Início » Computador » Notebook gamer XPG Xenia: unindo beleza e muito músculo

Notebook gamer XPG Xenia: unindo beleza e muito músculo

Ele tem uma GeForce RTX 2070 Max-Q, SSD muito veloz, Intel Core i7 de nona geração e corpo lindo, mas tem uma voz tão ruim

André Fogaça Por
Nota Final 8.2

De uns tempos pra cá o mundo de notebooks gamer vem crescendo e as opções de compra vão na mesma passada, oferecendo desde marcas conhecidas em outros segmentos, como é o caso da Samsung, indo para outras já estabelecidas como a Razer ou Alienware. Do lado das novatas temos a XPG, que é uma divisão da Adata e você já deve ter lido esse nome em alguma memória, SSD e afins.

Bem, ela resolveu criar o  XPG Xenia, que tem nome complicado de ser falado em praticamente qualquer idioma, mas que tem certeza que desempenho forte e beleza podem andar juntos. O notebook entrega uma GPU Nvidia GeForce RTX 2070 com 8 GB só para ela, processador Intel Core i7 de nona geração, SSD bem veloz, teclado mecânico e um sistema de ventilação curioso, além de eficiente. Será que tudo isso bate bem com os games e, principalmente, vale a pena?

Eu passei as últimas semanas jogando bastante (e trabalhando também né) com ele e te conto minha experiência nos próximos parágrafos.

Análise do XPG Xenia em vídeo

Aviso de ética

O Tecnoblog é um veículo jornalístico independente de tecnologia, que ajuda as pessoas a tomarem sua próxima decisão de compra, desde 2005. Nossas análises de produtos são opinativas e não possuem nenhuma intenção publicitária. Por isso, sempre destacamos de forma transparente os pontos positivos e negativos de cada produto.

Nenhuma empresa, fabricante ou loja pagou ao Tecnoblog pra produzir esse conteúdo. Nossos reviews não são revisados nem aprovados por agentes externos. O XPG Xenia foi fornecido pela XPG por empréstimo e o produto será devolvido à empresa após os testes.

Design e acabamento

xpg xenia costas

Se eu escuto notebook e gamer na mesma frase, fico imaginando aquela árvore de natal, cores gritantes e ângulos retos que abrem mão de beleza para o cotidiano que vai além da jogatina. Esse não é o cenário do Xenia, que vem com corpo feito em liga de magnésio na cor preta, é fosco e tem toque áspero. As linhas sim são retas e em um visual que me lembra muito um ThinkPad – ou até um Razer Blade.

O único detalhe que deixa claro o público deste notebook fica em uma faixa iluminada que está na frente da parte inferior. Os LEDs daqui podem ser configurados em outras cores, ou mesmo desligar tudo. O teclado é mecânico, mas dos mais silenciosos e tem sim um LED para cada tecla, que pode ficar no modo árvore de natal ou então apenas em teclas iluminadas pra digitar na noite, antes do corujão. Nossa, revelei a idade.

xpg xenia faixa

Enfim, a iluminação é bacana, mas do outro lado fica a cor da letra na tecla que é transparente. É ótimo paraa luz passar sem obstáculos, mas se você resolver abrir o notebook no escuro e não iluminar o teclado, não vai identificar nenhuma das teclas. Fica tudo preto.

xpg xenia teclado

Isso não é bem um ponto negativo, já que o propósito do notebook é para deixar a luz piscando. Então ok, é só não desligar a iluminação em momento algum. Falando ainda do teclado, parte da área onde o ar é puxado para resfriar os componentes é nele e isso me surpreendeu.

Duas ventoinhas fazem o ar entrar no entorno das teclas W, A, S e D, além das setas no outro lado. É justamente onde os dedos do jogador vão ficar e por conta do ar entrar por estes espaços, entre as teclas, mesmo com a GPU batendo em 80 graus, os dedos não esquentam, nunca. Parabéns, eu adorei essa técnica.

xpg xenia usb cartao sd

Em portas, tudo fica espalhado. São duas USB-A 3.1 e leitor de cartões SD de um lado, com uma USB-A 3.2 e entrada pra fone de ouvido e microfone do outro.

usb e fone

Na traseira ficam as entradas de energia do grande carregador de 230 watts, uma HDMI, uma porta de rede e uma entrada Thunderbolt 3.

xpg xenia fundos

Aberto, o touchpad é grande e de vidro, enquanto a câmera frontal, que fica espremida no topo, tem resolução de 720p e infravermelho para o Windows Hello funcionar numa boa.

