Google pagou US$ 20 bilhões à Apple para ser o buscador padrão do iPhone

Para Departamento de Justiça dos Estados Unidos, valores pagos à Apple anualmente fazem parte de uma estratégia anticompetitiva do Google

Emerson Alecrim
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Logotipo da Apple
Google pagou US$ 20 bilhões à Apple para ser o buscador padrão do Safari (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O Google é o buscador padrão do navegador do iOS e do macOS, mas isso não acontece de graça. Um processo antitruste movido contra o Google pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revela que, só em 2022, a Alphabet pagou US$ 20 bilhões à Apple para o Google ser o mecanismo de busca do Safari.

Sabe-se desde o final de 2023 que o Google paga à Apple 36% do que arrecada com anúncios exibidos nas buscas via Safari. Esse montante foi estimado por analistas de mercado em algo correspondente a US$ 18-20 bilhões por ano. Agora, ficou claro que essa estimativa é verdadeira.

Google e Apple vinham tentando evitar que os valores do acordo fossem divulgados. Até que, em uma das audiências sobre o assunto realizada no ano passado, uma testemunha revelou a porcentagem de 36%, aparentemente, sem querer.

Eis então que documentos apresentados na última terça-feira (30) confirmam não só essa porcentagem como o repasse de aproximadamente US$ 20 bilhões em 2022, relata a Bloomberg. Esse valor equivale a R$ 102 bilhões na conversão desta quinta-feira (2).

O problema do acordo entre Alphabet e Apple

O acordo original, datado de 2002 (sim, há mais de 20 anos), previa o uso do Google no Safari sem repasses financeiros. Somente nos últimos anos é que essa parceria passou a envolver pagamentos, afinal, a publicidade online é o principal negócio do Google. Perder esse acordo faria a empresa deixar de faturar com buscas realizadas diariamente em milhões de iPhones, iPads e Macs.

Contudo, o Google está na mira do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O órgão entende que a companhia tem agido para manter um monopólio nas buscas online, o que estaria favorecendo o domínio da sua rede de anúncios. As autoridades americanas entendem também que o acordo com a Apple faz parte desses esforços.

Esse não é um problema só para o Google. Calcula-se que, considerando somente 2020, os pagamentos recebidos com base no acordo corresponderam a 17,5% da receita operacional da Apple naquele ano. É tanto dinheiro que, para a companhia liderada por Tim Cook, parece não haver razão para a parceria ser desfeita.

Tentativas de afastar o Google da Apple não faltaram. A Microsoft tentou tornar o Bing o buscador do padrão do Safari mais de uma vez. Em uma das audiências do processo antitruste, Satya Nadella, CEO da Microsoft, revelou que ofereceu várias concessões à Apple, como ocultar a marca do Bing nos resultados. Não deu certo.

Pesa contra ambas as empresas o fato de que, em acordo semelhantes que o Google mantém com fabricantes de aparelhos Android, a margem de repasse não passa de 12%, segundo documentos apresentados no processo.

Safari no iOS 15 (tmagem: Lucas Braga/Tecnoblog)
Safari no iPhone (imagem: Lucas Braga/Tecnoblog)

Os próximos capítulos do processo

Entre hoje e amanhã, advogados do Departamento de Justiça, procuradores-gerais de estados americanos e a defesa da Alphabet apresentarão os documentos finais do caso.

Com base nisso, um tribunal do Distrito de Columbia proferirá uma decisão a respeito, o que deve acontecer nas próximas semanas ou meses, de acordo com o New York Times.

Se houver entendimento de o Google tem adotado estratégias anticompetitivas, a companhia poderá ser condicionada a rever os seus contratos ou até ser desmembrada. Isso poderia levar a uma separação entre os negócios de busca e publicidade online da empresa.

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