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Jogo de estratégia stealth tático, um estilo perdido

"É uma pena que esse estilo de jogo tenha caído tanto em popularidade."

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Tal como no mundo do cinema e da música, na indústria de videogame também existem certas modinhas. Por exemplo, no cinema estamos presenciando o ressurgimento dos filmes em 3D, um método que fascinou o cinema americano nos anos 1950 e está passando por uma  renascença no momento.

Games passam por modinhas. Há alguns anos todo jogo era obrigado legalmente a conter pelo menos um momento do chamado “quick time event“, um método de cut scene interativa popularizado pela obra prima Shenmue e espalhado feito infecção genital por toda a indústria gamer. De fato, quick time event se tornaram rapidamente a versão gamer do efeito bullet time.

E uma das modas gamer que parece infelizmente ter definhado ao ponto do esquecimento são os jogos de estratégia stealth táticos. Mais ou menos como os point and click adventures, um gênero praticamente inventado pela Lucasgames (na época ainda conhecida como Lucasarts) numa época em que eles não se contentavam em apenas espremer o universo “Star Wars” ao ponto de sobrar só o bagaço.

O estilo de estratégia tática stealth (que vou sintetizar daqui em diante na sigla “ETS”, o que aliás encaixa bem com os já existentes RTS e TBS, seus primos no gênero estratégico), que surgiu no finzinho dos anos 90 como uma variação dos jogos de estratégia em tempo real. Eles inclusive explodiram mais ou menos durante a mesma época, com expoentes como Command and Conquer, Warcraft e Starcraft.

Houve na época uma porção de excelentes ETSs, sendo Commandos provavelmente o carro chefe.

Sabe como games atuais como Modern Warfare 3 ou Skyrim dominam completamente não apenas o diálogo gamer mas todos os rankings de vendas e a adoração da mídia especializada?

Então, em 1998 quando este clássico foi lançado, o efeito foi similar. Era literalmente impossível achar uma lista de melhores games do ano sem encontrar Commandos ocupando o pódio (e caso isso acontecesse, era o sinal de que a lista carecia de credibilidade).

Se você teve a infelicidade de nunca jogar Commandos, primeiro me permita lamentar pela sua vida. Em seguida, eu explico: no game, que se passa durante a Segunda Guerra, você controla um esquadrão de elite (em terrível desvantagem numérica) bem no meio de território ocupados por nazistas. Cada soldado tem uma habilidade específica (um dirige veículos, outro tem um rifle sniper, outro ativa bombas, e por aí vai) e você deve usar cada um deles com precisão cirúrgica pra eliminar todos os soldados alemães.

O jogo introduziu elementos interessantíssimos para o gênero stealth (posso traduzir este estilo pra “estratégia escondidinha”? Ok, eu sei que não posso, mas o farei), como o fato de que você precisa ocultar os presuntos nazistas que você produz a todo momento. Os soldados inimigos tem um campo de visão também, e você precisa também sempre manter-se longe do campo de visão deles. E antes que você reclame revoltado que tais elementos de gameplay foram na verdade inventados pela série Metal Gear Solid, saiba que Commandos foi lançado dois meses antes da franquia épica do Hideo Kojima.

Como todo jogo excelente, Commandos deu origem a alguns copycats. Foi o caso de Desperados, um jogo com gameplay bastante similar lançado alguns anos mais tarde. Nunca joguei Desperados na época áurea do jogo, mas soltei um berro de puro êxtase quando encontrei o CD do jogo no Walmart aqui do bairro por míseros 99 centavos de dólar.

Um segredinho: jamais sequer tirei o disco da caixa.

Como no caso de Commandos, o jogo também foi muito bem recebido pelo público e crítica, e serviu como pontapé de uma série esquecida atualmente. Tal qual no caso do Commandos, eu suspeito que o fato de que o jogo nunca foi a lugar nenhum apesar de ser excelente deve-se à empresa obscura que o desenvolveu. No caso de Commandos, foi a softhouse espanhola Pyro Studios; já Desperados foi feito pela alemã Spellbound Entertainment.

Não tenho o hábito de fazer apostas, mas caso dez reais no chão e declaro confiantemente que você não é capaz de (sem consultar a wikipédia) me dizer outros games que essas empresas fizeram.

Outro exemplar do gênero de estratégia escondidinha (ok, eu paro) é o excelentíssimo Syndicate Wars, que é um dos jogos que essencialmente moldou meu caráter: eu peguei emprestado o CD do game do meu primo e jamais o devolvi; de fato tenho até hoje (veja você, que índole). Acho que na próxima vez que for a Fortaleza devolverei o disco ao meu primo num ato simbólico.

 

Você talvez reconheça Syndicate Wars, ao menos que apenas por nome (ou, mais especificamente, metade dele). Isso acontece porque, ao contrário dos outros injustiçados que citei aqui, a série Syndicate teve um novo jogo lançado recentemente. Não coincidentemente, os jogos originais da franquia foram lançados por um estúdio de renome (Bullfrog, que criou grandes outros clássicos dos 90), e produzidos diretamente por Peter Molyneux, um desenvolvedor tão icônico quando polarizador: alguns amam, alguns adorariam vê-lo ser atingido por um caminhão de lixo em alta velocidade). Não tenho dúvidas que foi esse pedigree da série Syndicate que a impediu de ter destino similar aos companheiros de gênero.