Tela

Já que o notebook abriu, a tela é um show a parte. O painel é um LCD IPS de 15,6 polegadas, com taxa de atualização de 144 Hz em resolução Full HD. O tempo de resposta é de 3,8 ms e a cobertura de cores é de 99% do sRGB. Pode não ser o melhor pra trabalhar com cores, mas é espetacular pra jogar com fluidez generosa e sem nenhuma aberração cromática perceptível.

É uma pena que o áudio não segue a mesma surpresa positiva. Ele é ruim, muito ruim é top do ruim. Todos os sons saem praticamente sem nenhuma presença de graves e nem de agudos, tudo no médio exagerado e com som que parece o de um rádio de pilha dos anos 80 do seu avô. É horrível, mas como o sistema de resfriamento é extremamente barulhento, chegando em quase 70 decibéis, você certamente vai jogar com fones de ouvido e o problema do som some.

Minha dica é: utilize fones de ouvido sempre, até quando não estiver jogando. Ou então coloque caixas de som externas, qualquer sistema de som do mais barato vai ser melhor do que as caixas de som do XPG Xenia.

Games

Chega de falatório, vamos para os games. Antes de falar em taxas de quadros por segundo, vale listar o que está por dentro, que é uma GPU GeForce RTX 2070 Max-Q com 8 GB só para ela, processador Intel Core i7 9750H com TDP de 45 watts, junto de 32 GB de RAM DDR4 e um SSD XPG SX8200 Pro em NVMe 1.3, que tem 1 TB, está em uma porta PCI express Gen3x4 e alcança velocidades de mais de 3 GB por segundo na leitura e pouco menos do que isso na escrita.

Tudo isso controlado pelo Windows 10 que abre qualquer app ou programa como se fosse um smartphone topo de linha. Clicou, abriu e isso vale até para imediatamente após o boot, que não leva mais do que seis segundos.

Eu rodei todos os games na tela do próprio notebook, na resolução nativa dela, que é 1080p (1920 x 1080 pixels) e com ray tracing ativado em jogos que oferecem este recurso, ok? Então tá.

Começando por títulos leves, coloquei Heroes of the Storm, MOBA simples da Blizzard que conseguiu ficar travado nos 144 fps de limite do próprio display por muito tempo, quando estava com tudo no máximo possível, o que garante que ele subiria este dado sem dificuldades. Quando a taxa caiu, não ficou abaixo de 100 fps não.

Continuando na Blizzard, coloquei Overwatch, que é muito mais famoso e nem por isso ele é pesado demais. A mesma coisa aconteceu, com V-Sync atuando nos 144 fps e que pouco desceram. Tudo estava no épico e a renderização em 100% dos pixels do display.

xpg xenia far cry 5

Seguindo ainda em tiro em primeira pessoa, abri Far Cry 5 com tudo também no máximo e texturas em HD, com 100 fps de média. Um véio de guerra sobe no cavalo em The Witcher 3 que girou entre 70 e 80 fps com tudo no talo. Continuei com Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint e que conseguiu entre 50 e 70 fps também com tudo no máximo, cenário muito semelhante ao que The Division 2 marcou.

xpg xenia assassins creed odyssey

Assassin’s Creed Odyssey chega colocando mais desafio. O game de mundo aberto do mundo grego marcou entre 45 e 50 fps na configuração dos gráficos no máximo, enquanto que baixando para o “muito alta”, que é logo abaixo, as médias ficaram entre 50 e 60 fps. GTA 5 oscilou entre 50 e 80 fps, com densidade demográfica no máximo e gráficos neste patamar também.

Entrando no mundo dos reflexos e luzes em tempo real do ray tracing, coloquei o Warzone de Call of Duty e que marcou entre 80 e 100 fps com todos os efeitos ligados, sem dó. Battlefield 5 nas mesmas configurações marcou entre 40 e 60 fps, com 10 fps extras quando o DLSS era ativado.

shadow of the tomb raider

Control pega pesado, bem pesado. Foram médias de 30 ou 40 fps sem DLSS e entre 60 e 70 fps com a inteligência artificial para upscalling ativada, sem queda perceptível na qualidade gráfica. Fechando, Shadow of the Tomb Raider ficou com 30 fps ou abaixo no Ultra, com margem pra algo entre 40 e 90 fps com o DLSS habilitado.

Ah, claro, como todo notebook o XPG Xenia vem com bateria. Ela tem seis células e você só consegue ativar todo o poder de processamento da GPU com o portátil na tomada. Dá para usar fora dela? Dá. Colocar algumas abas do Chrome e alguns apps abertos ao mesmo tempo faz a energia sumir do corpo em menos de seis horas, sem ativar o modo de economia de energia do Windows 10.

Foi a autonomia que eu consegui quando passei em reunião no Google Meet por uma hora e meia, escutei uma hora de podcast no app Pocket Casts do Windows 10 e fiquei com ao menos oito abas abertas do Chrome o tempo todo. A máxima de notebook gamer continua aqui: quer jogar? Vai para perto da tomada.

