Getty promete pagar criadores de obras usadas para treinar sua IA

Inteligência artificial geradora de imagens foi desenvolvida em parceria com a Nvidia, usando imagens do acervo da Getty

Giovanni Santa Rosa
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Imagens criadas com IA da Getty
Imagens criadas com IA da Getty (Imagem: Divulgação/Getty Images)

Os modelos de inteligência artificial para criar imagens levantaram muitas questões envolvendo plágio e direitos autorais. A Getty, uma das maiores empresas do mundo no ramo de bancos de fotografias e vídeos, lançou sua própria ferramenta do tipo, com uma abordagem mais “cuidadosa”: ela promete remunerar os criadores pelas obras que foram usadas para treinar os modelos.

A Getty tem um acervo enorme de stock photos (aquelas posadas, para fins meramente ilustrativos), fotos jornalísticas, ilustrações, vídeos e sons. Para treinar a IA, a empresa usou imagens desse acervo. Como ela já tinha direitos autorais, quem contratar o serviço estará legalmente protegido.

A Getty também prometeu pagar os criadores das imagens usadas para treinar a versão atual ou as versões futuras do modelo de IA. Ela vai dividir as receitas geradas a partir da ferramenta, “alocando tanto uma parte proporcional em relação a cada arquivo quanto uma parte com base na receita de licenciamento tradicional”.

Ao TechCrunch, a empresa deu mais detalhes de como será esse pagamento.

“Anualmente, compartilharemos as receitas geradas pela ferramenta com os colaboradores cujo conteúdo foi usado para treinar a IA generativa. Haverá uma fórmula definida com base em vários fatores diferentes e, portanto, cada colaborador receberá pagamentos diferentes relacionados à ferramenta.”

Esse ponto marca uma diferença importante para outras inteligências artificias usadas para gerar imagens, como Dall-E 3, Midjourney e Stable Diffusion. Elas foram treinadas coletando imagens da web, muitas vezes sem respeitar direitos autorais.

O caso da Stable Diffusion parece ser o mais gritante: alguns usuários pegaram a IA criando imagens com a marca d’água da Getty, em um claro sinal de que conteúdos protegidos foram usados no treinamento. A Getty Images processou os criadores da ferramenta.

Imagem gerada pelo Stable Diffusion (Imagem: Reprodução/The Verge)
Imagem gerada pelo Stable Diffusion (Imagem: Reprodução/The Verge)

Proteção contra desinformação

Deixando um pouco de lado as questões de direitos autorais, vamos falar da ferramenta em si, que se chama Generative AI by Getty Images (um nome bem genérico, diga-se de passagem).

A inteligência artificial foi criada em parceria com a Nvidia. A Getty usou o modelo Edify, que é parte da biblioteca de inteligências artificiais generativas Picasso, da empresa de chips.

O site The Verge testou a ferramenta e elogiou o aspecto realista das imagens de humanos geradas, apesar de “faltar alma”.

A Getty diz ter criado proteções contra desinformação. Por isso, a ferramenta não deve obedecer comandos para criar imagens envolvendo figuras públicas ou imitando o estilo de artistas vivos. As criações também terão uma marca d’água para identificar o uso de inteligência artificial.

A ferramenta estará disponível no site da Getty Images. Ela será cobrada à parte da assinatura do acesso ao banco de imagens. Os preços serão baseados no volume de pedidos, mas ainda não foram divulgados.

Com informações: TechCrunch, The Verge

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Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa

Repórter

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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