Microsoft encontra mais uma dificuldade na aquisição da Activision Blizzard

Pela segunda vez em menos de seis meses, a instituição do Reino Unido demonstrou preocupações com a negociação; Brasil já aprovou a compra

Ricardo Syozi
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• Atualizado há 3 meses
Call of Duty: Mobile (Imagem: Divulgação/TiMi Studios/Activision/Garena)
Call of Duty: Mobile (Imagem: Divulgação/TiMi Studios/Activision/Garena)

Na quarta-feira (8), a Autoridade de Competição e Mercado do Reino Unido (CMA) liberou um relatório apontando preocupações em relação a uma possível aquisição da Activision Blizzard pela Microsoft. Segundo a entidade, isso poderia resultar em preços mais altos, quantidade menor de opções e inovações para os gamers. Esta é mais uma pedra no sapato da casa do Xbox em sua jornada para fechar o negócio com a dona de Call of Duty.

A conclusão é provisória e ainda pode sofrer alterações, mas já pode ser considerada um novo golpe nas intenções da companhia liderada por Phil Spencer. De acordo com os relatos da CMA, a instituição realizou investigações por cerca de cinco meses para entender o potencial impacto de mercado caso um acordo seja alcançado.

Assim, a entidade analisou mais de 3 milhões de documentos internos, além de realizar visitas a locais e conversar com lideranças de diversas marcas. É claro que as duas marcas na cabeça da negociação também participaram das entrevistas.

Como resultado, a CMA definiu que suas maiores preocupações são relacionadas aos jogos exclusivos e ao serviço de games em nuvem.

Ela acredita que títulos como Call of Duty, por exemplo, têm uma “participação importante em direcionar a competição de consoles”. Isto é, caso a casa do Xbox assumisse o controle dessas franquias, isso poderia trazer benefícios comerciais para ela, enquanto deixaria a concorrência em posição desigual.

Já no caso do cloud gaming, a instituição apontou que a Microsoft é dona de cerca de 60% a 70% do mercado global. Ou seja, ao trazer as propriedades intelectuais da Activision Blizzard para seu ecossistema exclusivo, a companhia poderia diminuir ou, até mesmo, acabar com a concorrência.

Xbox Cloud Gaming (Imagem: Reprodução/Pocketlint)
Xbox Cloud Gaming (Imagem: Reprodução / Pocketlint)

Vender a franquia de tiro seria uma alternativa

Pensando em evitar uma situação prejudicial para os gamers do Reino Unido no que se refere à rivalidade importante entre Microsoft e Sony, a CMA foi bastante clara com sua preocupação.

Nas palavras do relatório:

Xbox e a PlayStation competem de perto entre si neste momento e o acesso aos conteúdos mais importantes, como o CoD, é uma parte importante disso. Reduzir essa competição entre Microsoft e Sony pode resultar em todos os jogadores vendo preços mais altos, alcance reduzido, menor qualidade e pior serviço em consoles de jogos ao longo do tempo.

Dessa maneira, a entidade sugeriu uma alternativa, que forçaria a empresa americana a vender os direitos da Activision Blizzard relacionados a Call of Duty. Na visão da instituição, isso seria uma demonstração de boa índole em dar continuidade à concorrência que já dura mais de 20 anos.

Por fim, ainda há tempo para as partes oferecerem respostas e argumentos para mudar a opinião da autoridade.

CMA atrapalha a negociação desde 2022

Vale destacar que em outubro do ano passado, a companhia de Redmond já havia tido dor de cabeça com a organização do Reino Unido.

O argumento que a CMA usou na época foi a de que o acordo poderia prejudicar a Sony, mas também enfatizou a “redução substancial da concorrência”. Em resposta, a dona do Xbox discordou, afirmando que isso aumentaria a competição e escolha para os jogadores.

Ademais, ela disse que a empresa japonesa “tem capacidade para se adaptar e competir”.

Países como o Brasil e a Arábia Saudita já aprovaram a aquisição da Activision Blizzard pela Microsoft desde outubro de 2022. Porém, ainda há muito o que caminhar para garantir o fim desse impasse mundial.

Com informações: The Verge.

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Ricardo Syozi

Ricardo Syozi

Repórter

Ricardo Syozi é jornalista apaixonado por tecnologia e especializado em games atuais e retrôs. Já escreveu para veículos como Nintendo World, WarpZone, MSN Jogos, Editora Europa e VGDB. Possui ampla experiência na cobertura de eventos, entrevistas, análises e produção de conteúdos no geral. Entrou para o Tecnoblog em 2021.

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