Conclusão

Antes de começar a falar se vale ou não a pena, é necessário lembrar que todo notebook gamer tem preço alto e o XPG Xenia não é exceção não. Com tanto poder de fogo do lado de dentro, junto de foco em beleza que é raro ver em um produto deste e que pode fazer o notebook ficar bonito em uma sala de reuniões, o custo fica lá pra cima. Coloque isso em um detalhe que me chamou atenção, que é o tamanho dele. O Xenia é menor do que o meu Dell G7 com uma GTX 1060, além de ser mais leve também e ter tela com bordas muito mais finas.

xpg xenia fechado

Tudo isso tem preço e neste caso é de R$ 22,5 mil, mas que não é tão difícil assim encontrar por valores inferiores. Por enquanto, no momento da publicação deste review, apenas dois varejistas vendem o XPG Xenia e com preços muito diferentes pra exatamente o mesmo modelo, com as mesmas configurações. Ele vai desde o valor que escrevi nas linhas acima, descendo para R$ 15 mil se você pagar no boleto no outro varejo, com R$ 700 de juros para o parcelamento acontecer no cartão.

São poucos os notebooks com RTX 2070 no mercado brasileiro, basicamente existindo apenas a Avell com especificações semelhantes. Neste concorrente, o A65 RTX acaba perdendo no SSD que oferece metade da capacidade e não é tão veloz, além de ter acabamento sem a liga de magnésio, indo para o alumínio e com mais peso.

Outro concorrente está na Dell, com o Alienware Area 51M R2, que pode custar até o dobro se você considerar o valor de R$ 15 mil – sim, a mesma configuração deste Xenia custa R$ 30 mil lá na Dell. Então, sim, o Xenia é caro, mas no mercado dele é a melhor opção que existe. O modelo me agrada bastante, mas ainda assim fico com a sensação de que a qualidade das caixas de som poderia ser muito maior, principalmente por estarem em um computador tão caro.

Não precisa ter aquele cuidado que MacBooks utilizam em som balanceado e com graves presentes, era só colocar uma caixinha de som de smartphone que já resolvia. E olha que caixinha de som de celular topo de linha é bem menor, ocupando menos espaço do que os dois falantes por aqui.

Notebook gamer XPG Xenia

Prós

  • Desempenho generoso
  • Acabamento belíssimo
  • Thunderbolt 3 permite upgrade de GPU (por eGPU)
  • Resfriamento eficiente
  • Tela de 144 Hz é muito boa

Contras

  • Caixas de som são horríveis
  • Teclado exige iluminação o tempo todo
Nota Final 8.2
Tela
9
Design
10
Bateria
8
Software
9
Desempenho
9
Conectividade
8
Som
4
Teclado
8
Trackpad
9

Especificações técnicas – XPG Xenia

  • GPU: Nvidia GeForce RTX 2070 Max-Q com 8 GB de GDDR6
  • Tela: LCD IPS, 15,6 polegadas, resolução de 1920×1080 pixels
  • Processador: hexa-core Intel Core i7-9750H (nona geração)
  • RAM: 32 GB de DDR4 2.666MHz
  • Armazenamento: SSD XPG SX8200 Pro M.2 22×80 PCIe Gen3x4 NVMe de 1TB
  • Bateria: 94 Wh
  • Conectividade: HDMI (1), Thunderbolt 3 (1), USB3.2 Gen 2×1 tipo A (1), USB 3.2 Gen 1 tipo A (2), Gigabit Ethernet, Bluetooth 5.1, Wi-Fi 6, conexão para fones e microfone
  • Outros: Leitor de cartão SD, slot para trava de segurança, teclado mecânico com luzes RGB, webcam de 720p, dois alto-falantes estéreos
  • Sistema operacional: Windows 10 Home
  • Dimensões: 356,4 x 233,6 x 20,5 mm
  • Peso: 1,85 kg

Comentários da Comunidade

Participe da discussão
9 usuários participando

Os mais notáveis

Comentários com a maior pontuação

Emanuel Schott (@Emanuel_Schott)

Muito caro. A Dell cobra metade do preço no G5 com uma GTX 2060.

² (@centauro)

Metade do preço mas vem com metade de RAM (que é expansível), metade de SSD, ~30% menos bateria (94Wh contra 60Wh), ~50% mais pesado (1,85kg contra 2,84kg), com uma placa de vídeo ~30% menos potente e teclado não mecânico.

Ou seja, cobram menos mas oferecem menos em troca também.

No fim, depende do seu orçamento e do que você precisa.

