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Moto G8 Plus: sei lá o que aconteceu

Celular intermediário da Motorola escorrega em detalhes bobos, apesar de parecer bom no papel

Paulo Higa Por
Nota Final 8

A linha de celulares mais vendida da Motorola ganhou uma renovação mais cedo. Em oito meses, a empresa foi do Moto G7 Plus para o Moto G8 Plus, colocando mais câmeras, mais bateria, mais tela e renovando o design, abandonando o tradicional calombo “minion” para concentrar as lentes em um semáforo no canto do aparelho. Ele também chega mais em conta que o antecessor, com preço de lançamento de R$ 1.699.

Por esse valor, a Motorola oferece três câmeras para ver no escuro e filmar em ultrawide, um novo processador Qualcomm Snapdragon 665 e uma bateria de respeito com capacidade de 4.000 mAh. Será que vale a pena comprar o novo smartphone intermediário da Motorola? Eu usei o Moto G8 Plus como meu aparelho principal e conto minhas impressões nos próximos minutos.

Análise do Moto G8 Plus em vídeo

Design e tela

O Moto G8 Plus é um Moto G, mas se parece mais com os novos celulares da linha Motorola One. A empresa mudou consideravelmente o design do smartphone pela primeira vez desde o Moto G5, eliminando o calombo central das câmeras traseiras. E a versão azul safira, com um degradê que vai do preto para o azul escuro, agrada bastante aos olhos.

Motorola Moto G8 Plus - Review

A Motorola não inventou moda. O conector de 3,5 mm para fones de ouvido continua aqui, a porta USB-C é usada com o carregador TurboPower de 15 watts que acompanha o produto e o leitor de impressões digitais permanece na traseira — ele é rápido e confiável, diferente de celulares intermediários como o Samsung Galaxy A50, que se mostrou frustrante com o sensor biométrico sob a tela.

Motorola Moto G8 Plus - Review

A tela de 6,3 polegadas do Moto G8 Plus tem resolução Full HD+ e um notch discreto em formato de gota. Para um painel LCD, a qualidade é apenas satisfatória: o brilho pode desapontar na hora de usar o celular ao ar livre e o nível de preto não é tão profundo, deixando um aspecto acinzentado que fica evidente quando o recurso Moto Tela entra em ação, mostrando as notificações e o relógio em modo de espera.

Não é como se fosse uma tela ruim: os tons não ficam exagerados no modo de cor natural, o ângulo de visão é impecável e a definição não peca em nenhum momento. Mas a tela provavelmente é o menor avanço em relação à geração anterior: as concorrentes já começaram a apostar em telas OLED de qualidade superior na mesma faixa de preço.

Software

Motorola Moto G8 Plus - Review

O Moto G8 Plus vem de fábrica com o Android 9.0 Pie e todos os recursos da Motorola que os proprietários de Moto G conhecem, como os gestos para ligar a lanterna, abrir o aplicativo de câmera ou tirar um print. Este é um caminho seguro tomado pela Motorola: ele não tem nenhum recurso impressionante, mas em compensação as poucas adições em relação ao Android do Google funcionam bem.

Eu senti que o momento do lançamento do Moto G8 Plus foi um pouco ingrato. A Motorola não promete mais as duas atualizações de Android na linha One, enquanto o Moto G não tem essa garantia pública há anos. Se ele chegasse ao mercado algumas semanas depois, provavelmente viria de fábrica com as novidades de privacidade e usabilidade do Android 10 e ainda receberia o Android 11.

Com esse timing, as esperanças de uma atualização em 2021 ficam bem menores, o que é uma pena para uma empresa que já teve fama de manter seus aparelhos mais atualizados que a concorrência.

Câmera

Motorola Moto G8 Plus - Review

As câmeras do Moto G8 Plus são uma espécie de casamento do Motorola One Vision com o Motorola One Action. A câmera de 48 megapixels com visão noturna e lente f/1,7 é a principal, enquanto a ultrawide de 16 megapixels serve como câmera de ação, para filmar na vertical e assistir na horizontal. De bônus, ele tem um sensor de profundidade para o efeito de desfoque de fundo e um foco automático a laser.

