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Apple Watch Series 3 com 4G: mais independência

E mais dinheiro

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22 semanas atrás

Lançado em 2017, o Apple Watch Series 3 trouxe pequenas mudanças em relação ao antecessor, como um processador mais rápido, melhorias na assistente pessoal Siri e algumas novidades de software, como a possibilidade de monitorar exercícios de natação. O grande avanço foi o surgimento de uma versão com conectividade 4G, mas ela havia ficado restrita a poucos países.

Depois de quase um ano, isso finalmente mudou: em julho de 2018, a Apple trouxe ao mercado brasileiro o Apple Watch Series 3 GPS + Cellular, em parceria com a Claro — por enquanto, a única operadora brasileira a suportar a tecnologia. Ele tem o dobro de armazenamento da versão somente com GPS e pode ficar sempre conectado à internet, mesmo quando seu iPhone não estiver por perto.

Mas será que vale a pena gastar a mais para ter 4G no pulso? Eu passei as últimas semanas com o novo Apple Watch e conto minhas impressões neste breve review.

Em vídeo

O que é legal?

Uma conexão em qualquer lugar para um dispositivo que, até então, era totalmente dependente do smartphone, é o maior trunfo do Apple Watch Series 3 com 4G. Na teoria, é o mesmo relógio, só que com eSIM. Na prática, parece um produto novo, porque abre um leque de possibilidades: ele deixa você sair de casa sem o celular e sem perder praticamente nada.

Isso é útil para quem faz atividades mais intensas ao ar livre, especialmente corrida. Eu nunca gostei desses acessórios que permitem carregar o smartphone na cintura ou no antebraço; sem contar que, dependendo do tamanho do seu aparelho e de onde você mora, isso não é viável nem por questões de comodidade, nem por segurança.

Durante o exercício, o Não Perturbe pode ficar ativado para você não ser incomodado com notificações inconvenientes. Quando estiver voltando para casa, dá para receber SMS, fazer ligações e utilizar os apps para watchOS normalmente. E, claro, você pode ouvir músicas por streaming no Apple Music e pagar com Apple Pay mesmo se o iPhone estiver a quilômetros de distância.

Os apps para watchOS, aliás, são outro grande ponto positivo da plataforma. Em comparação com o Tizen (dos Samsung Gear) e o Wear OS (do Google), a Apple notavelmente tem maior suporte dos desenvolvedores e consegue oferecer um ecossistema mais completo. O fato de o Apple Watch ter um bom desempenho, em vez ficar engasgando como muitos relógios com Wear OS, também contribui com a experiência.

Você pode controlar uma apresentação do Keynote, acessar as tarefas do Todoist, consultar rotas de transporte público pelo Citymapper, escutar novos episódios de podcasts no Pocket Casts, ler mensagens diretas no Tweetbot e mais. Eu só encontrei uma exceção: Spotify. Mas, em regra, é bem provável que seu app preferido de iOS também tenha uma versão para Apple Watch.

O Apple Watch ainda deve dar uma força para quem é sedentário e precisa de um incentivo para se mexer. Em vez de focar apenas no número de passos, como outros wearables, a Apple escolheu uma saída interessante: a cada dia, seu objetivo é completar três círculos de atividade (calorias queimadas; minutos de exercício; e horas em pé). Tudo fica registrado no iPhone, e você desbloqueia Conquistas se atingir determinadas metas.

O design do Apple Watch Series 3 também me agrada por ser simples e funcional. Ele é bastante confortável no pulso, até por ser leve; e o fato de o visual ser neutro (com exceção da verruguinha vermelha na versão com 4G) permite que você utilize o relógio em praticamente qualquer situação: dá para colocar uma pulseira de silicone ou tecido no dia a dia, ou uma de metal em ocasiões mais formais.

E, claro, a coroa digital evita ter que passar o dedo na tela toda hora para rolar uma página ou ampliar um objeto. No final das contas, o display OLED, que tem excelente definição e ótima visualização sob a luz do sol, ainda vai ficar cheio de marcas de dedo. Mas é só esfregar o pulso na camiseta que as impressões digitais saem facilmente.

O que não é legal?

A bateria do Apple Watch Series 3 com 4G é decente… se você deixá-lo sempre ligado ao iPhone. Nesse cenário, eu sempre usava o relógio o dia inteiro (das 7h às 23h) e terminava com algo entre 40 e 50% de carga, uma marca que considero aceitável para um produto dessa categoria, com tela OLED de alta definição, suporte a aplicativos de terceiros, GPS e leitor de batimentos cardíacos sempre ativo.

