O que é undervolting e quais os benefícios para processadores?

Entenda como funciona o undervolting, quando esse processo é recomendado para CPUs e GPUs, e se o seu uso é seguro para o computador

Emerson Alecrim Ana Marques
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Processador Intel (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Processador Intel (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Undervolting é um procedimento que reduz a tensão elétrica (voltagem) de trabalho da CPU ou GPU. A técnica busca otimizar o consumo de energia e a temperatura gerada pelo chip sem prejudicar o seu desempenho geral. Entenda em quais situações é recomendado fazer undervolt.

Como funciona o undervolting da CPU e GPU?

O undervolting visa determinar a menor tensão com a qual a CPU ou a GPU pode trabalhar, sem que esse ajuste cause perda expressiva de desempenho ou instabilidades no sistema.

Com a redução de voltagem, o processador tende a consumir energia elétrica gerando menos calor, ou seja, com maior eficiência energética. Isso diminui o risco de o computador entrar em thermal throttling, uma limitação da capacidade de processamento que protege o processador de superaquecimento.

Para que o undervolting não prejudique o funcionamento da CPU ou GPU, é importante fazer o ajuste de modo gradual e com um teste de estresse para determinar se o chip trabalha bem com a nova regulagem.

O MSI Afterburner permite ajustar a tensão (imagem: reprodução/MSI)
O MSI Afterburner permite ajustar a tensão (imagem: reprodução/MSI)

Quais os benefícios do undervolting?

Por permitir um ajuste fino na relação entre consumo de energia e capacidade de processamento, o undervolting oferece vantagens como:

  • Eficiência energética: um ajuste cuidadoso da tensão pode fazer a CPU ou a GPU ter um consumo de energia menor que o padrão do chip, com pouco ou nenhum prejuízo para o desempenho geral;
  • Controle de temperatura: um consumo mais eficiente de energia reduz a temperatura que o chip alcança durante o trabalho, o que diminui o risco de danos e a necessidade de um sistema de resfriamento mais avançado;
  • Computador mais silencioso: o controle da temperatura evita que os coolers (ventoinhas) tenham que trabalhar em alta rotação, tornando a máquina mais silenciosa;
  • Maior vida útil da bateria: reduzir o consumo de energia e evitar que o chip alcance temperaturas muito elevadas contribuem para que a bateria do dispositivo tenha tempo de vida útil maior, bem como mais autonomia;
  • Maior vida útil da CPU ou GPU: a vida útil de um chip submetido a undervolting pode aumentar, pois ele fica menos sujeito a desgaste por uso intenso;
  • Gabinetes compactos: o undervolt pode ser usado para diminuir o calor interno de um desktop pequeno causado pelo pouco espaço para circulação de ar.

É seguro fazer undervolt no processador?

Sim, o undervolting é um procedimento seguro quando realizado com os ajustes adequados. Isso porque CPUs ou GPUs podem ter requisitos de desempenho e tensão diferentes, mas é comum que fabricantes nivelem esses parâmetros para padronizar a linha. Com isso, costuma existir margem para o undervolt.

Para realizar o procedimento com segurança, é recomendável aplicar os ajustes de tensão progressivamente e, a cada etapa, executar um teste de estresse para deixar o computador em plena capacidade de funcionamento.

Se o teste ou uma situação de uso real colocar o computador em thermal throttling, esse é um sinal de que a tensão ainda pode ser reduzida. Se houver sinais de instabilidade, como reinicializações ou mensagens de erro, o undervolting pode ter sido exagerado.

Não é comum que o undervolting danifique o chip. Mas, dependendo do fabricante, a CPU ou GPU pode perder a garantia se passar pelo procedimento.

Quando fazer undervolt no processador?

O undervolting é indicado quando a CPU ou GPU apresenta aquecimento excessivo, mas não é possível acrescentar um sistema de resfriamento mais potente. Reduzir a atividade das ventoinhas para deixar o computador mais silencioso ou otimizar o consumo de energia são outras razões para o procedimento.

Também é possível fazer undervolt para deixar o overclock mais estável. Os dois procedimentos não são exatamente opostos. Dependendo do conjunto de hardware, é possível encontrar um equilíbrio entre aumento da velocidade do clock e controle da tensão elétrica.

Placa de vídeo com GPU Nvidia (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Placa de vídeo com GPU Nvidia (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Como fazer undervolting?

O método de undervolt mais tradicional consiste em ajustar os parâmetros de tensão no BIOS, modificando os valores de campos como “CPU Vcore” e “CPU Core Voltage” (o nome varia conforme o fabricante). Geralmente, essa configuração está presente em placas-mãe mais avançadas.

Também é possível fazer undervolting com ferramentas fornecidas pelo fabricante do chip, a exemplo do Intel XTU, que funciona com determinados processadores Core e Xeon, e do MSI Afterburner, que é próprio para overclock de GPU, mas também permite o undervolt.

Ajustes de tensão no Intel XTU (imagem: reprodução/Intel)
Ajustes de tensão no Intel XTU (imagem: reprodução/Intel)

Em todos os casos, os ajustes devem ser pequenos e progressivos. Em caso de instabilidade, é recomendável voltar à etapa anterior ou restaurar a configuração original.

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Emerson Alecrim

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Em 2023, foi reconhecido no Prêmio Especialistas, em eletroeletrônicos. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.

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Gerente de Conteúdo

Ana Marques é jornalista e cobre o universo de eletrônicos de consumo desde 2016. Já participou de eventos nacionais e internacionais da indústria de tecnologia a convite de empresas como Samsung, Motorola, LG e Xiaomi. Analisou celulares, tablets, fones de ouvido, notebooks e wearables, entre outros dispositivos. Ana entrou no Tecnoblog em 2020, como repórter, foi editora-assistente de Notícias e, em 2022, passou a integrar o time de estratégia do site, como Gerente de Conteúdo. Escreveu a coluna "Vida Digital" no site da revista Seleções (Reader's Digest). Trabalhou no TechTudo e no hub de conteúdo do Zoom/Buscapé.

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