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Por dentro da estratégia de atualizar o hardware dos consoles

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3 anos e meio atrás

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Não sei se todos ficaram sabendo: aparentemente, a Sony está planejando lançar uma nova versão do PlayStation 4, com maior poder gráfico e capacidade de rodar jogos com resolução 4K.

Apelidado de PS4.5, o videogame poderá ser a resposta da empresa japonesa para tentar atingir os tão desejados 60 quadros por segundo de forma relativamente constante e colocar sua plataforma na briga direta com os PCs. Isso sem contar os futuros jogos de realidade virtual do PlayStation VR que, com certeza, vão demandar mais poder de processamento.

Se isso soa familiar, é porque a Nintendo tem uma estratégia muito parecida com seus equipamentos portáteis, como o DS, seguido pelo 3DS, que logo deu lugar para o New 3DS, que hoje tem um irmãozinho engessado chamado 2DS.

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Segundo o The Telegraph, a Microsoft também teria suas intenções de exigir upgrades de hardware no Xbox One, de forma que o console se adeque aos jogos mais parrudos.

Videogames modulares ou troca de componentes internos?

As duas metodologias, se é que podemos chamar assim, estão em pauta no momento. Mas, se a gente olhar um pouco para o passado, veremos que esse negócio de evoluir o videogame de forma modular não termina muito bem, certo?

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Não, eu não estou falando de traquitanas que você pluga no videogame, como essas Power Stations, para recarga de bateria.

Já na outra estratégia especulada, o foco seria trocar hardware mesmo, placas, processadores, memória, como fazemos nos… PCs.

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Ao menos do lado da Microsoft, parece que não seguiremos por esse caminho. Phil Spencer, principal executivo da divisão do Xbox, participou de um dos podcasts do renomado Major Nelson, no qual ele tratou de acalmar os ânimos da galera:

“Vou eu lá abrir meu console e começar a trocar peças individuais? Não. Esse não é nosso plano. Existe algo especial sobre o que acontece com videogames. Você compra um dispositivo assim, pluga na TV e funciona. Não é como se fossemos enviar uma chave de fenda junto com cada console lançado.”

A empresa visa sim um ecossistema entre o Xbox One e o Windows 10, mas ao que tudo indica a evolução de hardware tende a ser de modo ortodoxo.

O que esperar do mercado?

Vamos fazer uma análise de negócio aqui: nunca na história desse planeta os hardwares dos PCs evoluíram tão rápido. Jogos estão com gráficos cada vez mais realistas e o público alvo desse segmento exige sempre a excelência. Por isso, Sony e Microsoft (faça o favor de me poupar do nome Nintendo nessa discussão) precisam se mexer de alguma forma.

Elas poderiam:

  1. Acelerar o lançamento de novos consoles (como o já previsto PlayStation 5);
  2. Criar consoles intermediários com hardware mais recente, como o tal do PS4.5 (e quem comprou a versão mais antiga vai ter que se sujeitar a rodar jogos de forma limitada);
  3. Lançar videogames modulares (por favor, não façam isso!);
  4. Lançar equipamentos cujo hardware seja fácil de ser trocado;
  5. Não fazer nada e continuar tudo do mesmo jeito;

Em qualquer uma das opções que não seja a última, eu vejo um mercado cada vez mais pró-PC e explico.

Novos videogames com maior frequência

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Como expliquei neste guia que tem como intuito ajudar a decidir qual é melhor plataforma gamer para cada pessoa, sabemos que os custos para montar um excelente PC ou de uma Steam Machine são superiores aos da compra de um console de mesa. Mas essa distância vem diminuindo com os anos:

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Sendo assim, talvez se torne mais barato manter um PC atualizado que ficar trocando de videogame. O trunfo na manga dessas empresas seriam os títulos exclusivos, além da possibilidade de jogar com amigos da sua rede.

Só que isso tende a mudar. Jogos como Rocket League, por exemplo, já funcionam com cross-play entre PC e PlayStation 4. E os desenvolvedores já disseram que é possível fazer rodar entre PS4 e Xbox One! Ou seja, com o tempo o preço se tornará o fator principal na escolha.

Consoles intermediários ou novos módulos

Se isso realmente acontecer, o cenário do mercado provavelmente será o mesmo do item acima. Vejo um possível diferencial, que seriam planos pagos de atualização para permitir a donos de videogames daquela determinada geração comprar os novos equipamentos e módulos com desconto. Ou entrega o console antigo e pega o novo pagando a diferença, algo assim.

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Qualquer coisa fora disso resultaria numa debandada para o mercado dos PCs.

Trocar hardware do videogame

Essa ideia me parece tão absurda que beira o ridículo. Spencer tem total razão quando diz que consumidor de consoles busca a praticidade de não ter que se preocupar com isso.

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Quem gosta de trocar placa de vídeo e processador é dono de PC. Quando muito, de Steam Machines. Essa seria uma mudança radical que afastaria muitos dos jogadores acostumados a essa plataforma.

É preciso fazer alguma coisa, mas não qualquer coisa

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A resposta curta é: não, consoles não estão morrendo. Sim, estamos passando por um período conturbado no mundo dos games, mas não priemos cânico. Desde que os estúdios continuem extraindo o máximo de qualidade gráfica e de jogabilidade dos consoles atuais, eu não vejo problemas. Sim, seria legal poder rodar Rise of Tomb Raider no máximo de framerate e com todas as nuances de sombras, por exemplo.

Mas não é como se diga: “Ora puxa, mas que diferença gritaaaante”, certo? Então, por mais que a situação seja complicada, a saída, no meu modesto modo de ver, precisa ser muito mais psicológica que factual.

Portanto, Microsoft e Sony, não nos forcem a gastar nosso suado dinheiro numa estratégia dessa. Pois, se for o caso, a Steam nos espera de braços abertos.