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Twitter oculta tweet de Donald Trump pela primeira vez

Tweet de Trump foi oculto por violar regras sobre violência; presidente assinou ordem executiva com restrições para redes sociais

Felipe Ventura Por

Donald Trump e Twitter estão em pé de guerra: um tweet publicado pelo presidente americano nesta sexta-feira (29) foi oculto por violar regras sobre enaltecimento à violência, mas continua no ar por “ser do interesse público”. Isso ocorreu um dia após a nova ordem executiva dos EUA que quer colocar restrições nas redes sociais.

Donald Trump

Foto por Gage Skidmore/Flickr CC

No último dia 25, um policial matou George Floyd ao se ajoelhar no pescoço dele por sete minutos enquanto ele estava no chão e algemado. Isso motivou uma série de protestos violentos na cidade de Minneapolis, em Minnesota, incluindo confrontos com a polícia.

“Esses VÂNDALOS estão desonrando a memória de George Floyd, e eu não deixarei isso acontecer”, disse Trump no Twitter. “Acabei de falar com o governador [de Minnesota] Tim Walz e lhe disse que o Exército está totalmente do lado dele. Qualquer dificuldade e assumiremos o controle mas, quando começar o vandalismo, começamos a atirar.”

Tweet oculto de Trump

Essa mensagem está oculta por trás de um aviso: “este Tweet violou as Regras do Twitter sobre enaltecimento à violência; no entanto, o Twitter determinou que pode ser do interesse público que esse Tweet continue acessível”. Não é possível curtir nem responder o tweet, apenas citá-lo em um retweet.

O Twitter explica que agiu “com o intuito de impedir que outros se inspirem a cometer atos violentos, mas mantivemos o Tweet porque é importante que o público ainda possa vê-lo, dada a sua relevância para assuntos de importância pública em andamento”.

Ordem executiva de Trump mira em redes sociais

Esta semana, o Twitter colocou um aviso em outro tweet de Trump (sem ocultá-lo): a mensagem fala sobre a votação por correio na Califórnia, dizendo que isso levará a uma fraude generalizada, e que qualquer pessoa morando nesse estado poderá votar assim.

O Twitter explica, usando verificadores de fatos como base, que as duas afirmações estão erradas: o voto por correio já é usado em outros estados (como Utah, Nebraska e Oregon); não está ligado a indícios de fraude; e só pode ser realizado por eleitores registrados.

Tweet de Trump

Isso levou Trump a assinar uma ordem executiva mirando redes sociais como o Twitter. Parte de uma lei dos EUA (seção 230 do Communications Decency Act) estabelece que sites não são responsáveis pelo conteúdo que seus usuários publicam, mas devem remover com rapidez qualquer coisa que viole a lei.

A ordem executiva de Trump pede que a FCC (equivalente americana à Anatel) proponha regulamentos que “esclareçam” o significado da seção 230. Além disso, a FTC (Comissão Federal de Comércio) poderá investigar se as redes sociais têm um “viés” que prejudique os usuários. As duas agências são independentes e podem não aprovar essas solicitações.

O Twitter diz que essa ordem executiva “é uma abordagem reacionária e politizada para uma lei já consolidada”. Enquanto isso, o Facebook observa que mudanças na seção 230 podem ter o efeito oposto ao que Trump deseja: “ao expor as empresas à responsabilidade por tudo o que bilhões de pessoas dizem no mundo inteiro, isso penalizaria quem opta por permitir conteúdo controverso, e incentivaria as plataformas a censurar qualquer coisa que pudesse ofender alguém”.

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Ricardo Mota (@Ricardo_Mota)

Na realidade, o que eu entendi, Trump fez foi possibilitar que as ditas redes sociais possam ser processadas por abusos. Já cansei de ver pessoas conservadoras ou de direita serem censuradas pelo Twitter, Facebook e outros. O que o Twitter e demais fazem é censura. No nosso país, principalmente, temos o direito à opinião garantidos pela Constituição. Se alguém abusa, a rede pode agir processando a pessoa, mas não lhe impondo restrições no seu direito de falar. Se faz assim, age como juiz, e não como mediador.

João Almeida (@Joao_Almeida)

Os comentários desta postagens são ótimos hahaha acham que postar [email protected] é o mesmo que opinião ou “expressão”

Helliton Soares Mesquita (@Helliton_Soares_Mesq)

Sim é. Já vi muito comentário inteligente que é simplesmente chamado de [email protected] por que o cara não aceita que está errado.

Tech Nerd 🤓 (@technerd)

É isso que acontece quando se elege um mentiroso costumaz, racista, xenofóbico e machista. O único diálogo com racistas é porrada, não existe conversa com quem não quer que outras pessoas vivam. E mais: isso vai dar merda!

Caleb Enyawbruce (@Enyawbruce)

Desnecessário, hein cara. Foque nos argumentos, não nas pessoas

Tech Nerd 🤓 (@technerd)

Desde quando liberdade de expressão é liberdade para falar tudo o que pensa? Numa democracia praticamente todos os direitos são relativos, isto é, tem um limite.