Mas, quando o celular não está por perto e o Apple Watch é obrigado a se comunicar por Wi-Fi ou 4G, ele bebe a bateria de canudinho: eu não consegui mais do que 10 horas de autonomia, o que significa que, saindo de casa às 8h, o relógio para de mostrar as horas antes das 17h.

Em um teste mais extremo, monitorando uma atividade com GPS e ouvindo música no Apple Music por 4G, metade da bateria foi embora em pouco mais de uma hora, o que é bem ruim. Se você pensa em correr uma prova ou fazer um longão no final de semana escutando música por streaming, provavelmente vai se decepcionar.

Essa autonomia limitada acaba impedindo que a Apple coloque nativamente um recurso que considero importante: o monitoramento de sono. Com os sensores de movimento, o Apple Watch poderia detectar se você está com sono leve ou pesado e acordá-lo no momento mais apropriado, por exemplo. Hoje, isso é possível com apps de terceiros, mas você corre o risco de a bateria acabar antes do amanhecer.

Quem já usou um relógio para corrida também deve sentir falta de vários recursos. Não existe um alerta de ritmo, por exemplo, para me avisar com som ou vibração se eu estiver correndo a 5min50s por km quando deveria estar fazendo 5min30s por km. E o app de exercícios da Apple também não mostra a cadência (passos por minuto), algo que qualquer relógio básico tem — felizmente, esse recurso deve chegar com a nova versão do watchOS.

Minha outra crítica fica por conta da Siri. Ela já não é aquelas coisas no iPhone, com um reconhecimento de fala em português notavelmente inferior ao do Google Assistente, por exemplo. Mas, no Apple Watch, a Siri parece mais temperamental: tem hora que ela funciona bem, mas eu já me deparei inúmeras vezes com a mensagem “Te aviso quando estiver pronta” depois de dar um comando. Às vezes eu peço para fazer uma contagem regressiva de 1 minuto e, quando a Siri processa o comando, já se passaram 10 segundos.

Por fim, vale lembrar que migrar para um Apple Watch com 4G é um gasto duplo. Primeiro porque, no Brasil, ele é R$ 600 mais caro que a versão sem 4G. Segundo porque a única operadora brasileira que suporta o eSIM do Apple Watch, no momento em que escrevo este texto, é a Claro — só para clientes pós-pagos, e ainda assim cobrando um adicional de R$ 29,99 por mês.

Vale a pena?

Acho que eu nunca terminei um review de smartwatch dizendo categoricamente que o produto vale a pena, até porque a maioria tem os mesmos problemas: eles são caros demais (o preço chega a ser maior que o do seu smartphone); a bateria é limitada, especialmente nos modelos com watchOS, Tizen ou Wear OS; e eles estão muito longe de serem gadgets imprescindíveis na sua vida.

De qualquer forma, o Apple Watch Series 3 é o que chega mais perto de “valer a pena” para usuários de iPhone. Ele tem um visual bacana, tanto para homens quanto para mulheres; a tela é excelente em qualquer condição de iluminação; o watchOS é uma plataforma bem desenvolvida (embora ainda faltem recursos para corredores); e a integração com o iOS é a melhor possível. Se dinheiro não for um problema, quem ainda não tem um Apple Watch deve ficar bastante satisfeito com um.

Quem já tem um Apple Watch e está pensando se vale a pena migrar para a versão com 4G precisa colocar os custos na ponta do lápis: eu acho que R$ 600 a mais na compra do relógio e mais R$ 30 por mês só para mantê-lo conectado é muito dinheiro — inclusive, essa assinatura me parece bem injusta, ainda mais considerando que o relógio só se conecta à rede da operadora quando o iPhone não está por perto e não existe Wi-Fi no local.

É um produto bom, bonito e caro demais.

Especificações técnicas

  • Bateria: 279 mAh;
  • Conectividade: 3G, 4G LTE (bandas 3 e 7), GPS, Wi-Fi 802.11n, NFC, Bluetooth 4.2 LE;
  • Dimensões: 38,6 x 33,3 x 11,4 mm;
  • Memória interna: 16 GB;
  • Peso: 28,7 gramas (sem pulseira);
  • Plataforma: watchOS 4.3.2;
  • Processador: dual-core Apple S3;
  • Sensores: acelerômetro, giroscópio, luminosidade, batimentos cardíacos, barômetro;
  • Tela: AMOLED de 1,5 polegada com resolução de 340×272 pixels.