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Peixe Urbano é notificado pelo Procon-SP; site saiu do ar e CEO sumiu

Peixe Urbano acumula reclamações; site saiu do ar em janeiro e clientes não conseguem resgatar vouchers de desconto

Felipe Ventura Por

O Peixe Urbano, site de cupons de desconto, foi notificado pelo Procon-SP na última sexta-feira (7) para saber o telefone e e-mail do responsável pela empresa. As reclamações vêm se acumulando desde janeiro: o serviço saiu do ar, os clientes perderam acesso para resgatar as ofertas, os estabelecimentos parceiros não receberam os repasses e o CEO desapareceu.

Peixe Urbano (Imagem: Divulgação)

Peixe Urbano (Imagem: Divulgação)

Em nota, o Procon-SP diz que seu objetivo é “obter informações sobre o responsável pela empresa de serviços digitais, tais como telefone, endereço comercial e eletrônico, além de proposta para atendimento das queixas registradas por consumidores”. Os clientes reclamam na entidade, mas o Peixe Urbano não responde.

Se não houver resposta em 48 horas, o caso deve ser encaminhado para a equipe de fiscalização, e o Peixe Urbano pode entrar para a lista de lojas online a se evitar.

A questão é que ele já está fora do ar desde 28 de janeiro. Na época, a conta oficial no Twitter insistia que tudo se tratava apenas de uma “intermitência sistêmica”, e que o time de tecnologia estava trabalhando para corrigir o erro. Em 2 de fevereiro, ela parou de responder às reclamações de usuários.

O site nunca voltou ao ar, e o app também parou de funcionar, impedindo que os clientes acessem seus créditos e vouchers de desconto. Há mais de 2.400 queixas não respondidas no Reclame Aqui, que a rotulou a empresa como “não recomendada”.

Peixe Urbano fora do ar (Imagem: Reprodução)

Peixe Urbano fora do ar (Imagem: Reprodução)

O que aconteceu com o Peixe Urbano?

Segundo O Globo, o Peixe Urbano acabou: a empresa tinha pelo menos R$ 50 milhões em dívidas e ficou sem dinheiro até para pagar os servidores que hospedavam o site. Os escritórios em São Paulo e no Rio foram fechados, e a sede em Florianópolis se tornou alvo de ação de despejo.

Em janeiro, o CEO Nicolás Leonicio avisou aos funcionários que não tinha dinheiro para demiti-los pagando a rescisão. A empresa não pediu recuperação judicial porque não conseguiria pagar os advogados nem tinha o que dar em garantia.

De acordo com o jornal A Tarde, os funcionários restantes foram demitidos em março e não receberam os salários atrasados. Pior: o CEO deixou de responder até ao escritório de advocacia Bracks Advogados Associados, que representava a empresa no Ministério Público do Trabalho (MPT).

Os problemas vinham de longa data: o pagamento aos fornecedores e parceiros sofria atrasos desde 2019. A situação piorou em 2020, porque 95% dos cupons davam desconto em cinemas, viagens e restaurantes – todos paralisados por meses devido à pandemia. O Peixe Urbano tem dívida com mais de 12 mil estabelecimentos.

É um final indigno para a empresa, criada em 2009 e famosa por liderar o mercado de compras coletivas no Brasil, seguindo o modelo da americana Groupon. Essa modalidade de descontos acabou se esgotando com o passar dos anos, fazendo o Peixe Urbano migrar para outros tipos de cupons.

A companhia foi vendida em 2014 para a chinesa Baidu, e revendida em 2017 para o fundo latino-americano Mountain Nazca.

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André Gorgen (@Banana_Phone)

A Pandemia só adiantou o fechamento dessa empresa

 • 令和 • Ward'z de Souza 🇯🇵🎌🦊🔥 - Risonho e Límpido (@Wardz_de_souzA)

O que mais me surpreendeu foi saber que o Peixe Urbano ainda existia.

Breno (@bbcbreno)

Tá aí um negócio q n é viável pra todos os envolvidos e até que durou muito tempo.

N faz sentido pra loja aderir pq a loja n tem nenhuma vantagem real com isto. A proposta do Peixe Urbano começou como uma oportunidade para lojistas divulgarem suas lojas, os clientes eram fisgados com os altos descontos envolvidos.

