Microsoft chama metaverso de “um jogo mal feito” e Apple não quer falar nisso

Principais nomes das companhias de tecnologia não levam muito a sério o produto do mundo virtual; seja por desinteresse ou insegurança sobre o conceito

Ricardo Syozi
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O metaverso não é unanimidade entre as empresas e nem usuários. Mesmo com o Meta tentando empurrar a ideia de todas as formas possíveis, companhias como a Microsoft e a Apple ainda demonstram grande resistência ao conceito e à própria nomenclatura. As opiniões mais recentes vieram diretamente de Phil Spencer, do Xbox, e de Greg Joswiak, VP de marketing mundial da maçã.

O metaverso mistura o mundo real com o virtual por meio de tecnologia (Imagem: Lucrezia Carnelos/Unsplash)
O metaverso mistura o mundo real com o virtual por meio de tecnologia (Imagem: Lucrezia Carnelos/Unsplash)

Já não é muito fácil explicar para alguém o que realmente é o metaverso. Chamar de um “mundo virtual” ou um “The Sims mais realista” não são definições que fazem jus às ambições de Mark Zuckerberg e do Meta, por exemplo.

Essa tarefa de criar hype para o produto fica ainda mais complicada quando grandes nomes da indústria de tecnologia se mostram contrários à essa concepção.

Phil Spencer, CEO da área de games da Microsoft, parece não ser muito fã da ideia do Meta. Durante a conferência WSJ Tech Live, que ocorreu na quarta-feira (26), uma apresentadora perguntou a ele qual seria sua definição do metaverso. Sem papas na língua, o chefão do Xbox respondeu:

Hoje, eu diria que isso é um jogo de videogame mal feito. Quando eu penso sobre games, por anos nós colocamos pessoas juntas em espaços 3D para salvar o mundo de uma ameaça alienígena ou conquistar um castelo. Criar um metaverso que parece uma sala de reuniões acaba sendo um local que eu não gostaria de passar o meu tempo.

Até o presente momento, parece que a Microsoft não planeja entrar nesse mundo virtual, seja no Xbox ou no Windows. Sendo assim, a empresa de Mark Zuckerberg ainda tem um longo caminho para seguir antes de convencer Phil Spencer e cia.

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Apple não quer falar sobre a empreitada do Meta

Durante o mesmo evento, o WSJ Tech Live, a maçã deu as caras como participante. Greg Joswiak, VP mundial de marketing da empresa, e Craig Federighi, VP de software da companhia, foram entrevistados pela jornalista Joanna Stern.

A profissional trouxe o mesmo questionamento feito para Phil Spencer, pedindo uma definição do que é o metaverso na opinião dos executivos.

Joswiak foi rápido e enfático em sua resposta:

Uma palavra que jamais vou usar.

Federighi preferiu seguir a opinião do colega, contudo, eles não formularam razões ou adicionaram informações sobre produtos futuros. Além disso, a repórter tentou pegar algum comentário sobre um possível headset de realidade virtual no qual a Apple estaria trabalhando, mas apenas recebeu relatos da qualidade dos AirPods pelos profissionais. Uma forma engraçada de desviar do assunto.

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Assunto ainda é divisível

Vale lembrar que Tim Cook, CEO da maçã, comentou sobre o conceito desse mundo em realidade virtual em uma entrevista ao jornal holandês RTL.

O executivo sente que não está “realmente seguro de que as pessoas comuns conseguem dizer o que é o metaverso”. Desse modo, Cook acredita que a ideia acaba sendo difícil de se concretizar.

Seja como for, o Meta realmente pretende forçar o produto na indústria. Marcas diversas já estão trabalhando em projetos com foco nesse ambiente virtual. A Disney, por exemplo, contratou em junho o executivo de games da Apple, Mark Bozon, para liderar a divisão criativa da companhia na iniciativa “Next Generation Storytelling”.

Ao que tudo indica, as discussões sobre o tópico não vão parar tão cedo.

Com informações: 9toMac e The Verge.

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