Caleb Enyawbruce (@Enyawbruce)

Sem falar especificamente de Trump ou Twitter, mas abordando de um modo geral:

Acredito que a censura não é o caminho. Isto é, o controle sobre os conteúdos publicados deveriam continuar com as pessoas. Se a pessoa violou alguma lei ou cometeu algum crime com o que foi falado ou postado, como por exemplo um crime de calúnia ou difamação contra terceiro, a pessoa deveria ser julgada e, se for o caso, punida, porém ainda assim o controle sobre a exclusão ou não da postagem deveria continuar nas mãos dela. O julgamento do que é fake news ou não é feito por quem e baseado em que? Tem muita coisa que não pode ser resumida ou simplificada em verdadeiro ou falso, existem visões diferentes, pontos de vista diferentes, interpretações diferentes… Existe alguma forma de fazer esse julgamento de modo totalmente imparcial? Sinceramente não sei. Até hoje tenho visto muito mais julgamentos parciais e baseados em ideologias. Já houveram, por exemplo, diversas notícias taxadas como fake news por supostos órgãos de fact checking que claramente não eram fake news, e pessoas mostraram fatos que provavam isso.

Agora falando especificamente de redes sociais: esse julgamento do que é fake news ou não, na minha opinião, jamais deveria estar nas mãos de uma empresa que controla uma rede social. O máximo que ela poderia fazer é sinalizar de alguma forma a postagem e explicar porque está interpretando aquilo como fake news (isto é, mostrar os argumentos que a levaram a essa sinalização). Sem tomar a ação de censura de excluir a postagem. Isso geraria um debate em torno do tema e cada pessoa poderia tirar suas próprias conclusões.

Douglas N. (@dougeureka)

Ainda há escrotos que defendem esse aí é o teu amante tupiniquim. Obrigado, Twitter. Grande dia

🤷‍♀️ (@xavier)

Fazer isso (porrada) é exatamente o mesmo ao que se quer evitar (racista, xenofóbico e machista).
Não existe conversa? Realmente não exista, quem comete qualquer um desses crimes deve ser penalizado pela legislação do país vigente e que a penalização ocorra sem os ditos privilégios.

Porrada NUNCA é a solução. Ou é melhor destruir toda a sociedade e voltar ao período paleolítico.

Tiago Jeronimo (@TiagoJL)

Esse é o famoso “ódio do bem”.

Esse tipo de pessoa não é nem um pouco diferente dos calhordas conservadores, são duas faces da mesma moeda.

Caleb Enyawbruce (@Enyawbruce)

Não faz diferença prática. Ocultar também é censurar.

E meu ponto foi: o Twitter não deveria decidir o que as pessoas expressam ou não. Isso deveria ficar a cargo das leis e da justiça do país. Inclusive eles não deveriam ser responsabilizados por postagens, mas o usuário autor.

Caleb Enyawbruce (@Enyawbruce)

É por pessoas quererem resolver violência com violência que o mundo está do jeito que está. Você se igualou aos que criticou.

🤷‍♀️ (@xavier)

Me desculpe, mas “dentro da casinha” Twitter, ele pode sim e está definido nos termos de serviço.

Violence: You may not threaten violence against an individual or a group of people. We also prohibit the glorification of violence.

Não censuraram a pessoa Trump, censuraram o uso da rede social para falar que fará um ato violento. Ele ainda pode criar um site e falar o que quiser.
Eu concordo totalmente que a legislação deveria mudar para a plataforma não ser responsabilizada, mas enquanto isso não acontece o Twitter tem que botar ordem na casa dele.

🤷‍♀️ (@xavier)

Não, não e não!
Meu comentário é sobre “censurar” pessoas que propagam inverdades, que podem ser comprovadas por diversos meios. A partir daí você começar a falar em regulamentar meios de comunicação é muito, mas muito mais perigoso.

A imprensa nunca, em hipótese nenhuma deve ser regulamentada, pois seguiria um conjunto de regras que são a visão de um grupo restrito de pessoas. E se a régua é ampla demais, ela simplesmente não existe. É só olhar historicamente, todos atos de grande impacto mundial resultaram de uma ruptura nos costumes da época e não poderiam estar previstas em nenhuma regra.

A única forma de mudar isso é lenta, oferecendo educação de qualidade para que cada um crie sua própria régua, pautada com base no que se já possui de informação concreta, verificada, qualificada por cada um dos órgãos competentes da área (do objeto da matéria e não do jornalismo). É uma utopia? Com certeza, eu não tenho qualquer esperança de ver isso acontecer algum dia.

Helliton Soares Mesquita (@Helliton_Soares_Mesq)

Liberdade de expressão é justamente poder falar tudo o que pensa. Só é errado você falar o que inventa, ou seja não pensa, tipo uma mentira, calunia e tal e mesmo assim você ainda tem o direito a defesa e de provar que falou a verdade. Agora se você não gosta de algo e fala, isso é liberdade de expressão sim.

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