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Google enfrenta novo processo por coletar dados em navegação anônima

Mesmo em guias anônimas, Google coleta dados de localização dos usuários sem eles saberem, afirma procurador-geral do Texas em nova ação contra a Alphabet

Bruno Ignacio
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Sem o usuário saber, o mecanismo busca do Google coleta seus dados mesmo quando se usa o modo de navegação anônima no Chrome. As ausações vieram do procurador-geral do estado do Texas, Ken Paxton. Na última quinta-feira (19), ele entrou com uma ação contra a Alphabet, controladora do Google, afirmando que se trata de uma prática enganosa de rastreamento de localização e que fere a privacidade das pessoas.

Guia Anonima no Google Chrome
Guia anônima no Google Chrome (Imagem: Reprodução)

Outros processos separados também foram movidos contra a companhia nos estados de Washington, Columbia e Indiana em janeiro de 2022. As acusações protocoladas nos tribunais estaduais americanos caracterizam as práticas do Google como “enganosas”. Agora, Paxton acrescentou o modo de navegação anônima à ação aberta no início do ano.

Google teria “enganado” usuários sobre coleta de dados

Segundo o procurador-geral do Texas, a função anônima do Chrome implica que o Google não rastreará o histórico de pesquisa ou a atividade de localização do usuário. No entanto, a coleta de dados realizada pela empresa é totalmente desconhecida pelas pessoas que usam a ferramenta de busca.

O texto do processo afirma que a opção de “navegação anônima” pode incluir a “visualização de sites altamente pessoais, que podem indicar, por exemplo, seu histórico médico, persuasão política ou orientação sexual”. Paxton acrescenta ainda que o usuário possa simplesmente querer “comprar um presente surpresa sem que o destinatário seja avisado por uma enxurrada de anúncios direcionados.”

Porém, o procurador-geral diz que, na realidade, o Google “coleta enganosamente uma série de dados pessoais”, mesmo quando o usuário aciona o modo de navegação anônima. A empresa se defendeu ontem, afirmando que o processo é “baseado em declarações imprecisas e afirmações desatualizadas” sobre as configurações de busca.

“Sempre incluímos recursos de privacidade em nossos produtos e fornecemos controles robustos para dados de localização… Discutimos fortemente essas alegações e nos defenderemos vigorosamente para esclarecer as coisas.”

Defesa do Google em declaração contra as acusações

Paxton discorda. Anteriormente, ele também disse que o Google engana os consumidores ao continuar rastreando sua localização, mesmo quando se tenta impedir isso através das configurações de busca e do navegador.

Busca do Google
Busca do Google (Imagem: Reprodução)

O Google informa os usuários que, ao desativar a opção “Histórico de localização” nas configurações de seus serviços, a empresa não iria mais armazenar os lugares visitados.

Acusações começaram em 2021

O caso envolvendo a coleta de dados na navegação anônima começou ainda em junho de 2021. Na época, a empresa foi acusada por três pessoas que alegaram que o Google Chrome coletava dados de usuários mesmo usando o modo incógnito. Tudo isso resultou em um processo que pede que a Alphabet pague ao menos US$ 5 bilhões.

Em janeiro, um juiz do Arizona disse que a acusação contra o Google é embasada por informações “pouco claras” sobre as configurações de rastreamento de localização em smartphones. Ele decidiu então que o caso deveria ser avaliado por um júri e se recusou a arquivar a ação movida pelo procurador-geral do Texas.

O processo contra o Google ainda deve ir longe.

Com informações: Reuters

Bruno Ignacio

Bruno Ignacio é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Cobre tecnologia desde 2018 e se especializou na cobertura de criptomoedas e blockchain, após fazer um curso no MIT sobre o assunto. Passou pelo jornal japonês The Asahi Shimbun, onde cobriu política, economia e grandes eventos na América Latina. Já escreveu para o Portal do Bitcoin e nas horas vagas está maratonando Star Wars ou jogando Genshin Impact.

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