Motorola Moto G8 Plus - Review

Na teoria, ele tinha tudo para ser um campeão em fotografia no segmento intermediário: o Motorola One Vision, por exemplo, foi uma das gratas surpresas de 2019 para mim e mostrou que a marca estava no caminho certo. Só que o Moto G8 Plus me decepcionou profundamente.

Um dos problemas é o foco. Especialmente em ambientes escuros, a câmera do Moto G8 Plus demora para encontrar a distância correta do objeto e, por vezes, tira uma foto sem definição alguma. Isso chega a ser irônico, já que um dos principais chamarizes do aparelho é justamente um laser para auxiliar no foco. Fazia tempo que eu não encontrava esse tipo de defeito em um celular dessa categoria.

Motorola Moto G8 Plus - Teste de câmera

Motorola Moto G8 Plus - Teste de câmera

Motorola Moto G8 Plus - Teste de câmera

Além disso, o pós-processamento da Motorola é um “acerta e erra” constante. Neste ano, a empresa investiu em reconhecimento de objetos para melhorar as cores e o contraste automaticamente, mas com frequência o algoritmo acaba pesando a mão. Tirar uma foto subexposta com o Moto G8 Plus, sem definição nas áreas de sombra e com saturação exagerada, é mais comum do que eu gostaria. E o modo noturno às vezes força demais uma definição que não existe, deixando um aspecto muito artificial.

Motorola Moto G8 Plus - Teste de câmera

Motorola Moto G8 Plus - Teste de câmera

Motorola Moto G8 Plus - Teste de câmera

Motorola Moto G8 Plus - Teste de câmera

Motorola Moto G8 Plus - Teste de câmera

A Motorola também tomou umas decisões estranhas. A câmera frontal de 25 megapixels tira selfies com boa definição, mas só filma em Full HD, sendo que o Moto G7 Plus gravava em 4K. E a lente ultrawide na traseira só é acessível no modo de filmagem, o que me parece um desperdício de câmeras: seria ótimo poder fotografar com um campo de visão tão amplo.

Motorola Moto G8 Plus - Teste de câmera

Hardware e bateria

Motorola Moto G8 Plus - Review

O desempenho também foi um problema do Moto G8 Plus. Eu presenciei alguns engasgos que não esperava em um celular desse porte e que se tornavam mais frequentes no final do dia. E os jogos ficaram bem aquém do desejado: em Asphalt 9, mesmo com os gráficos no mínimo, foi comum ver travadinhas e partes com taxa de quadros muito baixa, como se a GPU não estivesse dando conta do recado.

Eu não consegui diagnosticar o problema: o processador Snapdragon 665 é bom na teoria, o chip gráfico Adreno 610 não é de se jogar fora e a combinação de 4 GB de RAM com 64 GB de armazenamento é suficiente para a maioria das pessoas. Sabendo do histórico da Motorola, testei a velocidade da memória flash e os números foram bons, com 103 MB/s de leitura e 77 MB/s de escrita.

Então, apesar de isso não fazer sentido algum, eu tive uma experiência pior que a do Moto G7 Plus, que é inferior em especificações técnicas. Existe uma possibilidade de falta de otimização de software, mas eu já havia instalado todas as atualizações antes de começar os testes.

E, para completar a série de “decisões estranhas da Motorola”, em 2019 nós tivemos avanços nas tecnologias de pagamento por aproximação: em algumas cidades brasileiras, já tem como pagar o ônibus ou metrô só encostando o celular na catraca. Sabe qual chip o Moto G8 Plus perdeu em relação ao Moto G7 Plus? Isso mesmo, o NFC.

