Já é hora da Microsoft parar de dar jogos na Gold (ou encerrar a Live Gold de vez)

Serviço da Microsoft já não é mais o carro-chefe do Xbox faz tempo; jogos oferecidos machucam a marca e não ajudam a trazer novos assinantes

Ricardo Syozi
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• Atualizado há 1 ano
Phil Spencer poderia acabar com o Games with Gold (Imagem: Vítor Pádua / Tecnoblog)

Quando foi lançado em novembro de 2002, o sistema de assinatura para jogatina online do Xbox foi precursor de uma rede pomposa nos consoles. É verdade que o Dreamcast da Sega já trazia a opção de multiplayer pela internet, mas foi a Microsoft que focou no serviço, cobrando uma mensalidade para garantir servidores competentes e melhores recursos.

A partir de 2013, jogos passaram a ser oferecidos para os assinantes como um extra. Assim, nasceu a nomenclatura “Games With Gold” usada até hoje. O primeiro título foi Defensive Grid: The Awakening, dando o pontapé inicial para diversas outras produções que chegariam para os membros no decorrer dos anos.

Durante sua trajetória, franquias como Assassin’s Creed, Halo, Dark Souls, entre outras, fizeram a alegria dos usuários. No entanto, já faz bastante tempo que apenas títulos inexpressivos chegam ao serviço. O que me fez questionar se já não está na hora da empresa de Redmond descer o machado nesses jogos mensais.

Games gratuitos não são mais chamariz

A necessidade de manter a assinatura da Xbox Live Gold para ter o que jogar já não é mais uma vantagem há muito tempo. Hoje em dia, ela custa R$ 34,99 e oferece a possibilidade de curtir partidas multiplayer online, além dos tais games “gratuitos”, que não são realmente de graça, já que se você cancelar o serviço, perde automaticamente o acesso aos títulos.

Além disso, desde abril de 2021, não é mais preciso ser assinante para usufruir de disputas online nos chamados free-to-play, como Fortnite e Rocket League. Até mesmo a função do chat por voz não é mais atrelada ao serviço. É claro que há descontos específicos para quem é membro, mas há muitas opções melhores na loja digital do console.

Também vale lembrar que desde outubro de 2022, a Microsoft parou de trazer produções de Xbox 360 nesses extras. Ou seja, a mensalidade é direcionada para a jogatina online em nomes como Fifa e Street Fighter, além dos dois mimos para adicionar à biblioteca, mas que provavelmente ficarão esquecidos por lá.

Porém, posso dizer sem muito exagero que os últimos grandes games AAA do serviço foram entregues em fevereiro de 2021, com Gears 5 e Resident Evil (o remake do primeiro). A partir daí, muita coisa chegou, mas sem muito prestígio ou holofote.

Isso não quer dizer que essas obras são ruins ou que ninguém se diverte com elas, mas elas não têm o calibre para convencer alguém a se tornar um membro da Live Gold.

Gears 5 (Imagem: Divulgação/The Coalition/Xbox Game Studios)
Gears 5 (Imagem: Divulgação/The Coalition/Xbox Game Studios)

Xbox Game Pass é a regra da casa

A Microsoft já não promove a Live Gold como um produto importante. O foco da companhia há muito tempo é o Xbox Game Pass, que entrega um impressionante catálogo com novas produções chegando com grande frequência.

Por exemplo: toda a série Gears of War está disponível para download, com novos jogos chegando no dia do lançamento. Há uma enormidade de obras de estúdios independentes dando às caras na seleção, além de títulos mais retrôs de Xbox clássico e 360.

E tudo isso custando R$ 29,99 por mês em sua versão básica. Caso o indivíduo queira fazer o upgrade para o Ultimate, que inclui o conteúdo da Live Gold como a jogatina online, os descontos extras e os games “grátis”, o preço passa a ser R$ 44,99.