Syndicate Wars trazia um gameplay bastante semelhante aos que citei acima, com o adicional de uma engine 3D (o que era impressionante). Embora fosse um pouco menos robusto na parte “stealth”, eram o cenário e a história que realmente vendiam o universo do jogo. O ambiente em Syndicate Wars era o cenário cyberpunk distópico tradicional em que coorporações dominam o mundo (e aliás o game segue a cartilha “Blade Runner” tão à risca que alguns veículos do jogo parecem se basear diretamente nos spinners, os carros voadores do clássico de ficção científica).

É uma pena que esse estilo de jogo tenha caído tanto em popularidade. Eu adoraria uma nova versão de Commandos (como já citei nesta outra coluna), ou uma versão “de-volta-às-raízes” de Syndicate Wars. Já no caso de Desperados, me parece um pouco hipócrita clamar por um remake ou continuação quando eu nunca sequer dei uma chance ao jogo original.

Qual o seu jogo de estratégia tática favorito?

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Vinicius Ferreira

Meu preferido é commandos pena que abandonaram a franquia

Vinicius Ferreira
Meu preferido é commandos pena que abandonaram a franquia
Ed Ferner

Você teve a INFELICIDADE de não ter jogado: DESPERADOS WANTED DEAD OR ALIVE. Este ainda é o melhor jogo que já joguei na minha vida até hoje. Antes que pergunte, terminei TODOS os jogos da série Commandos. Mas o velho e bom Desperados... não tem igual. Já o terminei 3 vezes e pretendo jogar a 4a. Se dê uma chance e não se arrependerá.

Diego Sergio

Quando você lê um escritor frescando a chance de ser cearense é grande.

NightSpy

Cheguei a jogar Commandos, na época curti muito os gráficos, o modo de jogo.. porem, achava muito difícil. Confesso que não passava das primeiras fases.

Pablo Detanico
nao joguei commandos com certeza vou procurar. eu gostaria de um remake de desperados estou jogando e é excelente recomendo
Paulo Ricardo Teres
Não podemos esquecer do RED Alert, no qual perdi dias jogando sem cessar.
felippelopes
tenho instalado aqui commandos behind enemy lines, e commandos beyond the call of duty (continuacao ou expansao do 1), foram os 2 primeiros e os 2 melhores. desperados ja joquei eh tipo um faroeste do commandos.
@dicmc
Muito bom relembrar desse estilo de jogo, ainda mais do Commandos. Eu realmente gostava demais do jogo, mas fiquei meio frustrado quando fui jogar o game na casa de um amigo. Não conseguia fazer as jogadas de antes. Mas porque? Simplesmente pq eu jogava no meu pc mais antigo então o jogo ficava lento e eu era SUPER bom. Quando fui jogar o jogo na velocidade real, eu desisti. Triste isso. Seria bom um remake desse jogo no formato original. Abs.
@dpicucci
Caraca, Commandos foi um clássico da minha infância! Ano passado tentei encontrar um download para jogar novamente, mas foi dificil... Se alguem tiver um link funcionando agradeço!
@LBKatan
Pow, fique muito feliz quando conheci Desperados. Mas um amigo fdp fez o favor de ferrar a mídia! Acho que vou baixar, já que não tenho HD suficiente para outras brincadeiras. E outra, aquela ideia do caminhão de lixo me lembrou muito a época que jogava RPG direto. Ele era quase a "mão de Deus" passando perto de você ou, se estivesse rolando um antijogo, te mandando pro limbo. Boas lembranças.
Jean Franco
Caro Izzy, como gamer brasileiro de velha guarda vc deve se lembrar da revista PC GAMER, onde vinha aquele cd com 18 DEMOS EXCLUSIVOS! Hehe Pois bem, na unica revista dessa que eu tinha havia o demo de Commandos que simplesmente era fascinado... Até hoje digo algumas frases clássicas como "Consider it done". Alias, saindo um pouco do assunto, nessa mesma revista tinha um demo de um jogo ÓTIMO de uma Softhouse brasileira, aos moldes de Starcraft o jogo te levava em uma guerra de mundos, se bem lembro, e era hilário! Os pilotos de uma certa nave pilotavam até bêbados! Quando vc clicava na nave ele falava "Exxsstou meio alto..."
@andreycout
"saiba que Commandos foi lançado dois meses antes da franquia épica do Hideo Kojima." Estava me referindo a essa passagem. Não sei que jogo é esse da franquia épica de Hideo Kojima que saiu dois meses depois de Commandos. Até mesmo o port para o NES de Metal Gear 1 (versão bastarda) saiu alguns dias antes do primeiro Commandos) Esconder corpos, não tinha mesmo, porque os MSX2 não tinha capacidade de deixar tantos elementos gráficos a mostra ao mesmo tempo. Mas evitar a linha de visão dos inimigos, preparar armadilhas (minas terrestres, explosivos plásticos), estar sempre em desvantagem numérica, utilizar o cenário ao seu favor... tudo isso foi explorado no primeiro jogo da série. Os demais só vieram a acrescentar.
Quick
Esconder corpos não, mas vc tinha que evitar a linha de visão dos inimigos.
Vinícius E.
Poxa, ninguém mencionou UFO: Enemy Unknown (também conhecido como X-Com: UFO Defense)? Simplesmente eleito pela IGN o MELHOR jogo de todos os tempos.
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