, a atualização de outubro do Windows 10 tentou pôr fim a essa bagunça. O update verificava se o KFR havia sido acionado e simplesmente apagava as pastas originais. Está aí a razão para apenas alguns usuários terem sido afetados: se o KFR não estivesse sendo usado, tudo continuava como antes.

O problema é que o KFR pode ser acionado mesmo sem o usuário ter intenção de mudar de pasta. Versões antigas do cliente do OneDrive usavam o KFR para ativar o salvamento automático de cópias de arquivos do usuário nas nuvens, mas mantinham o conteúdo nas pastas antigas (as versões atuais movem o conteúdo para as novas pastas).

Para eliminar a bagunça, a atualização fez o Windows 10 apagar as pastas antigas. Este foi o erro da Microsoft: tudo indica que o procedimento vinha sendo realizado sem que a existência de arquivos nessas pastas fosse checada.

Por que o Windows não checava se as pastas antigas estavam vazias?

Causa estranheza que a Microsoft tenha cometido um descuido dessa magnitude, mas, aparentemente, a lógica seguida foi a de que, se o usuário mudou uma ou mais Pastas Conhecidas de lugar, provavelmente ele moveu o conteúdo delas para o novo local, daí não havia necessidade de checar.

A Microsoft também levou em conta que, quando a atualização de abril do Windows 10 foi lançada, muitos usuários relataram ter encontrado cópias vazias das Pastas Conhecidas em seus computadores.

Por conta disso, a atualização de outubro foi pensada para incluir uma função capaz de eliminar essa duplicidade e preservar apenas as pastas mais recentes. O problema, de novo, foi que não houve verificação do conteúdo das pastas.

Pasta Imagens

Assim, usuários que por alguma razão continuam usando as pastas antigas perderam todos os seus arquivos. Aqueles que usavam pastas atuais, mas mantinham conteúdo nas antigas, tiveram perda parcial. Quem não alterou os locais das Pastas Conhecidas ou moveu todo o conteúdo delas ao mudá-las provavelmente não teve problemas.

E agora?

De acordo com a Microsoft, um número pequeno de usuários foi afetado pelo problema. Para quem está entre eles, a orientação da empresa é o contato com o seu serviço de suporte. Os atendentes têm orientado o uso da função de restauração do sistema para um ponto anterior ao da instalação do update para recuperar os arquivos. Softwares como Recuva também pode ajudar nesse trabalho.

Para quem já baixou a atualização de outubro do Windows 10, um pequeno update está sendo liberado para corrigir a falha. Note, porém, que ele não recupera os arquivos apagados.

Obviamente, essa correção já vai estar incluída no pacote completo da atualização, prevista para ser relançada em breve. Por ora, ela está sendo liberada apenas para os usuários do programa de testes Windows 10 Insider. A disponibilização geral será feita quando houver certeza de que o problema não está mais ocorrendo.

A Microsoft informou também ter atualizado a ferramenta Feedback Hub para torná-la mais assertiva. Ela foi usada por participantes do Windows 10 Insider que reportaram a falha dos arquivos apagados, mas como os relatos tiveram poucos votos positivos, a companhia acabou não dando a atenção que o problema merecia.

Comentários

Envie uma pergunta

Os mais notáveis

Comentários com a maior pontuação

dephilu1994

Loоking for sеxting
https://www.google.com/#btn...
Add me, my id 200657

Flavio Toledo

Ate aonde sei existe porem e mais comum para empresas.

Arnald Martins

[...se o usuário mudou uma ou mais Pastas Conhecidas de lugar, provavelmente ele moveu o conteúdo delas para o novo local, daí não havia necessidade de checar....

avinicius

Botar a culpa no usuário que utilizou uma funcionalidade própria do sistema? É culpa da MS de não testar essa funcionalidade de apagar pastas duplicadas direito.

Matheus Willder dos Santos

Era exatamente esse o meu ponto, o Ubuntu por exemplo teve um período bem conturbado de versões finais sendo lançadas instáveis e com muitos bugs estranhos e o mesmo acontece agora com o Windows 10. É importante manter tudo atualizado mas qualquer sistema é passível de falhas e principalmente em novas versões, seja qual sistema for.

José Carvalho

Questionei especificamente deste artigo por jurisprudência no TJRJ de caso que resultou de indenização por danos morais que relacionava questão de fornecimento de atualização de software, e eu acompanhei o caso bem de perto.

Drax

Sim, telefonia é um desastre. São coisas simples, por exemplo, a pessoa pagou a fatura, o sistema não acusou recebimento e inscreveram o nome da pessoa do SPC. Isso é algo que um sistema de qualidade resolveria.
Tenho trabalhado muito também com fraudes. Empresas representantes comerciais, essas que vendem planos empresariais, talvez para cumprir metas, tem falsificado contratos e assinaturas. Por exemplo, a pessoa contratou um plano A com eles, eles falsificam o contrato colocando o plano B, que é bem mais caro, que envolve fornecimento de aparelhos e etc.
Sobre a política da Microsoft não tenho do que reclamar, uso tudo deles e sempre que preciso me atendem bem. Uso W10, Office, Xbox, e etc.