Dessa forma, que diferença faz para uma pessoa assinar o Ultimate e receber Gears 5 na Live Gold, se ele está presente eternamente no Game Pass? Digo isso, pois trata-se de uma obra first party, claro.

No fim das contas, para não ficar entregando o “mais do mesmo”, a empresa de Redmond se viu obrigada a oferecer jogos menos expressivos. Porém, isso acaba sendo um tiro no próprio pé.

game pass
Xbox Game Pass (Imagem: Divulgação / Microsoft)

A concorrência agradece

É verdade que por serem “gratuitos”, esses títulos acabam entrando na biblioteca dos usuários. Já que aquela velha história de “se é de graça, aceito até injeção na testa” também é válida nos videogames.

Contudo, sinto que a mudança de importância dos jogos da leva de Games with Gold foi prejudicialmente afetada perante os jogadores.

Anos atrás, o anúncio das adições do mês era altamente esperado pelos fãs, com discussões nas redes sociais sobre qual opção da vez era a melhor. Hoje em dia, a empolgação surge no que estará chegando ao Game Pass, com o vídeo da Live Gold sendo resumido a memes ou desgostos frequentes. É só ver os comentários do tuíte mais recente sobre as adições do mês de fevereiro:

Ademais, a PlayStation Plus, concorrente direta da plataforma da Microsoft, continua oferecendo produções interessantes para seus assinantes. Só em 2022, tivemos nomes como God of War, Yakuza: Like a Dragon, Nioh 2 e Mass Effect Legendary Edition. E isso no nível “Essential”, o mais barato do serviço, que custa mensalmente R$ 34,90.

O que quero dizer é que oferecer jogos de menor nome acaba sendo prejudicial para a marca e para sua base de usuários. Isso porque o jogador poderá se questionar se realmente vale a pena pagar o valor pedido para receber dois extras que ele possivelmente não vai jogar, além de poder curtir algumas partidas de Fifa online.

Por causa disso, a pessoa acabaria se direcionando para o Game Pass Ultimate, que é realmente o principal serviço da Microsoft. Isto é, a relevância dos Games with Gold acabou se transformando apenas em um motivo para a pessoa assinar a plataforma mais cara no Xbox. Algo longe de seus tempos áureos.

Sim, é hora de abandonar o barco

A meu ver, há três opções interessantes aqui.

Primeiramente, a companhia liderada por Phil Spencer podia simplesmente voltar a oferecer jogos expressivos, mas que não fazem parte do Game Pass. Entretanto, isso seria mais custoso e poderia dividir a base de assinantes.

A segunda alternativa seria o doloroso encerramento do Games with Gold. Só que não dá para simplesmente descer o machado. Algo diferente teria que ser ofertado no lugar, como um preço menor na mensalidade do Ultimate (algo pouco provável) ou mimos como assinaturas de plataformas de streaming, por exemplo.

Por fim, a minha favorita seria a de oferecer novos níveis (ou tiers, se preferir) do Game Pass. O primeiro teria uma seleção menor de jogos e a jogatina online. O outro seria o Ultimate que conhecemos, com produções no lançamento, EA Play, etc. Os preços seriam similares ao que temos hoje em dia e seria menos confuso para os desavisados. Dessa maneira, a Gold morreria para dar o lugar para uma opção mais interessante.

Seja como for, a imagem de que a “Gold entrega jogos fracos” já está gravada na cabeça de muitas pessoas por aí. A Microsoft precisa se mexer.

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Ricardo Syozi

Ricardo Syozi

Ex-autor

Ricardo Syozi é jornalista apaixonado por tecnologia e especializado em games atuais e retrôs. Já escreveu para veículos como Nintendo World, WarpZone, MSN Jogos, Editora Europa e VGDB. No Tecnoblog, autor entre 2021 e 2023. Possui ampla experiência na cobertura de eventos, entrevistas, análises e produção de conteúdos no geral.

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