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Oi vê prejuízo crescer em 86,5% apesar de bom desempenho na fibra

Oi divulga resultados financeiros para o 3º trimestre de 2021; tele teve aumento de 87,9% na dívida líquida e reduz faturamento com serviço móvel

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A Oi divulgou seus resultados financeiros para o 3º trimestre de 2021 e teve prejuízo de R$ 4,83 bilhões, queda na receita e aumento da dívida líquida. Mesmo com os números em baixa, a companhia enxerga perspectivas positivas para o futuro devido ao crescimento de contratos da banda larga Oi Fibra e a venda do braço de telefonia móvel.

Loja da Oi
Loja da Oi (Imagem: Divulgação)

As finanças da Oi não são boas: além de reduzir a receita líquida, o prejuízo aumentou significativamente em comparação com o mesmo período de 2020. A companhia continua no processo de recuperação judicial.

A tele justifica que o aumento das dívidas está relacionado com a desvalorização do Real, visto que 53,5% dos débitos estão em moeda estrangeira. Além disso, houve emissão de debêntures (títulos para investidores) da Oi Móvel e InfraCo durante o período.

Em setembro, a Oi demitiu 850 funcionários e fechou 400 vagas de trabalho que estavam em aberto. Na apresentação aos investidores, a companhia afirma que a redução no quadro de colaboradores está “fortalecendo a Nova Oi”.

Oi – Resultados financeiros do 3º trimestre de 2021

Confira abaixo os principais indicadores financeiros da Oi Móvel e o comparativo com o mesmo período do ano anterior:

Indicador3º trimestre de 20212º trimestre de 2020Diferença
Receita líquida totalR$ 4,52 bilhõesR$ 4,7 bilhões-3,9%
Lucro/Prejuízo líquido-R$ 4,83 bilhões-R$ 2,32 bilhões+86,5%
Dívida líquidaR$ 29,89 bilhõesR$ 21,24 bilhões+87,9%
Capex (investimentos)R$ 1,81 bilhãoR$ 2,0 bilhões-9,6%
Unidades Geradoras de Receita (acessos)55,4 milhões52,15 milhões+6,3%

Oi Fibra tem aumento de 81,5% na base de clientes

A Oi investe pesado na expansão de fibra óptica e colheu resultados positivos. A operadora atingiu 2,9 milhões de contratos residenciais de banda larga com a tecnologia FTTH, o que representa um crescimento anual de 81,7%.

O serviço prestado com cabos metálicos ainda é bem relevante e tem 4,17 milhões de clientes, dos quais 2,82 milhões são linhas de telefone fixo e 1,35 milhão ainda possuem banda larga com tecnologia xDSL.

A receita líquida total da Oi com serviços residenciais foi de R$ 1,33 bilhão, alta de 2,4% no comparativo anual. A fibra já responde pela maior parte do faturamento com R$ 751 milhões, enquanto o cobre persiste com R$ 583 milhões – a maior fatia é gerada por linhas de telefone fixo, que representam R$ 393 milhões no balanço da companhia.

De qualquer forma, a fibra vai muito bem, obrigado. A rede da V.tal, companhia neutra que permite a prestação de serviços da Oi Fibra, tem o serviço disponível para contratação em 13,5 milhões de casas (home passed) de 195 municípios brasileiros. A taxa de ocupação de rede (proporção de domicílios aptos para assinatura versus contratos estabelecidos) foi de 23,5%.

Em média, clientes da Oi Fibra gastam R$ 89 por mês. Cerca de 10,5% de todos os acessos residenciais da companhia possuíam planos com velocidade acima de 400 Mb/s, que costumam ser mais caros do que o tradicional pacote de 200 Mb/s por R$ 99,99 mensais no débito automático.

No longo prazo, a Oi espera que a fibra óptica da V.tal atinja 32 milhões de domicílios de 2.300 cidades até 2024, com taxa de ocupação pela Oi Fibra de 25% da rede.

Oi Móvel teve queda na receita mas cresceu em linhas

Você provavelmente já sabe que a Oi Móvel foi vendida para Claro, TIM e Vivo em 2020, e desde o trimestre passado o braço de telefonia celular da companhia foi classificado como “operação descontinuada”. Sendo assim, não há muita justificativa para manter esforços num serviço que não vai trazer receita a longo prazo.

A Oi teve uma queda anual de 5,2% na receita líquida nos serviços de mobilidade pessoal. No entanto, a tele teve aumento de 12% nas linhas móveis e cresceu 32,2% no pós-pago, que possui cobrança recorrente e preço mensal maior que o pré-pago.

Um dos maiores “defeitos” da Oi Móvel é a qualidade da rede. A companhia está presente em 3.611 municípios, mas possui 4G em apenas 1.043 cidades e 3G em 1.670 localidades – as demais regiões são atendidas apenas com 2G, que não permite boa experiência de acesso à internet móvel.