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Quem você prefere matar num acidente de carro autônomo inevitável?

Quem o carro deveria salvar? Ocupantes ou pedestres? Crianças ou idosos? Homem ou mulher? Médicos ou pessoas desabrigadas?

Paulo Higa Por

O maior dilema dos carros autônomos é que eles precisam decidir quem deve morrer em caso de acidente inevitável. Qual vida é mais importante? Uma mulher atleta ou um homem obeso? Uma criança ou um idoso? Duas pessoas atravessando a rua no sinal vermelho para pedestres ou o ocupante do veículo? Eu sei, você está desconfortável e não quer responder. Mas o Massachussets Institute of Technology (MIT) criou um questionário justamente para descobrir o que as pessoas pensam.

A Máquina Moral do MIT apresenta uma série de cenários de acidentes inevitáveis de carros autônomos, e você deve julgar qual é a ação mais certa (ou menos errada) a ser tomada pela máquina. No final, o questionário te mostra qual é o personagem que você mais salvou ou matou, bem como suas tendências de julgamento — ou seja, quão importante para você é proteger o maior número de vidas, obedecer às leis de trânsito ou salvar os pedestres em detrimento dos ocupantes do carro.

Para se ter uma ideia do quão difícil é responder às perguntas, eis um exemplo de cenário. Um carro autônomo (sem nenhum ocupante) com falha repentina nos freios não vai conseguir parar antes da faixa de pedestres. Você pode escolher apenas um dos cenários possíveis:

  1. Matar uma mulher e um homem idoso que estão obedecendo à lei e atravessando no sinal verde para pedestres;
  2. Matar uma menina e um homem que estão desobedecendo à lei e atravessando no sinal vermelho para pedestres.

E aí? Você prefere salvar a menina? Ou o respeito às leis de trânsito deveria estar acima disso?

Quer outro exemplo complicado? Escolha entre os dois:

  1. Seguir em frente e matar dois homens, uma mulher, um criminoso e uma pessoa desabrigada;
  2. Desviar e matar um médico, uma mulher grávida, duas mulheres e um executivo.

Um médico vale mais que uma pessoa desabrigada? O carro deveria desviar a trajetória para matar as pessoas que são “menos importantes” para a sociedade? Ou todas as pessoas são iguais?

Em alguns cenários, você até consegue pensar num argumento minimamente racional para decidir quem o carro deve salvar. É o caso da escolha entre uma criança e um idoso, por exemplo (eu salvaria a criança, com a ideia de que ela tende a viver por mais tempo). Mas outros são totalmente subjetivos e revelam como você pensa, ainda que inconscientemente. O carro deveria matar um homem ou uma mulher? Um obeso ou um atleta? Um executivo ou um desabrigado?

Vale a pena tirar uns três minutos do seu tempo e responder ao questionário (que está em português). Depois, poste os seus resultados aqui nos comentários — se você não estiver tão desconfortável consigo mesmo. É a sua vez de pensar no que, inevitavelmente, os programadores de sistemas de carros autônomos vão ter que pensar.

Tecnocast 033 – Programados para matar

Engenheiros estão enfrentando dilemas éticos no desenvolvimento dos sistemas de carros autônomos – eles precisam ser programados para matar. Mais do que isso, precisam decidir qual vida é mais importante, em caso de uma colisão iminente. E aí, como vocês acham que os carros deveriam agir em uma situação desse tipo? E como seria um mundo onde todos os carros nas ruas fossem “auto-dirigíveis”? Cabeças explodirão. Dá o play e vem com a gente!

Comentários

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Comentários com a maior pontuação

Luiz Antonio
IA com precogs? rsrs.
Fabio Montarroios
Morre tanta gente hj... E não há protestos, então, só se for em outro país isso que vc imagina. Na Holanda, os protestos, por conta de centenas de mortes e não milhares como aqui, culminaram em ciclovias. Pelo menos em SP, as pessoas detestam ciclovias e querem mais velocidade, menos multas etc... Ou seja, é outro mundo.
Fabio Montarroios
A mim me parede q é mais fácil vc preparar as pessoas para aceitarem os acidentes do q tentar evitá-los. É uma indústria q precisa se reinventar pra continuar existindo, então usar o MIT pra um singelo teste moral é, de alguma forma, conseguir uma chancela preciosa. E, ora, é o MIT e uma das indústrias mais influentes dos mundo... Não é pouca coisa a move esse tipo o de teste. E ele está até em português... Uma língua bem pouco influente no mundo.
Fabio Montarroios
Pelo q eu saiba, no Brasil, as pessoas não dão muita pelo pra crash test, então elas já compram carros que podem matá-las. E, pior, de um jeito bem terrível.
Cristina Nascimento
Não vão processar. Quem deveria ir pra cadeia são os donos dos animais, que os deixam livres pelas ruas e/ou os abandonam. Grande parte dos motoristas não os atropelam por que querem.
Magno Dias

Matar uma menina e um homem que estão desobedecendo à lei e atravessando no sinal vermelho para pedestres.
Seguir em frente e matar dois homens, uma mulher, um criminoso e uma pessoa desabrigada;