Motorola Moto G8 Plus - Review

Mas todo celular tem seus pontos positivos e negativos. No caso do Moto G8 Plus, o mais positivo deles é certamente a bateria. A capacidade de 4.000 mAh enche os olhos e realmente faz diferença na prática. No meu dia de teste, tirei o aparelho da tomada às 7 horas, naveguei na web e assisti a vídeos no YouTube por cerca de 2h e escutei músicas por streaming por mais de 1h, sempre com brilho no automático e no 4G. Às 21 horas, a bateria ainda estava em 56%, um desempenho excepcional.

O carregador TurboPower de 15 watts também faz um trabalho competente, enchendo a bateria gigante em menos de 2h30min. De novo, tivemos um retrocesso aqui, já que o Moto G7 Plus vinha com um adaptador de 27 watts na caixa — mas, como você só vai carregar o aparelho uma vez por dia, não é como se fosse o maior pecado do mundo.

Vale a pena?

Motorola Moto G8 Plus - Review

Provavelmente não. Eu analiso o Moto G desde a primeira geração, de 2013, que foi talvez o maior acerto da Motorola no mercado de smartphones em toda a década. Mas, de todos os Moto G Plus que já testei, o Moto G8 Plus foi o mais decepcionante até agora.

Em todos os dias em que usei o Moto G8 Plus como meu smartphone principal, fiquei com a sensação de falta de refinamento, como se a Motorola tivesse corrido contra o tempo para colocar o aparelho no mercado o mais rápido possível, sem prestar atenção nos detalhes, só para tentar apresentar alguma novidade em uma linha que sempre vendeu muito.

Sim, a bateria maior é uma excelente notícia. A nova disposição das câmeras traseiras deu um respiro de novidade ao Moto G. E o software é o mesmo de sempre, para continuar deixando todo mundo familiarizado. Porém, o desempenho é inconsistente e a câmera tem capacidade para tirar fotos boas, mas só quando quer. E as decisões controversas da Motorola, como a remoção do NFC em pleno 2019 e a câmera frontal que não filma mais em 4K, não ajudam em nada.

O Moto G é o carro-chefe da Motorola, mas, para quem quer um bom smartphone intermediário da marca, eu partiria para o Motorola One Vision. O antecessor, Moto G7 Plus, é uma opção mais segura e pode ser interessante para economizar um bom dinheiro. Na concorrência, o Samsung Galaxy A50 é uma alternativa: não tem as melhores câmeras e o leitor de impressões digitais na tela é questionável, mas pelo menos é mais barato.

Não dá para ficar parado no tempo porque a concorrência é cruel. Mas correr demais também pode ser muito ruim para os usuários.

Moto G8 Plus

Prós

  • A versão azul é lindona
  • Bateria dura bastante e tem carregamento rápido

Contras

  • Câmera tira fotos razoáveis para um intermediário, mas tem miopia
  • Desempenho inconsistente, mesmo sendo potente na teoria
  • Motorola, volta com o NFC para pagamentos!
  • Tela poderia ser mais brilhante
Nota Final 8
Tela
8
Design
9
Câmera
7
Bateria
9
Software
8
Desempenho
7
Conectividade
8

Especificações técnicas

  • Bateria: 4.000 mAh com carregamento rápido de 15 watts;
  • Câmera frontal: 25 megapixels (f/2,0);
  • Câmeras traseiras:
    • Principal: 48 megapixels (f/1,7) com modo Night Vision;
    • Ultrawide: 12 megapixels (f/2,2) com modo Action Cam;
    • Sensor de profundidade: 5 megapixels (f/2,2);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11a/b/g/n/ac, GPS, Glonass, Galileo, Bluetooth 5.0, rádio FM, USB-C;
  • Dimensões: 158x76x9,1 mm;
  • Memória externa: entrada para microSD de até 512 GB;
  • Memória interna: 64 GB;
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Peso: 188 gramas;
  • Plataforma: Android 9.0 Pie;
  • Processador: octa-core Qualcomm Snapdragon 665 de até 2,0 GHz com GPU Adreno 610;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, giroscópio, bússola, leitor de impressões digitais;
  • Tela: IPS LCD de 6,3 polegadas com resolução de 2280×1080 pixels.