André Fogaça (@fogaca)

O único Dell com RTX 2070 no Brasil é o Alienware, custando R$ 30 mil. Isso está no review e no vídeo

@RODRIGO

Um carro ou notebook?? Preço salgado desse Alienware!

Emanuel Schott (@Emanuel_Schott)

Nada que justifique o dobro do preço. Um SSD NVME de 1TB custa R$1200, 16GB DDR4 custam mais R$600. A placa de vídeo é difícil precificar, mas no desktop uma 2070 custa R$800 a mais que uma 2060. Fica faltando R$8000 na diferença, creio que a bateria maior e o teclado mecânico não devem custar isso.

² (@centauro)

Se justifica ou não eu não sei, mas 1kg a menos é coisa pra caramba, o que não deve ser barato de conseguir.
E tem todo o custo do design, com esse sistema de resfriamento e sei lá o que mais.

Fora que tem toda a questão da estratégia de precificação de cada empresa, o que afeta um pouco também e dificulta a comparação direta.

De qualquer forma, eu vejo as duas opções como produtos do mesmo segmento mas de nível um pouco diferentes.

André Fogaça (@fogaca)

Lembrando que o notebook é um PC que já vem com tela (144 hz nesse caso), nobreak de horas e horas de uso (a bateria), teclado, mouse e vc pode colocar tudo isso numa bolsa pequena e levar pra onde quiser. Esse conforto tem custo.

Mateus B. Cassiano (@mbc07)

Por ser um notebook “gamer” eu adorei o design mais sóbrio e sem RGB pra todo lado. Só faltou ter um teclado numérico pra ser perfeito…

Emanuel Schott (@Emanuel_Schott)

Sim, sim… mas não tô comparando com preço de desktop. Tô comparando com outro notebook.

Mafiotecano (@Mafiotecano)

E pensar que eu paguei 5000 num Dell G7 (i7 8750H, 16GB RAM DDR4, GTX 1060 e HDD 1Tb) a menos de dois anos…

Sérgio (@trovalds)

O povo só se esqueceu de ler o review (ou prestar atenção no vídeo) no inerente a carcaça, que é de liga de magnésio. Isso por si só já eleva o padrão do notebook em comparação aos concorrentes, que usam alumínio ou mesmo liga plástica dependendo do fabricante.

No mais: fizeram um bom trabalho na questão de design, principalmente no quesitos espessura e peso. Ainda mais se tratando de um Intel com placa de vídeo dedicada.

Uma pena ser de 9a. geração enquanto já temos a 11a. geração à disposição dos fabricantes e a AMD com os seus Ryzen de 4a. geração tendo desempenhos absurdos em um corpo de notebook normal. E o teclado ABNT(2) faz falta.

Mais um infelizmente é a realidade da nossa moeda, que catapulta o preço lá pro espaço. Nos EUA, esse notebook custa US$ 1.699 (amazon.com). Aqui ele custa em torno de R$ 15.000 (parcelado), com desconto pra pagamento à vista.

E, curiosamente, o valor está… justo. Fazendo umas contas rápidas aqui pra importar ele diretamente sai praticamente o mesmo valor SE cobrados só os 60% federais.

André Fogaça (@fogaca)

É exatamente o meu Dell que falo no review, só que paguei uns 7 mil acho.

@teh

Metade da qualidade tb. QUnado vi pra comprar um dell g3 desisti. são tantos problemas relatados no forum que desanimou…

Emanuel Schott (@Emanuel_Schott)

Galera fala demais. Qualquer defeito de qualquer coisa na internet vira 10 vezes pior do que é na realidade. Não é comum ninguém elogiar um produto, mas é muito comum descer a lenha em qualquer defeito.

Eu tenho um G3 a uns meses. O unico defeito apresentado por ele foi o super aquecimento do processador caso eu deixe o Turbo Boost ligado. Qualquer jogo que abria, o processador eleva o clock acima dos 4Ghz e ele bate os 100ºC, dando queda de desempenho. Com o TB desligado, chega a no máximo 80ºC, bem comum em processadores de notebook, até os “não gamer”, sem sentir queda de desempenho nenhum. Da pra fazer undervolt e manter o clock máximo acima dos 2,5Ghz padrão, mantendo temperatura baixa, porém não senti necessidade de fazer isso.

De resto, não apresentou nenhum defeito que vi a galera reclamando, incluindo a dobradiça que em outros notebooks uma hora dessas já estaria folgada. Carrego o computador pra todo lado e ela segue firme, como estava quando comprei.

Emanuel Schott (@Emanuel_Schott)

Eu paguei R$5500 num G3 i7 9750H, 1660ti, 512GB SSD e 8GB RAM em março, logo antes do inicio da pandemia por aqui. Hoje não gasta menos de R$8000. Os preços subiram muito.

Exibir mais comentários