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Post do Facebook com erro de digitação pode render multa milionária

Chefe processou ex-funcionário que cometeu erro de ortografia e mudou o sentido de uma publicação sobre atraso no pagamento

Pedro Knoth Por

Um erro de digitação em uma postagem do Facebook pode render uma multa milionária a um corretor de imóveis. Por não incluir um apóstrofe em uma única palavra na publicação em que falava mal de seu chefe, Andre Zadravic foi processado por difamação e pode arcar com uma multa de US$ 2 milhões.

Erro de digitação em uma palavra pode render multa de até US$ 2 milhões a corretor que desabafou sobre antigo chefe (Imagem: Timothy Hales Bennett/ Unplash

Ex-funcionário esqueceu apóstrofe e foi processado

Erros de digitação são comuns e, geralmente, inofensivos. Equívocos no teclado fazem parte do dia a dia até de quem digita com mais frequência. Mas, na Austrália, erros de digitação podem custar milhões de dólares.

É o caso do corretor Andre Zadravic, que na noite de 22 de outubro de 2020, decidiu fazer uma publicação desabafando sobre seu antigo chefe em uma agência, Stuart Gain. Aparentemente, Gain estava devendo o fundo de aposentadoria ao corretor.

O problema é que Zadravic escreveu o post com a palavra “employees” ao invés de “employee’s”. Em inglês, o apóstrofe nesse caso serve para diferenciar o singular do plural. Isso significa que ele acabou generalizando a situação: o chefe não pagou a aposentadoria de nenhum de seus funcionários, e não apenas a dele. A publicação estava escrita da seguinte forma:

“Oh Stuart Gan!! Vendendo casas multimilionárias em Pearl Beach, mas não consegue pagar a superanuação de seus funcionários. Que vergonha, Stuart!!! 2 anos e ainda estou esperando!!!”

O corretor se refere ao pagamento de empregados por meio de depósitos em fundos de aposentadoria, prática comum na Austrália.

Doze horas depois de ter publicado a postagem, Zadravic, que é morador da região da Costa Central de New South Wales, deletou-a. Mas foi em vão, já que seu chefe já tinha tomado conhecimento do post, e entrou na Justiça contra seu ex-funcionário por difamação.

Processo pode custar de US$ 180 mil a US$ 2 milhões

Na última quinta-feira (7), a juíza Gibson, de South Wales, determinou que a falta do apóstrofe na palavra “employees” poderia sugerir um “padrão sistemático de conduta” do chefe e da empresa com funcionários, e não algo que aconteceu apenas com aquele corretor específico. Com base neste argumento, ela permitiu que o caso prosseguisse. A juíza afirmou em sua decisão:

“A dificuldade para o réu é usar a palavra ‘employees’ no plural. Ao falhar em pagar o fundo de aposentadoria de um empregado pode ser visto como um azar; falhar em pagar alguns ou todos eles parece algo deliberado.”

Além disso, a magistrada australiana informou que o processo pode custar mais de US$ 180 mil ao corretor.

Mas multas para esse tipo de processo já chegaram na casa dos milhões: em 2019, o ator australiano e vencedor do Oscar Geoffrey Rush obteve vitória na corte contra a emissora Nationwide News. A multa foi de US$ 2 milhões em favor de Rush.

Com informações: New York Times

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