Comentários

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Kleberson Campos

Eu ia de MI A3. Mas o sistema puro me desanimou. Mas é show de bola mesmo!

Jhone Cley

Superior tbm pra mim... Mas como tava com pouco dinheiro, fui pro Mi A3, que é a mesma coisa, só muda a tela e impressão digital

Firmino .

Ruim do Iphone é a bateria.

Claudete Faria

eu amu a motoorl

Maurício Costa

Vergonhoso esse telefone...

Pereira

Tem gente que gosta de se iludir, defendendo marca mesmo quando a marca carca no rabo deles.

Pereira

Em 2017 resolvi pegar um Moto Z2 Play do que um Galaxy S7. Exatamente o mesmo preço. Nem preciso dizer que me arrependi, né.

Pereira

E tem 3 trouxa que defendem essa jogada escrota da Samsung. Já desbloquearam o bootloader pra instalar o xposed e o greenify pra ver se resolve o problema da bateria? Kkkkkkk

Pereira
Já tive iPhone e não vi nada demais.


Opa, desculpa aí. Já que você não viu nada demais, vou ali vender meu iphone então pra comprar o telefone que você acha que eu devo usar... kkkkkkk

É cada um que me aparece. Por mim você pode usar Android, Windows Phone, Iphone ou Nokia tijolão, to obrando, velho. Usa o que acha melhor.

A verdade é que tem um milhão de ofertas android hoje. Uma dezena vale a pena, dessa dezena, 2 vendem no Brasil, os outros 8, via mercadolivre ou vendedores escusos, ou importando. Não, obrigado.

zoiuduu .

queria ser japones pra num ter essa disgrama de barba afff

Kleberson Campos

Ainda fico com meu Xiaomi Redmi Note 8

Vitor

A lógica de mercado (e projeto) dos chineses às vezes parece uma coisa bizarra. Tirar de um ano pra outro a filmagem em 4K, NFC (algo tão barato, colocar um conjunto de câmeras pior.
Ainda mataram o G7 com poucos meses de vida, ora... porque não trouxeram o G7 Plus com um processador "apimentado"?

Exceto a bateria, pioraram o aparelho. É aquela coisa, Android só vale a pena top de linha, os erros são bem menores.

Por esse motivo comprei um Note 9 no início de 2019, valeu cada um dos R$3000 pagos.

Pereira

Eu nem vendi o meu Moto X. Deixei como celular reserva e hoje ainda me dá vontade de usar quando vou fazer algo nele. A pegada é boa, o formato, tamanho de tela, a qualidade da tela... mano, que celular. A única coisa negativa dele é a velocidade da memória flash, é uma lentidão pra instalar apps etc. E o fato de não ter digital, que inviabilizaria pagamento por aproximação.

Agora que estou de iphone deixo ele configurado caso preciso de um app que não tenha pra iphone ou não funcione direito no iphone (Estou olhando pra vc, Caixa Habitação)

Pereira

Eu tenho certeza. Caso a Motorola estivesse no Google ainda, os Pixels teriam sido lançados pela Motorola, tenho certeza.

Pereira

Seria a Samsung, mas com ela lançando aparelho em mercados diferentes com processadores diferentes, deixando os melhores para o mercado americano, fica difícil investir um valor razoável em um telefone que é pior que a versão dele de outro país.

Início do ano migrei pro iphone, não que seja perfeito, tá longe, mas ao menos mesmo nos erros eles tem consistência hahaha. E as câmeras, estarão sempre ali no topo. Mesmo um aparelho de 2017 dá coro no quesito câmera em intermediários de 2019. Eu achava que qualquer intermediário daria conta no quesito câmera hoje em dia, em condições de luz boas. Mas mesmo assim ainda tem aparelho que insiste em tirar fotos ruins com boa iluminação. E fotos com diferenças de contraste um pouco mais altas então, esquece, ou estoura a luz ou o escuro fica preto, quando não os dois.

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