Opensignal aponta disparidades nas velocidades da internet móvel no Brasil

Empresa de análise de mercado mostra que um a cada cinco usuários de internet móvel recebem menos de 10 Mb/s de velocidade de download

Felipe Freitas
Por
• Atualizado há 9 meses
Claro vence em jogos no 5G (imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)
Opensignal publica relatório sobre internet móvel no Brasil. Imagem ilustrativa (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

A Opensignal, empresa de análise de mercado com foco em telefonia e internet, publicou um relatório sobre a internet móvel no Brasil. O documento da empresa mostra que 20% da população (um a cada cinco usuários) recebe, em média, menos de 10 Mb/s de velocidade de download em sua conexão celular. A Opensignal publicou outros dados sobre a experiência dos brasileiros com internet móvel.

As outras métricas avaliadas pela empresa são experiência em streaming de vídeos e tempo sem sinal. Esta última métrica apresenta, em teoria, um bom resultado: 75,3% da população fica sem sinal de internet móvel em menos de 1% do tempo usado.

Porém, esses dados não apresentam o tempo médio em que os usuários passando usando esse tipo de conexão. Logo, não podemos afirmar quanto tempo esse “menos de 1%” representa. Por exemplo, 1% de 60 minutos de uso da internet é 36 segundos (0,6 minutos, cada 0,1 minuto vale 6 segundos). O mesmo vale para a gravidade de quem fica 10% ou mais do tempo sem sinal: 10% de 1 hora (6 minutos) ou 10% de 10 horas (1 hora)?

O motivo para a Opensignal esconder algumas coisas não é “maldade”: é que a empresa vende os relatórios completos para outras companhias. Todavia, os resultados apresentados pela Opensignal são bem interessantes — principal sobre os 20% recebendo menos de 10 Mb/s de download. Os dados sobre “experiência com streamings” não serão comentados, já que a empresa não explica o processo de pontuação do desempenho.

5G cresce, mas celulares com 4G continuam reinando no Brasil

A Opensignal destaca (e elogia) que o Brasil está ampliando a sua rede 5G, mas relembra que a maioria da população segue usando a conexão 4G. No relatório da empresa, 0,6% da população tem uma internet móvel com velocidade superior à 100 Mb/s — a tecnologia 4G atinge uma média de 20 Mb/s no Brasil.

Contudo, um a cada cinco usuário de internet 4G recebe, em média, menos de 10 Mb/s de velocidade — metade do limite da conexão esperado no país. Aqui é onde os dados da Opensignal volta a “esconder as coisas”.

Não defendendo às operadoras, mas é necessário levar em conta que somos um país em desenvolvimento e que há diferenças entre o modem 4G de um celular mais novo e o de um mais antigo da década passada. Este pode contar com menos bandas que um smartphone lançado em 2021 ou 2022, seja premium, intermediário ou de entrada.

Amazonas, Minas Gerais e Roraima tem a maior média de usuários com internet móvel abaixo de 10 Mbps (Imagem: Divulgação/Opensignal)
Amazonas, Minas Gerais e Roraima tem a maior média de usuários com internet móvel abaixo de 10 Mb/s (Imagem: Divulgação/Opensignal)

Os estados com a maior porcentagem de usuários com velocidade internet abaixo de 10 Mb/s são Amazonas (26%), Minas Gerais (27,2%) e Roraima (29%). O Acre e Distrito Federal possuem os melhores números nesses casos: 12,4 % e 14,8%, respectivamente, da população desses estados fica com menos de 10 Mb/s de velocidade.

Na métrica sobre tempo sem sinal de internet, o Distrito Federal aparece com um dos melhores desempenhos. 4,9% da população do DF passa 10% ou mais do tempo sem conexão. São Paulo e Sergipe fecham o “pódio” de estados com menos tempos sem conexão.

Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rondônia, Roraima e Piauí são os estados que possuem mais de 15% da população sem sinal em 10% ou mais do tempo de uso da internet móvel.

Com informações: Opensignal

Receba mais sobre OpenSignal na sua caixa de entrada

* ao se inscrever você aceita a nossa política de privacidade
Newsletter
Felipe Freitas

Felipe Freitas

Repórter

Felipe Freitas é jornalista graduado pela UFSC, interessado em tecnologia e suas aplicações para um mundo melhor. Na cobertura tech desde 2021 e micreiro desde 1998, quando seu pai trouxe um PC para casa pela primeira vez. Passou pelo Adrenaline/Mundo Conectado. Participou da confecção de reviews de smartphones e outros aparelhos.

Relacionados