Elon Musk exige trabalho presencial na Tesla, mas falta espaço para todo mundo

Diretor executivo mandou ultimato para funcionários voltarem ao regime presencial em maio passado; agora, três meses depois, reportagem revela bastidores da empresa

Yan Avelino
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Em 31 de maio, Elon Musk enviou um e-mail para seus funcionários com um ultimato: ou voltavam ao trabalho presencial por, no mínimo, 40 horas semanais ou eles deveriam deixar a Tesla. Agora, três meses depois, uma reportagem da CNBC revelou que ainda não há espaço para comportá-los e que a empresa estaria demitindo sem aviso prévio os colaboradores que se opunham ao novo formato.

Elon Musk, CEO da Tesla (Imagem: Oberhaus/Flickr)
Elon Musk, CEO da Tesla (Imagem: Oberhaus/Flickr)

Como sabemos, o CEO da Tesla não lá um grande fã do trabalho remoto. No comunicado de maio, afinal, ele avisou que até poderiam haver exceções ao trabalho remoto, mas que cada uma precisaria ser avaliada individualmente por ele.

Antes mesmo da pandemia de COVID-19, a Tesla precisou adotar o trabalho remoto, afinal ela se viu diante de um crescimento expressivo nos últimos anos. Mesmo assim, a empresa não ganhou novos espaços de trabalho, nem adquiriu equipamentos para atender a todos.

Na reportagem da CNBC, diversos funcionários que trabalham na baía de São Francisco, na Califórnia, disseram que a Tesla queria trazê-los aos escritórios três dias por semana.

No entanto, a falta de espaço nas mesas, cadeiras, vagas de estacionamento e outros recursos teria passado dos limites. Como uma tentativa de solução, a companhia teria feito escalas, definindo horários escalonados nos escritórios para dois dias na semana.

A reportagem afirma, inclusive, que materiais simples, como cabos e carregadores, estão em falta. Até para falar com outras pessoas no telefone estaria difícil. Os funcionários denunciam que precisam ir até a área externa do prédio para atender e realizar chamadas, devido à superlotação, falta de salas de reunião e cabines individuais.

Empresa teria demitido funcionários sem aviso prévio

Em junho, após Musk exigir 40 horas de trabalho presenciais, a CNBC reportou que Tesla fez cortes acentuados em seu quadro. Quem antes trabalhava no regime remoto e não pode se mudar para o presencial, tem até o fim deste mês para se decidir entre a vaga na empresa ou a demissão.

Uma semana depois dessa oferta, o RH da Tesla teria perguntado às pessoas que moravam longe se elas planejavam se mudar. Alguns dos que disseram não ter certeza ou que, de cara, negaram a proposta, foram demitidos sem aviso prévio.

Elon Musk (Imagem: Peter Tsai/Flickr)
Elon Musk (Imagem: Peter Tsai/Flickr)

Ainda de acordo com a matéria da CNBC, a Tesla estaria monitorando a presença de seus funcionários por meio de seus crachás. Por isso, descobriu-se que semanalmente Musk estaria recebendo relatórios sobre os faltosos.

Contudo, nem todos os funcionários são monitorados da mesma forma. Aqueles que respondem diretamente a Elon Musk, por exemplo, não têm suas presenças contabilizadas nesse relatório.

Segundo documentos internos, no início de setembro, cerca de 12,5% dos funcionários da unidade em Fremont, na Califórnia tinham faltado em um dia normal de trabalho.

Quando esse dado foi comparado com toda a companhia, a presença foi um pouco melhor. Nesse mesmo período, cerca de um em cada dez funcionários estava ausente em um dia normal de trabalho.

A CNBC disse que entrou em contato com a Tesla, mas a empresa não respondeu até a publicação da reportagem.

Com informações: CNBC

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