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Tecnocast 197 – A fuga das fábricas

Thiago Mobilon Por

No último ano várias multinacionais anunciaram o fechamento de suas fábricas no Brasil. De eletrônicos a carros, a impressão que fica é que o país não vale mais a pena.

Tecnocast 197 – A fuga das fábricas (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Tecnocast 197 – A fuga das fábricas (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Pra entender melhor a situação, batemos um papo Alexandre Chaia, professor de economia do Insper. Dá o play e vem com a gente!

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@ksio89

Faltou o caminhão da Ford na arte da capa.

André Gorgen (@Banana_Phone)

Na leitura de e-mails/comentários o @higa citou a Coreia do Sul, onde o Google Maps não é uma opção viável para usar lá.
Em 2017 eu fui fazer intercâmbio na Austrália e nos primeiros meses sofri com a previsão do tempo, em São Paulo eu usava a previsão do tempo do Google e era bastante precisa, mas na Austrália em alguns dias tinham temporais e a previsão era de sol. Não sei se o Google usa outra API por lá, mas a experiência é bem diferente.

Quando teve a Oktoberfest eu e meus amigos queríamos ir, eu olhei na previsão do tempo e na sexta iria chover muito, porém, no sábado faria sol, então decidimos ir no sábado. A realidade foi que sexta teve sol o dia todo, enquanto no sábado choveu o dia todo, começou a chuva de manhã e só parou no domingo. Perdemos a Oktoberfest.

Certo dia eu estava no Mc Donalds aguardando meu pedido e um australiano do meu lado disse “está vindo uma tempestade enorme” e me mostrou o celular com um aplicativo de tempo aberto, o que o aplicativo mostrava era algo parecido com isso:
800×849 89 KB
Como eu não sabia interpretar aquelas imagens de nuvens coloridas, olhei a previsão do tempo no Google e lá não mostrava que iria chover, mas uma hora depois teve uma tempestade feia.

Depois daquele dia comecei a testar vários aplicativos de previsão do tempo. O que eu recomendo usar lá é o Weather Underground, foi o que melhor funcionou comigo, mas quando voltei ao Brasil, voltei a usar o Google.

Fábio Emilio Costa (@Fabio_Emilio_Costa)

Dois comentários:

Primeiro, sobre a questão do “tamanho do estado”

O estado brasileiro, ao menos as autarquias federais, não é ineficiente: nossa proporção de funcionários públicos está bem abaixo de países como Finlândia, Alemanha e Japão. Além disso, o nosso custo de funcionalismo público concursado (que trabalham para o Estado Brasileiro, não para esse ou aquele governo, que são os comissionados) está abaixo desses países também.

Na autarquia em que eu trabalho, ao entrar estranhei que os prédios tinham macas e desfibriladores dentro da empresa. Foi quando me falaram que estava ocorrendo tantos casos de infarto que o Ministério Público do Trabalho quase embargou os prédios da autarquia. A razão disso, a falta dos concursos públicos para renovar o quadro.

Achei interessante, e incômodo, como para variar em todo o tempo não houve uma responsabilização das empresas, que apenas sugaram os benefícios fiscais e usaram seu peso para sugar o país como um todo, como se as negociações envolvendo todos esses entes fossem simétricas (o que não são e nunca foram). O tempo todo foi batido nessa tecla do governo como inchado, sempre focando nas ideias da trickle-down economics, onde existe o conceito de Se é bom para as empresas, é bom para o país e para as pessoas (spolier: já foi comprovado que não é). O nível de complexidade dessa solução não passa pela redução pura e simples do estado, já que fazendo isso tudo que fazemos é arrancar estruturas de suporte social que não permitem esse crescimento.

Me parece que existe uma coisa de “empurrar a culpa” para o governo, enquanto todos os resultados positivos que surgem são sempre “apesar do goveno”, como se todas as interações entre governos e empresas não fossem envolvendo uma série de interesses e benefícios de todos. Fiquei um pouco decepcionado pois é muito simplista, em uma coisa onde está se sugerindo soluções fáceis, rápidas e erradas.

É curioso que aparece sempre a ideia da excusão de “não faremos políticas”, esquecendo que as relações sociais são políticas per se.

Fernando C (@Dogshow)

o Congresso e Senado poderiam andar de mãos dadas com o Gov. Federal para fazer as reformas necessárias. Estas reformas destravariam “as mãos” do P. Guedes. Da maneira que está, ou seja, todos contra todos, não chegaremos a lugar nenhum. O Gov Federal virou um grande entregador de obras. Então as reformas não chegarão, infelizmente. Uma pena também, que quem sofre mais sempre é o mais vulnerável, os mais pobres.

Leonardo Feelckins (@feelckins)

excelente episódio, continuem sim falando sobre esses assuntos!

André Noia (@Andre_Noia)

Alguns pontos do episódio que gostaria de comentar.

