Início » Negócios » Netflix vai gastar US$ 7 bilhões em conteúdo para 2018

Netflix vai gastar US$ 7 bilhões em conteúdo para 2018

Por
16/08/2017 às 15h12
Já conhece a nova extensão do Tecnoblog? Baixe Agora

Chefe da área de conteúdo da Netflix e “braço direito” do cofundador Reed Hastings, Ted Sarandos deu uma entrevista ao Variety que mostra que a companhia está se preparando para ser mais ousada em 2018: nada menos que US$ 7 bilhões serão reservados apenas para o aumento do acervo do serviço.

Metade desse dinheiro deve ser direcionada ao licenciamento de filmes e séries. Mas Sarandos tratou de deixar claro que, apesar disso, a Netflix está fortemente focada em produções próprias. Isso significa que o catálogo do serviço seguirá a tendência de disponibilizar cada vez mais séries e filmes exclusivos.

Stranger Things 2

O próprio Sarandos reconhece que o sucesso da Netflix dificulta progressivamente o licenciamento de conteúdo. O executivo não enumera as barreiras, mas não é difícil presumir algumas delas: certos distribuidores passam a cobrar mais pelas licenças, outros fecham contratos de exclusividade com concorrentes, grandes redes (como a Disney) cercam suas produções para oferecê-las em serviços de streaming próprios e por aí vai.

A aposta em conteúdo próprio ajuda a Netflix a lidar com esse problema, mas também é uma forma de atrair assinantes (afinal, determinadas produções só estão disponíveis por lá) e diminuir as diferenças entre os acervos de cada país — a Netflix é uma empresa global, mas os contratos de licenciamento são, em sua maioria, regionais.

Com o cancelamento de séries como Sense8 e The Get Down, havia o temor de que a Netflix iria puxar o freio. Mas esses cancelamentos são só ajustes: a empresa desiste daquilo que não dá o retorno esperado para direcionar recursos para projetos mais promissores.

Ted Sarandos (ao centro) durante o evento Vive Netflix, na Cidade do México

Ted Sarandos (ao centro) durante o evento Vive Netflix, na Cidade do México

Prova disso é que o orçamento para conteúdo em 2018 é US$ 1 bilhão maior que o de 2017 que, por sua vez, foi US$ 1 bilhão maior que o de 2016 (US$ 5 bilhões, aproximadamente).

Os resultados já aparecem. Os últimos dados apontam que a Netflix possui 104 milhões de usuários em praticamente todo o mundo. A exceção é a China, território de difícil exploração para diversas companhias ocidentais. A empresa até espera chegar lá um dia, mas o foco, por ora, está na expansão do serviço na América Latina (cerca de 50 produções estão em andamento na região) e Europa, explica Sarandos.

Só que orçamento maior implica em mais pressão por parte dos investidores, ainda mais com as recentes revelações de que, atualmente, a Netflix tem dívidas de quase US$ 5 bilhões. Sarandos reconhece o problema, mas explica que está tudo sob controle: “não estamos gastando dinheiro que não temos, estamos gastando receita”. O executivo completa: “temos um dos níveis de dívida mais baixos do setor”.

Mais sobre:
  • Bruno Amorim

    Com o preço tão acessível, fico pensando: Como eles, obtém retorno financeiro?

    • O retorno de um STRANGE THINGS acho que não se resume somente ao faturamento com assinantes. Tudo que gira em torno, é uma fortuna.

    • Uriel Dos Santos Souza

      Eles não tem, operam em prejuízo.

      Eles possuem outros tipos de retorno.

      • Bruno Amorim

        Quais seriam esses outros retornos Uriel?
        Já vi que eles vendem alguns títulos para a TV Fechada, pois outro dia estava passando pelos canais e dei de cara com House of Cards

  • Gustavo

    A tendencia é cada produtor ter seu streaming próprio e a Netflix virar um “canal de TV comum” cada vez mais focado em suas próprias produções, Já já teremos que escolher entre assinar um pacote de tv a cabo ou assinar um punhado de serviços de streaming…nenhum dos dois é o ideal pra mim

    • Kaio

      É por isso que ela tem começado a investir cedo em produções originais.
      Acho que quando a concorrência chegar em peso aqui no Brasil e em outras regiões, pois nos EUA sabemos que possui, ela terá uma catálogo bom o suficiente para continuar se destacando.
      Ela tem concorrência por aqui, mas estes ainda estão crescendo e por enquanto sofrem com catálogo pequeno e qualidade de streaming regular.

    • David

      Enquanto houver torrent, isso não se tornará problema.

  • Renan

    Sinto falta de programação ao vivo e de conteúdo gerado por usuários na Netflix. São duas formas de aumentar a oferta de conteúdo sem estourar o orçamento.

    • Gaius Baltar

      O problema do ao vivo é concatenar os diversos fusos horários.

      • Renan

        Quem não puder assistir na hora vê a versão gravada. Youtube já faz desse jeito.

  • Uriel Dos Santos Souza

    A questão pra mim é que o povo só quer conteúdo dos EUA, no máximo da Inglaterra.

    A Netflix pode comprar filmes/séries do mundo todo, e ser um hub mundial.
    Com produções de quase todos os países do mundo. Africa, Oceania, etc. Conteúdo barato e claro, alguns de alta qualidade.
    Ela poderia investir em conteúdo ao vivo, por exemplo campeonatos do mundo todo (verdade) de todo tipo de esporte, não apenas futebol, eventos, shows, coberturas.
    E conteúdo de usuários (igual Youtube).

    Acho que assim teriam mais assinantes, sem empurrar conteúdo para ninguém.

    Mas o povo é bem bitolado, só quer enlatado. Sempre querendo a mesma coisa do mesmo lugar.

    Ai as empresas americanas querem seu filão de mercado. Já que vão pagar.

    • Deilan Nunes

      geralmente as obras de outros países tem qualidade inferior ás americanas,alem de que, filmes e series também são representações artísticas e que trazem consigo a cultura de onde é feita, por isso filmes orientais não fazem sucesso por aqui e os ocidentais também não conseguem ter os mesmo resultados la

      • CtbaBr©

        Mas seria interessante ter uma diversidade maior!
        Atualmente estamos “formatados” ao padrão Norte Americano, que de fato é o melhor, mas ver filmes e seriados de outras culturas ampliaria a nossa percepção do mundo!

    • Gaius Baltar

      Mas a Netflix já tem isso. Produções indianas, israelenses, australianas e até brasileiras.

  • Lucas Guerra

    Prevejo uma segmentação do mercado. Cada dia mais e mais distribuidoras resolvem abrir seu próprio serviço. No futuro, vamos gastar tanto quanto na TV a cabo para poder acessar conteúdos de distribuidoras diferentes, assim como ter diversos logins para cada tipo de serviço. Vai ser um pé no saco. =/