Apple quer transformar a experiência de uso com o Magic Trackpad

João Brunelli Moreno
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Entre as diversas qualidades de Steve Jobs, uma que merece reconhecimento é o desembaraço em deixar certas tecnologias para trás. Foi ele quem abandonou os disquetes quando eles ainda eram parte do cotidiano dos usuários ainda no distante ano de 1999, e que deixou os então populares e satisfatórios monitores CRT de lado quando as telas LCD ainda eram artigo de luxo nos desktops lá pelos idos de 2002.

Em suas épocas, essas novidades causaram algum espanto e não agradaram imediatamente todos os usuários, mas o tempo tratou de curar todas as feridas e de dar razão ao poderoso chefinho da empresa da maçã.

Agora, num mundo em que iPhone e iPad são objetos de desejo, a Apple discretamente começa a matar uma ferramenta que ela própria ajudou a popularizar com o lançamento do Macintosh em 1984: o mouse.

Mostrado sem muito alarde em 27 de julho, o Magic Trackpad não é exatamente uma novidade. Há algum tempo existem no mercado tablets (como a Wacom Bamboo, por exemplo) capazes de reconhecer os movimentos dos dedos dos usuários e fazer vezes de mouse.

O grande diferencial do novo gadget da Apple é que, pela primeira vez, um equipamento deste tipo está disponível para os consumidores comuns pelas mãos de um grande fabricante. Dessa vez não é tratado como um produto de nicho voltado principalmente para designers, arquitetos e outros tipos de usuários entusiastas que procuram este tipo de tecnologia.

A exemplo de outros produtos da marca da maçã, o Magic Trackpad tem medidas enxutas e seu desenho tem a menor quantidade possível de elementos, com apenas um botão de liga/desliga em sua lateral e um discretíssimo led verde em sua porção superior direita que indica se ele está na ativa. De perfil, ele tem exatamente as mesmas formas do Wireless Keyborad, sua alma gêmea com quem ele forma um conjunto tremendamente elegante.

Sem fios, ele se conecta aos computadores por Bluetooth e sua instalação em um iMac com o Snow Leopard demora poucos segundos. Em funcionamento, poucos mistérios: o Magic Trackpad é ágil, tem grande sensibilidade e reconhece uma série de movimentos feitos com vários dedos, além de contar com um clique físico idêntico ao dos notebooks da marca. Qualquer usuário dos MacBook com o trackpad multitouch irá se sentir em casa com o aparelhinho.

Apple confirma as suspeitas de que está trabalhando para transformar a experiência de uso de um MacBook em um padrão do mundo OSX com o Magic Trackpad. O aparelho agrada principalmente um – por ora – raro público que prefere usar o sistema de navegação de seus computadores móveis em detrimento até mesmo do Magic Mouse, igualmente capaz de reconhecer movimentos feitos com mais de um dedo. Se hoje essa parece ser uma tendência com poucos adeptos, é bom voltar ao começo do texto: Steve Jobs é ótimo em antecipar esse tipo de movimento.

O preço do Magic Trackpad no Brasil é uma incognita, mas custando módicos US$ 69 (cerca de R$ 122) nos EUA, provavelmente ganha um doce quem apostar que ele chegará por essas bandas por salgados R$ 229, mesmo preço do Magic Mouse. Lá fora os dois aparelhos também saem pelo mesmo valor.

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