O Alexandre Chaia fala corretamente que a o governo Dilma foi certamente a pior abordagem econômica dos últimos 20 anos. Porém, grande parte dessa fatura se deve aos inúmeros incentivos e renúncias fiscais que a Dilma decidiu adotar como tentativa de tornar a indústria brasileira competitiva. Renúncias e incentivos propostos pela… Fiesp. Ou seja, a indústria propôs algo, o governo fez a sua parte, a indústria não entregou a parte dela e, na sequência, culpa o governo por algo que eles mesmos propuseram.

Não acho que o governo seja exatamente tutelador da indústria, mas a indústria que historicamente gosta de fazer lobby por incentivos. O inovar-auto, do qual a Ford fez parte, dava incentivo à indústria automobilística pra produzir carros mais eficientes, menos poluentes e modernos. O que vimos, apenas como exemplo, foi o parto para obrigar as montadoras a colocarem air-bags em todos os carros, desde os de entrada,e não apenas em modelos mais caros.

A equiparação da Dilma ao Bolsonaro na política educacional não fez o menor sentido. O Bolsonaro sequer consegue organizar um Enem e se ocupa em atacar universidades e toda e qualquer produção científica, quando poderia simplesmente “dar a real” e dizer que não tem grana pra fazer absolutamente nada. Seria mais coerente do que essa imbecilidade de “universidade antro de balbúrdia e maconheiro”. Agora, nivelar os dois, dizendo que cada qual quer apenas educar baseado em suas ideologias, é simplificar demais o debate.

Rodrigo Dias (@rodrigodias)

Olá a todos, como estão as coisas?

No Podcast que fala sobre a fuga de fábricas, vocês comentaram sobre o planejamento de longo prazo

Realmente a gente nunca pensou em fazer um planejamento de longo prazo, seja pelos políticos pensarem na reeleição ou porque ia demorar tempo demais pra dar certo. Gostaria de elencar alguns pontos:

Nossos pais sempre nos diziam pra estudar bastante, fazer faculdade pra garantir um bom emprego no futuro. Eles não estavam errados, já que na época dos nossos pais não era comum ter uma faculdade em cada esquina, nem todo mundo tinha condição de pagar por uma boa educação, o acesso era muito restrito. Aí quem tinha diploma, era garantia de sucesso na vida.

O problema é que hoje, tem milhões de graduados e pós-graduados que não conseguem emprego nas suas áreas e vão, por exemplo, trabalhar como motoristas de aplicativo, pois há pouca oferta pra muita demanda.

A educação que se tinha até então (e vai ficar obsoleto no mundo pós-Covid) era uma educação que consistia em passar de ano e fazer aquelas decorebas, aí depois que sai, nunca mais vai usar na vida. Por exemplo, como vou declarar Imposto de Renda usando o Complexo de Golgi? Ou fazer um planejamento financeiro usando a proparoxítona? (Claro que quem quer trabalhar com Biologia ou Química, precisa de fato estudar essas coisas)

Educação Financeira é uma outra coisa que nunca tivemos na escola. Quando muito, era uma ou duas aulas na vida. E só. E quando aprende, é da pior forma possível.

Outro fato de não se falar sobre a educação financeira é justamente o próprio passado econômico do país. Nossos pais conviveram com uma hiperinflação por anos e quando recebia, tinha que correr pro supermercado pra comprar as coisas porque se não, ia ser um outro preço no dia seguinte. Isso pra não falar do confisco da poupança que fez com que se criasse um trauma coletivo e evitar de se falar sobre investir e outras coisas. Por isso que ainda vemos as pessoas colocarem dinheiro na poupança por falta de conhecimento. Aí cria esse dilema, como ensinar o que não sabe?

E é duro ter que admitir isso, mas esse século já não é mais nosso. Pra esse país ser de fato um país sério, precisaria começar lá na infância a ensinar sobre os assuntos da vida real. E teria que fazer um trabalho intenso pra isso. Seria no mínimo 20 anos.

Aí essa geração sai da escola preparado para o futuro e começa a levar a sério a construção de um país estruturado, politica e financeiramente. Aí são mais uns 30 anos.

E aí pra ver a estrutura do país funcionar de forma plena e pujante, seria mais uns 20 a 30 anos.

Mas vai demorar muito tempo pra isso? Vai demorar. A gente não vai estar mais aqui quando isso de fato acontecer? Não estaremos. A gente nunca pensa no longo prazo, a gente quer saber como “ganhar 100 milhões de reais em 2 dias trabalhando 5 minutos por dia”, porque a gente quer ver as coisas tudo funcionando enquanto estamos aqui nesse mundo. E é triste dizer isso, mas não estaremos mais aqui quando o país “der certo de verdade”.

E só pra fazer algumas analogias:

A Microsoft perdeu o bonde dos smartphones, aí começou a investir “na próxima onda” antes que os outros começassem a ver isso, que foi a nuvem. Hoje lucra mais com nuvem do que com Windows.

Roma não foi construída em um só dia e a China não surgiu de um século pra outro.

Acho que ficou longo demais, mas continuem com esse ótimo trabalho que estão fazendo. Um abraço a todos.

Vinícius (@Lage)

Muito bom escutar um bolsominion arrependido