YouTube deixa de monetizar canal do Monark e usuários do Twitter reagem

Monark perde acesso a ferramentas de monetização e se diz vítima de “perseguição política” do YouTube após defender que partido nazista tem direito de existir

Giovanni Santa Rosa
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O caso do podcaster Monark — que defendeu que um partido nazista deveria ter o direito de existir — continua repercutindo. O Youtube suspendeu a monetização de seu canal e proibiu que ele crie ou use outros para driblar a decisão. No Twitter, usuários se dividiram entre defender a liberdade da plataforma e criticar o cerceamento da liberdade de expressão.

Podcaster Monark
Podcaster Monark (Imagem: Reprodução/Flow Podcast)

Na manhã desta sexta-feira (18), Monark postou em seu Twitter uma captura de tela de seu celular. Ela mostra um e-mail enviado pelo YouTube. Na mensagem, a plataforma diz estar preocupada com “as recentes declarações relacionadas ao nazismo” em um dos canais do criador de conteúdo. Isso, segundo a companhia, viola regras de responsabilidades e também de monetização.

Por esses motivos, o YouTube suspendeu a monetização do canal “Monark”, criado após ter sido desligado do Flow Podcast. “A partir do momento em que esta medida for aplicada, você não terá mais acesso às ferramentas e funcionalidades de monetização”, diz o e-mail.

A medida vai além e também impede que Monark crie um novo canal ou se utilize de um canal de terceiros para burlar as restrições. Caso tente, ele estará violando os Termos de Uso e pode ter seu canal permanentemente removido.

Na prática, isso significa que Monark não pode mais ganhar dinheiro diretamente por meio dos anúncios do YouTube. Mesmo assim, ele ainda pode usar seus vídeos para pedir apoio financeiro de outras formas, como o Patreon, por exemplo.

Em um vídeo publicado também na manhã desta sexta, o podcaster chama de “retaliações” as medidas do YouTube. “Parece que pessoas muito poderosas querem me destruir completamente”, ele afirma. Ele pede ajuda dos seguidores para recuperar a monetização de seu canal.

Monark defendeu direito a partido nazista

No episódio do dia 7 de fevereiro do Flow, Monark opinou que um partido nazista deveria poder existir e ser reconhecido por lei no Brasil. O programa contava com a participação dos deputados federais Tabata Amaral (PSB) e Kim Kataguiri (DEM).

Entidades judaicas como a Confederação Israelita do Brasil e a Federação Israelita de São Paulo repudiaram os comentários. Patrocinadores do Flow deixaram o programa.

Monark fez um vídeo pedindo desculpas. Ele diz que considera o nazismo abominável e que defende a liberdade de expressão para “saber quem é idiota”. O podcaster foi demitido do Flow e deixou de fazer parte da sociedade da empresa.

O podcaster costumava dizer que o Flow era apenas uma conversa informal, ideia que chegou a ser criticada dentro do próprio programa por convidados, que alegaram ser necessário ter responsabilidade devido à grande audiência que alcançava.

Em 2021, Monark também foi criticado após questionar se seria crime ter uma “opinião racista”.

Livre mercado ou ataque à liberdade de expressão?

No Twitter, os comentários se dividem. Há quem diga que a postura do YouTube não vai além do livre mercado que Monark defende. Afinal, é uma empresa privada, e como tal, faz negócios da maneira que bem entender e com quem bem entender, sem que isso prejudique a liberdade de expressão.

Outros usuários, porém, têm a opinião de que o YouTube pertence a uma empresa trilionária e que ela não deveria regular até onde vai a liberdade de expressão. Além disso, ao tomar medidas desse tipo, a plataforma se colocaria como editora de conteúdo, o que a tornaria responsável por tudo que está no site.

Essa é uma discussão que esteve bastante em voga nos últimos anos nos EUA. Por lá, plataformas de internet são protegidas pela Seção 230, que as exime de responsabilidade sobre os conteúdos publicados. Tanto republicanos quanto democratas têm suas críticas ao texto.

Seja como for, alguns espectadores de Monark sugeriram que ele busque concorrentes, como a Twitch e o Facebook Watch. Afinal de contas, quando se depende de uma plataforma, não adianta só produzir vídeos.

Com informações: G1, Folha de S.Paulo, UOL.

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