Início » Celular » A entrada da Opera na guerra dos bloqueadores de anúncios

A entrada da Opera na guerra dos bloqueadores de anúncios

As versões para desktop do navegador da empresa terão bloqueador de anúncios nativo

Por
3 anos atrás

Opera

Bloqueadores de anúncios são tudo, menos uma invenção recente. No entanto, somente de 2014 para cá é que essas ferramentas começaram a ser usadas de forma ostensiva. Se de um lado o assunto preocupa sites e a indústria da publicidade online, por outro, há empresas que tentam se beneficiar de alguma forma desse movimento. É o caso da Opera: as versões para desktop do navegador que leva o nome da empresa virão com um bloqueador de anúncios integrados ao motor web.

Incorporar recursos que outrora foram servidos por extensões ou plugins faz parte do curso natural de evolução dos navegadores. Um dia alguém teve a ideia de colocar em um deles um bloqueador de pop-ups nativo e, quando paramos para olhar, todos os navegadores já ofereciam essa função. Isso aconteceu com várias outras funcionalidades.

Opera - bloqueio de anúncio

Em relação aos bloqueadores de anúncios, já começamos a perceber uma movimentação parecida. Brendan Eich, “pai do JavaScript” e Ex-CEO da Mozilla, gostou da ideia e, recentemente, anunciou o Brave, navegador que se apoia justamente nos bloqueios de anúncios para se promover. De certa forma, a Mozilla também abraçou a ideia com a Proteção contra rastreamento do modo de navegação privada do Firefox (abra o link nesse navegador para entender a proposta).

Isso não quer dizer, porém, que logo mais todos os navegadores terão um bloqueador de anúncios nativo. A ironia dessa história é que o browser mais popular da atualidade, o Chrome, pertence ao Google, empresa que tem na publicidade online a sua principal fonte de receita. Como esse cenário dá indícios de que não mudará tão prontamente, nem em sonho a galera de Mountain View venerará a ideia.

O ponto é que há toda uma cadeia de negócios que depende da publicidade na internet, de pequenos produtores de conteúdo a grandes agências que elaboram campanhas, gerenciam compras de mídia e assim por diante. É por isso que a decisão de implementar bloqueadores nativos precisa ser bem estudada.

Ciente de que mexer com isso pode ter o mesmo efeito de cutucar um vespeiro, a Opera Software tratou de deixar claro que a sua intenção não é prejudicar o mercado de publicidade online, mas oferecer uma experiência de navegação mais vantajosa ao usuário: segundo a empresa, o bloqueador pode fazer o carregamento de páginas ficar até 90% mais rápido.

Nos testes que a companhia realizou, o Opera com bloqueador conseguiu ser, em média, 45% mais rápido na exibição de páginas do que o Chrome com o AdBlock Plus, por exemplo. Em relação ao Firefox com a mesma extensão essa média foi de 21%. Palavras da Opera.

Opera - comparativo de desempenho

A busca por proteção à privacidade e as tentativas de escapar de anúncios invasivos — que ocupam toda a tela, por exemplo — estão entre as razões para a crescente adoção de bloqueadores, mas é mesmo a questão do desempenho que mais pesa nessa escolha.

Krystian Kolondra, engenheiro que chefia a divisão da Opera para computadores, reforça esse ponto de vista: “a publicidade serve de combustível na internet, permitindo que muitos serviços sejam gratuitos para os usuários. Mas, como mostra a nossa pesquisa, a maioria das páginas de hoje estão significativamente mais lentas por conta de anúncios inchados e rastreamento intenso. Nós não aceitamos isso: queremos que a web seja um lugar melhor para todos nós, como usuários”.

Kolondra vai além. Neste post no blog da Opera, o engenheiro afirma que está na hora de os anúncios serem mais leves e rápidos, mas que parece não estar havendo esforços suficientes para isso. “Criaram o programa IAB L.E.A.N. para melhorar os anúncios, mas onde [os anúncios melhorados] estão? Em vez deles, o que temos visto são cartilhas sobre como convencer o usuário a desativar os bloqueadores”, completa.

Você sabe bem que o Opera detém uma fatia muito pequena do mercado. O navegador nunca esteve sequer perto da liderança, mas a situação parece ter piorado nos últimos anos. Só para você ter ideia, o Opera para desktops terminou o mês de fevereiro com 1,68% de participação, de acordo com as medições da NetMarketShare. Por conta disso, é pouco provável que a incursão da Opera no universo dos bloqueadores preocupe o mercado de publicidade online.

Market share dos navegador em fevereiro de 2016

Mesmo assim, a Opera tomou algumas medidas cautelosas. Para começar, o recurso está disponível inicialmente apenas nas versões para desenvolvedores do navegador para OS X e Windows. As versões finais devem receber o bloqueador em breve, mas, enquanto isso, a empresa pode corrigir falhas, avaliar a aceitação da ideia e, suponho, adiar a implementação em cima da hora se a situação exigir.

Além disso, a companhia ressaltou que o bloqueador vem desativado por padrão e que os usuários que aderirem ao recurso poderão decidir com um clique quais páginas incluir ou não no bloqueio, ou seja, é possível deixar os sites preferidos fora da lista negra.

Por fim, a Opera incluiu um botão na barra de endereços do navegador que reporta quantos anúncios foram bloqueados em determinadas páginas e qual o peso dessas peças. A companhia espera que essas informações ajudem editores e desenvolvedores web a medirem o quanto os anúncios afetam a navegação e tomem medidas para amenizar o problema.

Opera - estatísticas sobre bloqueios

Agora é esperar, né? Esperar para saber se a decisão da Opera causará algum impacto no mercado, seja trazendo mais usuários para o navegador da empresa, seja induzindo a indústria da publicidade a repensar os modelos atuais de anúncios. Façam as suas apostas.

A Internet sem Ads

030

As razões para o uso de bloqueadores frequentemente são legítimas: há anúncios que são invasivos, muitas páginas exageram na quantidade de publicidade, existem temores relacionados à privacidade, o bloqueio alivia o consumo de dados de planos móveis e por aí vai.

Mas há o outro lado: muitos sites e serviços, principalmente aqueles que fornecem conteúdo de graça, dependem dos anúncios para manter suas operações. E agora? Como equilibrar esse jogo? Discutimos o assunto no Tecnocast 030 para tentarmos descobrir. Clique no play para conferir 🙂