José Carvalho

Peço desculpas, pensei que seria costume processar a Microsoft.

As empresas de telefonia PEDEM por processos, mais parece que elas vivem de lavar dinheiro, então precisam tratar os consumidores como se fossem ratos e baratas de esgoto, para serem processadas mesmo e justificar alguns gastos.
No RJ costumam aplicar indenizações quando a empresa ultrapassa os limites legais para reparação "amigável".
E no caso das atualizações, hoje em dia, as empresas tentam ser mais transparentes, justamente para evitar o processinho e o dano publicitário que isto costuma trazer. A Microsoft tem melhorado muito a política de atualizações e qualidade de software. Nunca houve uma versão do Windows com menos falhas 0Day, o que contradiz a lógica do aumento da superfície de contato com o utilizador, ou seja, a Microsoft está investindo pesadamente em software de qualidade. Eventualmente falhas vão aparecer, visto que vem cada vez mais atualizações e as pessoas vão criticar cada vez mais, o que é aceitável, visto que elas ao mesmo tempo que ganham conhecimentos básicos de tecnologia, torna-se cada vez maior o numero de usuários "rasos" (gente que usa a tecnologia, mas que não conhece a fundo o suficiente para ter as precauções necessárias).

Drax

São complementares, mas diferentes. O art. 14 trata de "defeito". O art. 18 trata de "vício".
Em uma rápida explicação, "vício" é algo relacionado ao funcionamento do produto/serviço. Ou seja, há uma falha em seu funcionamento, no fornecimento de informações e etc.
Já o "defeito" é um vício mais grave, um vício que além de atingir o próprio produto/serviço, acaba causando dano no consumidor. Os professores sempre usam o exemplo de um carro que possui um "vício" em uma roda que acaba ocasionando um acidente.
No caso em questão, o "defeito" ocasionaria um dano moral e não material, o que nossos tribunais tem aceitado, por incrível que pareça. Seja esse dano pela própria falha do serviço, seja pela falha na prestação de informações (eu, por exemplo, só fiquei sabendo dos defeitos por causa do tecnoblog, e não pela empresa).
Como disse em outro comentário, eu nem patrocinaria essa causa, mas a responsabilidade existe e a chance de condenação também, por isso é comum ocultarem a existência de tais falhas. Inclusive é função do departamento jurídico das empresas preverem esse tipo de problema para avisarem a empresa.

Drax

hehehe

Não tenho experiência em processos contra a microsoft, mas sim em processos envolvendo relação de consumo contra as mais diversas empresas, principalmente as de telefonia.
Como eu disse, eu não entraria com um processo desse, em razão do bom senso mesmo, pois eles consertaram o problema rapidamente e até assumiram a culpa, o que é raro. Ademais, eu sempre dou prioridade para a solução consensual e administrativa. Somente com uma negativa que eu proponho qualquer ação.
Inclusive, por causa do risco de receberem processos, é comum não aceitarem a existência da falha e corrigirem "na calada da noite".
Não sou esse tipo de pessoa nem advogado. Somente faria em caso de dano mesmo (perda de arquivos).
Só estou discutindo a responsabilidade deles perante à nossa lei. Não estou discutindo se a lei está correta ou não, ou se a interpretação dos juizes também está correta ou não. Tanto é que isso varia muito, aqui em SC é comum indenizações por danos morais por falha na prestação de serviços. Tenho conhecimento que no RJ, ao contrário, os juízes costuma entender que normalmente se tratam de "mero aborrecimento", o que não ensejaria qualquer condenação por danos morais.
Inclusive tudo que estamos discutindo aqui, dependendo do juiz, seria utilizado para julgamento do caso, envolvendo o próprio bom senso.
Como você disse antes, há necessidade de uma reforma do nosso CDC justamente para adequação à nossa cultura atual.

José Carvalho

Deixa-me só fazer uma pergunta, o artigo 18, o que ele interfere nesta relação?

Lembrando que a atualização é gratuita, podendo aqui, se for do seu interesse, desconsiderar se ela inclui correções a outras falhas, ou se apenas adiciona uma nova função e esta, sim, com defeito.

José Carvalho

A empresa tem a possibilidade, e sempre vai ter, de fornecer um serviço com uma falha. O que seria inaceitável seria a indisposição a resolver ou a postergação do prejuízo ao consumidor (este sendo empresa ou não). O questionamento que eu levanto, já devido ao fato de você ter experiência em ganhar processos contra a Microsoft, é com relação a previsibilidade, no contexto jurídico, da possibilidade de falhas no software e o período que a empresa tem para resolver o problema.