Só que a coisa azeda pq o cliente peixe-urbano era fiel aos cupons de desconto e raramente alguém se fidelizava ao estabelecimento. E pra completar, era comum a reclamação de clientes peixe-urbano sendo mal atendidos ou recebendo porções inferiores do que foi divulgado no site (tornando a fidelização desse cliente ao estabelecimento ainda mais improvável).

Além da loja oferecer seu produto com desconto para dezenas de clientes que não voltarão lá, parte do valor arrecadado fica com o Peixe Urbano, reduzindo ainda mais os lucros da loja.

Claro, em algumas situações o Peixe Urbana pode ser vantajoso pra todos, mas são situações mais raras.

Então é um negócio q claramente não é vantagem pro lojista e não sei como isto durou tantos anos.

imhotep (@imhotep)

Outro dia e eu a esposa até lembramos dele.
Fui olhar e realmente já rolava a treta.
Sem pandemia já estavam caindo aos pedaços.
A pandemia jogou a pá de cal.

Usei bastante os cupons, mas a recepção é exatamente como citou o @bbcbreno
A gente se sentia um lixo, só por estar usando um cupom de desconto.
Mas isso é bem Brasil - a pessoa só vale com dinheiro no bolso. Em vários lugares não voltei mais pelo atendimento. Até poderia pagar o preço cheio, mas o atendimento com o cupom foi tão ruim, q desanimou total.

Breno (@bbcbreno)

Só usei 2x esses serviços. Em um paintball e em um restaurante, nas 2x eu fui muito mal atendido. Aí num fazia sentido eu pagar, mesmo que mais barato, pra ir num local e passar raiva lá. Então era melhor nem ir.

Rodrigo Dias (@rodrigodias)

Com o perdão do trocadilho, é claro.

Sandir Costa (@Sandir.Costa)

Acredito que o início da bola de neve foi quando mudaram o conceito inicial das compras coletivas que era de disponibilizar uma quantidade X de cupons. Quando era assim no começo, frequentemente acontecia de alguns amigos, mesmo não tendo conseguido o cupom, iam junto no estabelecimento, até mesmo pra conhecer… no final os cupons de quem conseguiu ajudavam a fechar a conta mais barata… Assim, depois que passaram a oferecer cupons ilimitados, realmente prejudicava muito a manutenção da qualidade do serviço…

imhotep (@imhotep)

Bem lembrado - no início os cupons eram limitados.
Não me lembro se era peixe urbano, groupon ou outro, mas até desconto em diária de hotel eu consegui nessa época.

Adriano Garcez (@Adriano_Garcez)

Já fui mal atendido pelo dono por causa do cupom também. Certa vez o estabelecimento não quis nem fornecer WiFi para que pudesse acessar o cupom. Pelo menos os garçons não foram orientados a mudar o atendimento e saí satisfeito. Outra vez, em outro lugar, o atendimento foi incrível e voltaria tranquilamente, mas a pizzaria acabou fechando.

Breno (@bbcbreno)

Sim, são vários fatores q levam uma startup à falência, pode ser gestão, grana, concorrência, viabilidade, etc…

Com certeza um dos fatores de ter afundado o Peixe Urbano foi a inviabilidade do negócio. O modelo simplesmente não é sustentável. Ou dão cupons com descontos inflacionados ou a loja não ganha nada com o negócio (inviabilizando a participação dela no modelo). Tanto é q a gente n vê empresas desse ramo mais por aí.

Temos um modelo de negócio similar, mas com um detalhe que muda tudo, o que torna o negócio totalmente viável: kickstarter. A ideia é similar: unir uma multidão para consumir um produto. Mas o detalhe do Kickstarter q é para financiar novas ideias muda tudo e é um tipo de modelo que acho totalmente viável e n vejo sumindo do mapa. E aqui todos ganham:

cliente por conseguir um produto com preço abaixo do mercado empresa por conseguir uma grana para tornar viável o seu novo produto e o KS que tira sua porcentagem sem prejudicar o modelo

Kickstarter tb tem uns 10 anos (mesmo período do groupon +/-), tá aí firme e forte até hoje e temos várias outras empresas com modelo similar, inclusive no Brasil.