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Guedes quer criar imposto sobre transações de banco via celular

Paulo Guedes quer tributar transações financeiras digitais, feitas através de apps de banco no celular e internet banking no PC

Felipe Ventura Por

O governo de Jair Bolsonaro ainda está flertando com a ideia de criar um imposto semelhante à CPMF: o ministro da Economia, Paulo Guedes, quer tributar as transações financeiras digitais, feitas através de apps de banco no celular e internet banking no computador. O objetivo é desonerar a folha de pagamentos.

Paulo Guedes (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Paulo Guedes, ministro da Economia

O ministro disse nesta quarta-feira (18) que avalia um imposto sobre transações digitais, já que operações financeiras pelo celular ficarão ainda mais comuns nos próximos anos. “Você nem vai passar mais em banco, vai transferir dinheiro pelo celular”, disse Guedes. “Como vai tributar essa transação digital? Tem que ter um imposto para transação digital.”

Para Guedes, esse novo imposto não seria semelhante à CPMF porque afetaria apenas as transações digitais. Inicialmente, o governo pretendia taxar os saques e depósitos em dinheiro, além dos pagamentos no débito e no crédito; a proposta foi engavetada por ordem de Bolsonaro e motivou até a demissão de Marcos Cintra, secretário da Receita Federal.

“A CPMF virou um imposto maldito, o presidente falou que não quer esse troço. Se ninguém quer, CPMF não existe”, disse Guedes. “A ideia de tributar não só consumo e renda como transações é uma ideia que consideramos desde o início. Nunca foi a CPMF, sempre foi um imposto sobre transações.”

O ministro acredita que a tributação sobre a folha de pagamentos é uma “arma de destruição em massa” dos empregos, e acaba empurrando muitos trabalhadores para a informalidade e prejudicando as contas da Previdência Social. “Ou deixamos [esses trabalhadores] entrarem e colaborarem, ou vamos buscar outros impostos”, disse Guedes.

Para ele, só há uma forma de desonerar a folha de pagamentos: encontrar uma fonte alternativa de impostos. Aí entraria o novo tributo sobre transações digitais. O Ministério da Economia diz, no entanto, que ainda não há nada definido.

“CPMF digital” pode atrapalhar fintechs e carteiras digitais

Itaú Iti

Pagamento via QR code do Itaú Iti

Como nota o Mobile Time, a “CPMF digital” seria um problema para o avanço de fintechs e carteiras digitais no Brasil, além de atravancar o projeto de pagamentos instantâneos que o Banco Central quer implementar a partir de 2020. Pior: isso motivaria os brasileiros a usarem cédulas, um meio mais ineficiente para pagamentos.

De fato, um imposto desse tipo poderia comprometer a utilização de pagamento por aproximação via NFC, como Apple Pay, Samsung Pay e Google Pay; além de dificultar pagamentos por QR code através de carteiras digitais como PicPay, Mercado Pago e Itaú Iti.

Segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), 40% de todas as transações bancárias — financeiras ou não, como atualização cadastral — foram feitas em 2018 através de dispositivos móveis; é o dobro do internet banking em navegadores desktop.

Com informações: Folha, G1.

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Israel Brito

Em nenhum momento propus a socialização dos meio de produção. Eu sei que o Estado não dá conta da dinâmica da economia, já foi tentado e falhou miseravelmente (China, Rússia, Cuba, tudo virou ditadura). Reconhecer que quem produz leite é a vaca e não o fazendeiro não me faz socialista. Quanto ao Estado inchado eu concordo com você. Deveríamos ter menos senadores, menos deputados, menos vereadores. Eles deviam receber não mais do que a média salarial do brasileiro. Nisso eu concordo com você. O Estado como está só beneficia os grandes latinfundiários, os bancos e os grandes empresários (através de subsídios, perdão de dívidas milhonárias etc). Estamos com a economia estacionada, com alto índice de desemprego, empobrecimento e dívida da população, e temos isso aqui: https://exame.abril.com.br/...

Maicon Paim

Kkkkkk. Nunca vi um pensamento tão socialista para alguém que diz preferir o capitalismo. Imposto é roubo, de vc, de mim, de todos nós. A solução nunca será aumentar ou manter um estado gigante, e sim diminuir e muito o Bananão para que as pessoas possam ter um mercado verdadeiramente livre e parar de sustentar funcionalismo público e uma educação, saúde e outros serviços pessimamente prestados, sem falar na roubalheira. E Educação financeira tem de graça para qualquer um que queira fazer um esforço intelectual para sair da corrida dos ratos.

