Governo suspende venda de pacotes flexíveis da Hurb

Senacon institui multa de R$ 50 mil por dia em caso de descumprimento; clientes que compraram pacotes flexíveis vêm enfrentando problemas na hora de viajar

Giovanni Santa Rosa
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Hotel
Hotéis têm recusado clientes da Hurb (Imagem: Ciudad Maderas/Unsplash)

Após calotes em hotéis e problemas para turistas, a Hurb (antigo Hotel Urbano) sofreu uma intervenção da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça. O órgão proibiu a venda de pacotes flexíveis pela empresa. A decisão foi tomada, de acordo com a Senacon, por “irregularidades encontradas nas práticas comerciais da empresa”.

A autoridade e a Hurb se reuniram em 12 de maio, e a empresa se comprometeu a adotar medidas para resolver os problemas. As medidas adotadas deveriam ser detalhadas no plano entregue pela Hurb no último dia 22.

Porém, segundo Wadih Damous, secretário nacional do consumidor, isso não aconteceu. “O documento não trouxe informações suficientes e consistentes”, disse.

A solução encontrada foi uma medida cautelar para que a Hurb suspenda a venda de pacotes flexíveis. Caso descumpra a medida, a multa será de R$ 50 mil por dia. Os pacotes fixos seguem liberados.

Damous diz que a medida vai perdurar até que a Hurb apresente um plano concreto para entregar os pacotes contratados.

A empresa também deverá demonstrar que tem condições financeiras para fechar novas vendas de pacotes flexíveis.

Crise da Hurb vem desde 2022

Os pacotes flexíveis são aqueles em que o cliente compra uma viagem para um destino, mas sem uma data marcada.

Em 2022, os clientes passaram a ter problemas para conseguir viajar com os pacotes comprados em 2020, durante o início da pandemia de COVID-19.

Na época, a Hurb alegou que estava difícil encontrar passagens por valores promocionais. A empresa oferecia três possibilidades: remarcar para 2023, converter o pacote em créditos ou cancelá-lo, recebendo o estorno em até 60 dias.

Em 2023, novos problemas. Hotéis e pousadas passaram a acusar o Hurb de calote, e turistas não puderam se hospedar nos locais planejados.

Ao Tecnoblog, a empresa reconheceu os problemas. Em áudio encaminhado, o então CEO da companhia, João Ricardo Mendes, disse que não seria a última vez com problemas desse tipo, o que ele considerava “ok”: “Se a gente parar de errar, é porque a gente parou de crescer”.

O executivo deixou o cargo em abril de 2023, após divulgar um vídeo em que xinga e ameaça um cliente que da Hurb que teve sua viagem cancelada. Mendes chegou a vazar os dados do consumidor em um grupo de WhatsApp.

Com informações: G1, Folha de S.Paulo

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