Ora, não é já a atualização, muitas das vezes, uma correção a falhas ocultas?

Como não pôde então, ter sido processada, por ter estas falhas, e agora atualizar na calada da noite? Não cabe aí, também, indenização? Ou só é válida para a atualização da atualização?
Cabem ainda os 90 dias para corrigir a correção ou isso só era válido para o software original? Etc.
PS.: Não estou defendendo, nem Linux, nem Microsoft, muito menos o consumidor... Agora entrei no modo filósofo e só o ban vai poder me parar (brincadeira, estou é gostando da discussão)

Drax

Aqui funciona diferente. Uma vez que ela cobra para fornecer o software ela é obrigada à fornecê-lo em perfeito funcionamento, ainda que isso não seja algo 100% possível.

Art. 14 do CDC:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da
existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem
como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição
e riscos.
§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o
consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as
circunstâncias relevantes, entre as quais:
I - o modo de seu fornecimento;
II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III - a época em que foi fornecido.

No caso, o defeito é claro. O sistema não fornece a segurança que o consumidor dele espera (não perder arquivos). O simples fato de não fornecer essa segurança gera o defeito e, automaticamente, a responsabilidade.
Além disso há uma falha nas informações. A microsoft em momento algum informa que a atualização pode causar problemas (pelo menos pra mim não tinha nenhum aviso), o que configura outro defeito.

Eu não preciso provar se perdi arquivos, basta eu ir em um cartório onde será feita uma ata notarial pelo escrivão constatando a versão do meu sistema. Se essa versão bater com a versão que a microsoft confessou ter defeito, já tenho provas suficientes.

Claro que eu não fiz isso nem vou fazer, só estou discutindo aqui a responsabilidade da empresa.

E outra, pelo CDC é a empresa que vai ter que provar que não existe a falha naquela versão (como vai fazer isso se ela confessou em nota?), por causa da inversão do ônus probatório.

A microsoft ainda fornece o software sob contratos de licença de uso, porém, não importa quais cláusulas ela coloque no contrato, se alguma contrariar o CDC ela será nula de pleno direito.

Enfim, a responsabilidade delas resta muito clara.

José Carvalho

A Microsoft implementa as atualizações de forma faseada por regiões diferentes do globo. Como eu disse em outra resposta, ESTE é um caso tal onde há uma falha na implementação do software, mas para "confessar" a existência da falha, a Microsoft sabe como e quantas pessoas foram afetadas.
Seria, sim, necessário comprovar existencia do defeito, pois precisa-se saber se você tem a versão defeituosa (perdendo ou não arquivos) ou não, já que a empresa fornece diferentes versões de software e das atualizações. Caso não tenha a versão defeituosa (a atualização em si) não vejo razões no CDC para indenização, você teria de me elucidar.

Com relação ao modelo de consumo do software, a menos que algo tenha mudado nos últimos dois anos, o que a Microsoft fornece é uma licença limitada de uso do software, com um contrato bem específico, de acordo com o tipo de licenciamento requerido, e voltando ao CDC (sem citar artigos específicos, pois o CDC não me afeta mais), ainda há o tempo que a empresa tem para corrigir a falha, do momento que se tomou conhecimento dela, que me parece atendido neste caso, em relação ao que exige a legislação brasileira (e outras), tanto para o modelo de prestação de serviço como para bens duráveis ou não.

Nenhuma empresa do mundo pode fornecer softwares 100% imunes a falhas, e a "confissão" da empresa, encaixa-se perfeitamente dentro das responsabilidades previstas no CDC e outros acordos internacionais que definem as diretrizes da relação de consumo de software.
(Lembrando ainda que na minha humilde opinião, CDC e outros demandam uma reforma para incluir as relações com a segurança da informação e novos modelos de consumo de tecnologia para não gerarem situações aberrantes como a Bélgica, por exemplo, taxando as lootboxes como jogo de azar, por pura falta de atualização legal)

Drax

Juridicamente, perante a lei, eles possuem responsabilidade para com seu software e outros serviços prestados, como o de atualizações. Isso é indiscutível.
Vejo que você tem experiência com software e com servidores, mas não se pode confundir a responsabilidade direta do administrador, com a responsabilidade civil que é prevista em lei.
No caso do windows, para consumidores (tipo eu), pra mim é clara a responsabilidade da microsoft nesse caso, que não deveria fornecer serviços falhos.
No caso de servidores, que não envolve relação de consumo mas sim fornecimento de serviços, o caso é um pouco mais complexo sim, mas a responsabilidade permanece.

Novamente, a discussão de ser pago ou não é de que, pela lei, a microsoft se torna responsável pelo software fornecido, enquanto o linux livre não. Só isso.

Exibir mais comentários