Israel Brito

Filhinho, entenda, não sou contra empresários, eu trabalho para um e sou MUITO agradecido por ter esse emprego. Vivemos num sistema capitalista; que eu acho melhor que o comunismo/socialismo. Mas o sistema capitalista tem falhas. É um jogo de soma zero sim. O capitalismo gera escassez na abundância, fomenta/valoriza a competição. Eu te pergunto: quando você viaja, fica num hotel, quem é que lava os panos da cama, quem limpa o chão, quem limpa o banheiro, troca as toalhas? O dono do Hotel? Quem plantou os poste na rua da sua casa, quem passou os fios, quem se arrisca dando manutenção nas hidrelétricas e nas torres de transmissão, quem pôs o asfalto, quem leva seu lixo, quem costura suas roupas, quem montou as peças do seu carro, quem lhe vendeu seu carro, sua geladeira, sua tv. Quem dá aula para seus filhos. Quem cuida da sua saúde quando doente, o dono do hospital, ou os médicos e enfermeiros?... Há uma massa invisível (que eu faço parte) que faz a roda do capitalismo girar. É a força invisível fazendo tudo acontecer. São os trabalhadores que geram toda a riqueza. Quanto aos impostos, o trabalhador cuja renda é de até dois salários paga quase 50% de imposto. O patrão cuja renda é mais de 20 salários paga somente 17% de imposto. Se a renda passar de 50 salários os impostos baixam para 9%. Se o trabalhador paga metade do salário em imposto, por que os ricos não pagam também? Lembre-se que no Brasil não se recolhe imposto sobre dividendos e herança não passa de 5% (em outros países países se cobra mais de 40% sobre heranças). É uma disparidade. Tente fazer educação financeira com metade de um salário mínimo. https://epocanegocios.globo...
Em qua., 1 de jan. de 2020 às 10:23, Disqus <[email protected]> escreveu:

Maicon Paim

Se o trabalhador consegue se virar sem o empreendedor por que simplesmente não faz isso? Não existe isso de explorador e explorado. Um contrato de trabalho se dá simplesmente porque é benéfico para as duas partes. Se não fosse assim, por que alguém se sujeitaria a trabalhar para outro? Porranto, não é um jogo de soma zero em que um ganha e outro perde. Um depende do outro. Agora obviamente o empregado não vai receber o mesmo que o patrão, afinal quem é que teve a iniciativa de criar a empresa, quem investiu e assumiu os riscos e tem que pensar no negócio 7 dias por semana, pagar impostos sobre a folha de pagamento de cada um dos empregados é o empreendedor. Se o sujeito tiver que pagar 50% em impostos ele simplesmente fecha o negócio ou vai empreender em outro país, e todos perdem com isso. Quando escolhemos empreender, ser empregados ou acionistas, investidores sempre ficamos com os benefícios e os malefícios, riscos de cada uma das escolhas. E se a pessoa não está feliz sendo empregada, a saída é a educação financeira, não existe outra.

Luigi Lambri

Sim.

Tiago Celestino

O cara pedir que o atual governo se quebre já é indícios de que ele é adorador do Lula e do PT?

Só tem doido nesse país!!

Baio-kun

Belo argumento, merece um Pulitzer.

Jean Carlos

Esse homem deve estar louco e desesperado, só pode! Vai se f.u.d.e.r. com tanta ideia i.m.b.e.c.i.l. de querer criar novos impostos.

Gabriel Arruda

Não, estou criticando justamente isso, a ideia era tirar imposto sobre folha e lucros de empresa e descolar para a distribuição. Por que isso é diferente?

Porque gera o incentivo do empresário manter o lucro e reinvestir na empresa, além de dar mais margem para a pessoa jurídica trabalhar. Do jeito que está hoje, é mais interessante para o empresário retirar o máximo possível para não perder no futuro.

Gabriel Arruda

Não falei nada de PJ, inclusive critiquei que o BRasil taxa trabalho que são encargos trabalhistas e rendimentos das empresas.

Sobretaxar no IR e não taxar na distribuição gera um incentivo para o empresário tirar o dinheiro da empresa. Se o imposto sobre distribuição fosse alto e o IRPJ menor, as empresas teriam mais incentivos para reinvestir na própria empresa (novos mercados, pesquisa, etc..) ao invés de distribuir entre os diretores.

E, claro, todos os outros países são burros e a gente que é inteligente de taxar dessa forma.

Anakin

Tem gente que acha que eles fazem isso pra chamar atenção, eu discordo, acho eles doidos mesmo 😂

TukhMd

É tanta m* em tão poucas linhas.Parabéns.

Baio-kun

"significa que a expectativa de geração de valor das empresas listadas é positiva, e consequentemente elas devem empregar mais"

Não necessariamente, não estamos mais em 1980. Com o mundo de hoje, terceirização, exportação da mão de obra e automação, o crescimento das empresas não significa maior contratação de funcionários.

E o dólar só influencia porque o governo deixa, o que pessoalmente acho o certo de se fazer, se o governo quisesse, poderia subsidiar esses produtos(assim como já o faz com combustíveis) ou taxar exportações pra aumentar o comércio interno desses produtos.

TukhMd

Quais?

TukhMd

Exceto Amoedo e Álvaro Dias ,.todos os outros candidatos já foram ministros do novededos e da anta estocadora de vento.

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