Smartphone é campeão de queixas sobre Black Friday no Reclame Aqui

Enquanto o smartphone domina o quadro de reclamações do ReclameAqui, presidente do site afirma que consumidores estão "sem dinheiro" para esta Black Friday

Pedro Knoth
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A Black Friday já movimenta milhões de reais todos os anos na economia de bens e serviços. Mas a data, que é sinônimo de promoções e ofertas imperdíveis, também faz com que reclamações sobre empresas e produtos disparem. Segundo o monitoramento feito pelo site especializado Reclame Aqui (RA), o volume de queixas desta edição supera em 17% a data de 2020. No momento, o smartphone é o item campeão de insatisfação.

Pessoa com smartphone na mão
Pessoa com smartphone na mão (Imagem: Unsplash/Jonas Leupe)

Reclame Aqui tem 5,6 mil queixas sobre Black Friday

O monitoramento feito pelo Reclame Aqui começou ao meio-dia de quarta-feira (24) e terminou na manhã desta sexta-feira. Até agora, consumidores já fizeram 5.678 reclamações relacionadas à Black Friday 2021. Segundo o Reclame Aqui, são registradas 138 queixas por hora no site da empresa sobre as promoções desta hoje.

Consumidores registraram maior número de queixas sobre:

  1. Atraso na entrega — 20,88% das reclamações
  2. Propaganda enganosa — 16,59% das reclamações
  3. Estorno do valor pago — 8,82% das reclamações
  4. Produto errado — 6,15% das reclamações
  5. Problemas na finalização da compra — 5,99% das reclamações

No ranking de produtos com maior número de reclamações, o smartphone é o campeão, com 8,08% das queixas registradas. Em seguida, estão as queixas sobre serviços de entrega (5,48%), tênis (4,14%), cartão de crédito (3,34%) e livros (2,84%).

Quanto às empresas que estão participando desta Black Friday, o ranking de reclamações projeta o marketplace da Americanas como líder, com 272 queixas. O Reclame Aqui ressalta que há duas novas participantes na lista: Amazon e Etna Home Store, que estão em segundo (262) e sexto lugar (121), respectivamente.

Ontem, a Amazon passou justamente por um problema técnico em seu carrinho de compras. Segundo a Folha de S.Paulo, usuários nas redes se queixaram de que, ao tentar aproveitar produtos com desconto e finalizar a aquisição, o preço voltava ao normal.

“Consumidores estão sem dinheiro” diz CEO do RA

Reclamações sobre livros e milhas aparecem pela primeira vez no ranking do Reclame Aqui para a Black Friday. As queixas acerca de programas de pontos indicam que o consumidor já está pensando em economizar para aproveitar as primeiras férias sem as restrições de mobilidade impostas nas fases mais graves da pandemia de COVID-19.

O Reclame Aqui aponta que o surgimento de produtos de uso diário para higiene e limpeza, como shampoo, sabonete e itens de hipermercado, na Black Friday indica que o consumidor está mais preocupado em diminuir despesas recorrentes, como as compras do mês. Isso é mais importante do que gastar em bens semiduráveis, avalia o site especializado.

“Estamos vivendo a Black Friday da mercearia, o que deixa claro o momento inflacionário e difícil para as empresas e ainda mais para o consumidor”, comenta Edu Neves, CEO do Reclame Aqui. Ele acrescenta que a busca por esse tipo de item reforça que esses são os únicos produtos que restaram com “descontos reais”, mostrando o efeito da inflação no bolso do brasileiro. “De um lado estão as empresas sem conseguir fazer promoções, e do outro, os consumidores sem dinheiro”, acrescenta o executivo.

Um bom jeito de poupar com segurança é aproveitando as ofertas do Achados do TB: o serviço do Tecnoblog que seleciona as melhores (e mais seguras) promoções na Black Friday. Além de mapear os descontos e enviá-los aos leitores pelo WhatsApp e Telegram, o Achados do TB confere o item e a redução de preço.

Achados do TB: curadoria real de ofertas, sem rabo preso (Imagem: Guilherme Reis/Tecnoblog)
Achados do TB: curadoria real de ofertas, sem rabo preso (Imagem: Guilherme Reis/Tecnoblog)

Entrega rápida favorece itens menores na Black Friday

Os dez itens com maior número de reclamações registradas no Reclame Aqui são de menor volume e peso em relação aos produtos campeões de queixas de outras edições da Black Friday.

Na visão do site, isso não apenas significa que o consumidor está com poder de compra reduzido, mas que as varejistas fazem a entrega rápida desses itens de menor peso, o que os torna mais atraentes. São produtos que podem ser entregues no mesmo dia de moto, ou até em 15 minutos pensando em compras de hipermercado.

Neves aponta que as empresas não divulgaram a variação de preço nos produtos durante a Black Friday deste ano, o que acaba dificultando a comparação de preços pelo consumidor. O executivo conclui:

“A vida está mais dura para o consumidor na Black Friday este ano, já que as empresas não têm divulgado a variação de preço nos produtos, sobrou para o consumidor ter que ir atrás desse histórico de preço para poder avaliar se ele está vendo uma promoção de verdade.”

Por fim, o Reclame Aqui afirma que consultas de consumidores para avaliar a reputação de uma marca durante a Black Friday cresceram 15% em 2021 em relação ao ano passado.