Magno Dias
Matar uma menina e um homem que estão desobedecendo à lei e atravessando no sinal vermelho para pedestres. Seguir em frente e matar dois homens, uma mulher, um criminoso e uma pessoa desabrigada;
MJuliani
Entendo seu ponto, mas o problema desses dilemas éticos quando são transportados para a realidade não tem fundamento e a lógica se perde ou se abrem muitas premissas para que continue. Portanto além deste ponto acho que são apenas conjecturas que não levam a resultados práticos. Este dilema foi claramente desenhado para que definíssemos a prioridade (valor) de cada pessoa em detrimento a outra. Se for resumir nesse ponto concordo com você, salve quem obedece às leis de trânsito e se for inevitável sacrifique os outros se considerar nenhum outro ponto.
MJuliani

Entendo seu ponto, mas o problema desses dilemas éticos quando são transportados para a realidade não tem fundamento e a lógica se perde ou se abrem muitas premissas para que continue. Portanto além deste ponto acho que são apenas conjecturas que não levam a resultados práticos.
Este dilema foi claramente desenhado para que definíssemos a prioridade (valor) de cada pessoa em detrimento a outra.
Se for resumir nesse ponto concordo com você, salve quem obedece às leis de trânsito e se for inevitável sacrifique os outros se considerar nenhum outro ponto.

Vinicius Mascarenhas

Entendo que o motorista é passivo, mas se o motorista é passivo o carro vai necessariamente obedecer todas as leis de trânsito. Um Google da vida jamais programaria um carro autônomo para avançar sinais, mudar de faixa sem dar a seta etc. Quando o motorista não tem nenhuma ação e o carro tem todas as ações, cabe embutir nessas ações a garantia de que ele vai respeitar todas as leis de trânsito (e até leis próprias, mais rigorosas do que aquelas) para reforçar toda a segurança.

Dito isso, proteger o motorista (que está seguindo as leis até o momento do mau funcionamento do carro) antes de proteger os pedestres significa concentrar o direito de viver entre a parte da população que tem dinheiro para comprar (e manter?) um carro autônomo, o que é uma caricatura mórbida do capitalismo. Achei mais elegante tratar o carro autônomo como uma máquina que veio para tornar o trânsito mais seguro para todos, priorizando a justiça e não a posse do próprio veículo.

Vinícius Mascarenhas
Entendo que o motorista é passivo, mas se o motorista é passivo o carro vai necessariamente obedecer todas as leis de trânsito. Um Google da vida jamais programaria um carro autônomo para avançar sinais, mudar de faixa sem dar a seta etc. Quando o motorista não tem nenhuma ação e o carro tem todas as ações, cabe embutir nessas ações a garantia de que ele vai respeitar todas as leis de trânsito (e até leis próprias, mais rigorosas do que aquelas) para reforçar toda a segurança. Dito isso, proteger o motorista (que está seguindo as leis até o momento do mau funcionamento do carro) antes de proteger os pedestres significa concentrar o direito de viver entre a parte da população que tem dinheiro para comprar (e manter?) um carro autônomo, o que é uma caricatura mórbida do capitalismo. Achei mais elegante tratar o carro autônomo como uma máquina que veio para tornar o trânsito mais seguro para todos, priorizando a justiça e não a posse do próprio veículo.
MJuliani

Mas o motorista acima de tudo está passivo nesta situação, ele é quem tem o menor poder de escolha.
Nesse seu cenário, quem entraria no carro?
Eu concordaria com você se o motorista estivesse no controle até o momento do acidente (algum modo manual, por exemplo)

MJuliani
Mas o motorista acima de tudo está passivo nesta situação, ele é quem tem o menor poder de escolha. Nesse seu cenário, quem entraria no carro? Eu concordaria com você se o motorista estivesse no controle até o momento do acidente (algum modo manual, por exemplo)
Vinicius Mascarenhas

Olha, eu penso mais ou menos como você, exceto que eu inverto a prioridade. Acima de tudo, proteger quem segue as leis de trânsito, porque elas são convenções estabelecidas com a intenção de proteger mais pessoas. Ou seja: quem desrespeita as leis é que está jogando um acidente no ventilador e vendo se o outro vai frear e impedir ou se vai deixar acontecer. Então não pode matar os outros para salvar quem causou.

Aí só depois de fazer o máximo possível para proteger quem está no lugar certo de acordo com a legislação, proteger o motorista.

Vinícius Mascarenhas
Olha, eu penso mais ou menos como você, exceto que eu inverto a prioridade. Acima de tudo, proteger quem segue as leis de trânsito, porque elas são convenções estabelecidas com a intenção de proteger mais pessoas. Ou seja: quem desrespeita as leis é que está jogando um acidente no ventilador e vendo se o outro vai frear e impedir ou se vai deixar acontecer. Então não pode matar os outros para salvar quem causou. Aí só depois de fazer o máximo possível para proteger quem está no lugar certo de acordo com a legislação, proteger o motorista.
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