Uber vê recuperação em corridas, mas fecha ano com prejuízo de US$ 496 milhões

Mesmo com grande crescimento do serviço de mobilidade, Uber Eats segue sendo mais lucrativo; serviço de delivery deixará Brasil em março

Bruno Ignacio
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A Uber divulgou nesta quarta-feira (9) seus resultados financeiros do quarto trimestre de 2021 e surpreendeu o mercado. O destaque ficou com a recuperação de seu serviço de mobilidade, que cresceu 67% ao longo do ano passado. No entanto, a companhia fechou o ano com prejuízo de US$ 496 milhões.

Aplicativo da Uber (Imagem: Priscilla Du Preez/Unsplash)
Aplicativo da Uber (Imagem: Priscilla Du Preez/Unsplash)

Logo após a divulgação dos resultados, as ações da empresa subiram cerca de 6%. A Uber destacou em comunicado que está começando a se recuperar das dificuldades causadas ​​pelo surto da variante ômicron do coronavírus. A receita da companhia também ultrapassou as expectativas de analistas: US$ 5,78 bilhões contra US$ 5,34 bilhões previstos para o período.

O lucro líquido foi de US$ 892 milhões no trimestre, mas inclui um benefício líquido de US$ 1,4 bilhão, antes de impostos, relacionado a seus investimentos de capital. No terceiro trimestre de 2021, a Uber havia apresentado um prejuízo de US$ 2,4 bilhões.

No cenário anual, a empresa registrou um prejuízo de US$ 496 milhões em 2021. Mesmo assim, esse resultado é extremamente positivo, representando uma melhora de 93% em comparação aos US$ 6,7 bilhões negativos de 2020.

Nesse último trimestre do ano passado, suas atividades primárias registraram bons resultados em reservas brutas em relação ao mesmo período do ano anterior. O destaque fica para a grande recuperação do serviço de transporte do app Uber. Mesmo assim, o Uber Eats ainda se mostra mais lucrativo.

  • Mobilidade (Uber): US$ 11,3 bilhões, um aumento de 67%
  • Delivery (Uber Eats): US$ 13,4 bilhões, um aumento de 34%

Uber segue sendo não lucrativa, apesar de crescimento

Escritório da Uber (Imagem: divulgação/Uber)
Escritório da Uber (Imagem: divulgação/Uber)

Embora as notícias acima sejam muito positivas de maneira geral, por métricas mais tradicionais, a Uber permanece sendo uma empresa não lucrativa. Por exemplo, no quarto trimestre de 2021, a receita operacional da empresa foi de US$ 550 milhões negativos. Porém, US$ 1,47 bilhão em outras rendas preencheram esse déficit e deixaram a companhia no verde.

Essas outras rendas, segundo a empresa, são referentes a “ganhos não realizados agregados relacionados à reavaliação dos investimentos em ações da Uber Grab e Aurora, parcialmente compensados ​​por uma perda não realizada relacionada à reavaliação do investimento em ações da Uber na Didi”.

Em comunicado, o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, disse que a variante ômicron do coronavírus pesou em seus negócios, mas os números estão começando a se recuperar.

“Desde que a variante ômicron começou a impactar nossos negócios no final de dezembro, nosso setor de mobilidade já está começando a se recuperar, com reservas brutas subindo 25% mês a mês na semana mais recente.”

Para o primeiro trimestre de 2022, a Uber está projetando reservas brutas entre US$ 25 bilhões e US$ 26 bilhões.

Uber Eats vai deixar o Brasil

Uber Eats (Imagem: Robert Anasch/Unsplash)
Uber Eats (Imagem: Robert Anasch/Unsplash)

Vale lembrar que o serviço mais lucrativo da Uber vai deixar o Brasil no mês que vem. A empresa anunciou no início de janeiro que vai fechar seu delivery Uber Eats, provavelmente pela forte concorrência com o iFood, que ainda predomina por aqui. O serviço ficará disponível somente até o dia 7 de março de 2022, mas explicou que seguirá realizando delivery com o Cornershop by Uber, Uber Flash e Uber Direct.

Com informações: Uber, Techcrunch

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