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Mais um recurso no Android N: suporte a janelas

Função escondida no sistema é mais um passo para a fusão do Android e Chrome OS, prevista pelo Google

Jean Prado Por
4 anos atrás

Com o anúncio do Android N, donos de Android comemoraram a introdução do modo multi-window, que permite aos usuários de smartphones e tablets a divisão da janela com dois aplicativos. Mas nem esperávamos que o Google poderia ir além: o Ars Technica conseguiu ativar um "modo janela" na próxima versão do sistema.

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Uma dica havia inicialmente aparecido no código-fonte do Android N, em que uma parte sinalizava uma opção para ativar o modo de "janelas independentes" (tradução livre de "freeform windows"). Essa função apareceu na surdina na página que explica o recurso de multi-window no Android, em que o Google descreve:

Fabricantes de dispositivos maiores podem escolher habilitar o modo de janelas independentes, em que o usuário pode redimensionar livremente cada atividade. Se a fabricante habilitar esse recurso, o dispositivo oferecerá o modo independente.

No entanto, o Ars ainda não havia conseguido testar a funcionalidade até esta segunda-feira (21). É inevitável a comparação do funcionamento do sistema com o Remix OS, uma versão do Android que foi adaptada para desktops e que já fizemos o review aqui. Como o recurso ainda está longe de ser finalizado, ainda não há nada muito impactante ou que possa ser usado no cotidiano.

Uma demonstração pode ser vista no vídeo acima. Esse modo foi ativado ao pressionar o botão de multi-window, e o aplicativo foi transformado em janela por meio de um botão de "maximizar" ao lado do botão de fechar o app. Depois que essa ação é feita, o usuário é levado para um ambiente limpo, sem ícones ou uma homescreen propriamente dita. É lá que ele pode mexer nos apps como janelas.

De lá, os aplicativos podem ser redimensionados horizontal ou verticalmente, mas não os dois ao mesmo tempo (o que reforça que o recurso ainda precisa de mais desenvolvimento). Conforme você muda o tamanho dos aplicativos, a versão deles para tablets ou smartphones é escolhida automaticamente, de acordo com o redimensionamento.

Um dos pontos negativos é a barra relativamente grande que fica em cima dos apps, contendo apenas o botão de fechar e de maximizar. Isso, principalmente no tablet de 9 polegadas em que eles testaram, ocupa muito espaço na tela e poderia ser resolvido com o alinhamento desses botões à direita (ou esquerda) dos apps, como acontece em alguns programas para Windows.

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É interessante que esse ambiente de janelas independentes fica salvo, então você pode apertar o botão de início para ir até sua homescreen, ver alguma coisa e depois voltar à mesma configuração de apps de antes. Além disso, se você abrir alguma coisa lá dentro, como o atalho para as configurações, o aplicativo irá aparecer como uma janela, respeitando o modo em que você está.

Mas ainda há muito chão pela frente para o Android ter um suporte completo a essa disposição de janelas. Não há nenhum desktop ou dock para abrir outros aplicativos que não estejam no menu de apps recentes. O Ars também aponta que o gerenciamento de memória do Android não lida bem com tantos apps ao mesmo tempo, fazendo o YouTube praticamente não funcionar.

Leia também: O que há de novo no Android N (até agora)

Não dá para saber se essa funcionalidade seria só uma fração do que o Google planeja com a fusão do Chrome OS e Android. O Wall Street Journal já revelou que a empresa está trabalhando em um sistema operacional que combina as duas plataformas, e o The Verge informou que provavelmente uma prévia será mostrada no Google I/O deste ano. Estamos mais perto do que imaginávamos, então.

Modo funciona em harmonia (nem tanto) com outro aplicativo dividindo a janela.

Modo funciona em harmonia (nem tanto) com outro aplicativo dividindo a janela.rs

Os indícios de que essa fusão realmente vai acontecer estão começando a pipocar. O Ars Technica conectou um mouse para ver se ele funcionava bem com esse modo de janelas independentes e... surpresa! Funcionou excepcionalmente bem. Eles mencionam que o ícone do mouse até mudou quando ele ficou em cima da borda do app, transformando-se visualmente para aquela seta com duas pontas que indica o redimensionamento.

Essas pequenas coisas diminuem a hipótese de que esse recurso seja apenas uma cópia daquele modo de multi-janela da Samsung para a linha Note e fortalecem o rumor de que, um dia, o Android vai ficar usável também como um sistema operacional para desktops. No caso da Samsung, o modo funciona apenas com poucos aplicativos compatíveis, que podem flutuar na tela.

No cenário atual, chuto dizer que o recurso seria voltado para tablets como o Pixel C, que foram considerados inacabados para o público-alvo que querem atingir e não funcionam bem como uma ferramenta de produtividade. Ao abrir mais de uma janela ao mesmo tempo, como em um sistema operacional de verdade, o Android pode agradar esse público que quer levar os tablets mais a sério.

E em uma projeção mais otimista, o Google pode colocar essa plataforma em computadores com Chrome OS ou até fazer uma abordagem semelhante a do Continuum, da Microsoft, no qual o smartphone pode ser transformado em um computador. De qualquer forma, ainda precisamos esperar a versão final do sistema para saber se esse recurso vai continuar. É esperado que mais novidades sejam reveladas no Google I/O, que acontece em maio.

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