Governo quer antecipar faixa de 700 MHz para o 4G

Alguns canais de televisão podem ser desligados

Lucas Braga
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O 4G mal chegou ao Brasil e novamente teremos uma licitação para a tecnologia. O governo está disposto a brigar com o setor de televisão para liberar a faixa de 700 MHz  – atualmente utilizada pela TV analógica. A ideia era que todo esse processo burocrático começasse apenas no segundo semestre desse ano. Entretanto, o governo está disposto a acelerar a implantação do 4G no Brasil e resolveu antecipar as licitações. De acordo com a Folha, a decisão sobre a licitação deverá ser informada em reunião na Anatel ainda hoje.

Para que a faixa de 700 MHz seja liberada, alguns canais de TV aberta analógica deverão ser realocados em outra frequência e número. A faixa necessária para o 4G compreende os canais 51 a 69, sendo que os canais de 60 a 69 são reservados para emissoras públicas, direta ou indiretamente ligadas ao governo.

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A vantagem de tudo isso é que a frequência de 700 MHz é atualmente utilizada no padrão de 4G americano. Se essa faixa for liberada e as operadoras implantarem o 4G através dela, é possível que seu iPhone 5 ou iPad de terceira ou quarta geração funcione nas redes de altíssima velocidade. Não apenas os dispositivos da Apple, outros tantos smartphones e tablets poderiam chegar ao Brasil sem uma versão específica, algo que facilitaria o suporte e a gama de aparelhos disponíveis no Brasil.

Outra vantagem é que a penetração da frequência de 700 MHz é muito maior em relação aos 2,5 GHz atualmente reservados para o LTE. Frequências mais baixas conseguem maior alcance em ambientes fechados, de forma que as operadoras precisariam utilizar menos antenas para cobrir grandes áreas. Em contrapartida, redes baixa frequência suportam um menor número de usuários na rede, de forma que frequências mais altas sejam indicadas para locais com alta concentração de pessoas, como em grandes cidades.

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Apesar de tudo isso, ainda não tem data para que as redes em LTE de 700 MHz sejam oficialmente lançadas. Um problema maior é o investimento necessário: a licitação é estimada em R$ 40 bilhões. As operadoras acabaram de pagar muito para a frequência de 2,5 GHz, e um investimento tão alto com um curto período de tempo pode não ser uma boqa ideia.

Ainda assim, considerando todo o processo burocrático de novas tecnologias, não acredito que essas novas redes cheguem ao Brasil antes da Copa de 2014.

Lucas Braga

Repórter especializado em telecom

Lucas Braga é analista de sistemas que flerta seriamente com o jornalismo de tecnologia. Com mais de 10 anos de experiência na cobertura de telecomunicações, lida com assuntos que envolvem as principais operadoras do Brasil e entidades regulatórias. Seu gosto por viagens o tornou especialista em acumular milhas aéreas.

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