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Netflix promete mais séries e filmes originais após queda no crescimento

Base de assinantes da Netflix cresceu mais devagar; empresa planeja expandir conteúdo original via streaming para 2021

Felipe Ventura Por

A Netflix divulgou seu resultado financeiro do terceiro trimestre de 2020: a base de assinantes está crescendo mais devagar, assim como o faturamento. Para estimular o serviço de streaming, a empresa vai dobrar a aposta em conteúdo original: ela planeja aumentar a quantidade de lançamentos em 2021, tanto em filmes como em séries.

Netflix (Imagem: Bruno Gall De Blasi/Tecnoblog)

Netflix (Imagem: Bruno Gall De Blasi/Tecnoblog)

No final de setembro, a Netflix contava com 195,15 milhões de assinantes no mundo inteiro. A base teve 2,2 milhões de adições líquidas no terceiro trimestre, contra 6,8 milhões no mesmo período do ano passado.

Para a empresa, isso se deve aos recordes atingidos na primeira metade do ano, puxados pelo isolamento social durante a pandemia da COVID-19. “Acreditamos que nosso recorde de adições líquidas no primeiro semestre resultará em um crescimento mais lento na segunda metade deste ano”, diz a carta aos acionistas.

A Netflix conseguiu mais 28,1 milhões de clientes nos primeiros nove meses de 2020; enquanto isso, em todo o ano de 2019, foram 27,8 milhões de adições líquidas. Ela planeja fechar o ano de 2020 com pouco mais de 200 milhões de usuários pagantes.

Netflix terá mais séries e filmes originais em 2021

E para 2021, o plano é lançar cada vez mais séries e filmes exclusivos: o número de Originais Netflix deve aumentar a cada trimestre de 2021 em relação aos mesmos períodos do ano anterior.

Após uma paralisação devido à COVID-19, a empresa voltou a produzir a quarta temporada de Stranger Things, a segunda temporada de The Witcher e o filme de ação Red Notice, estrelado por Dwayne Johnson, Gal Gadot e Ryan Reynolds. Ela espera concluir as filmagens de mais de 150 outras produções até o final de 2020, inclusive na América Latina.

A Netflix também comenta a reorganização interna da Disney, que passou a focar ainda mais no Disney+ e em conteúdo para streaming: “estamos entusiasmados em competir com a Disney e um número crescente de outras empresas para entreter as pessoas; tanto os consumidores quanto os criadores de conteúdo se beneficiarão de nosso desejo mútuo de levar as melhores histórias para públicos em todo o mundo”.

Para provar que seus clientes gostam de conteúdo original, a Netflix divulgou estatísticas sobre seus lançamentos mais recentes. Ela adota uma medida peculiar: a quantidade de domicílios (não usuários) que escolheram assistir a pelo menos dois minutos (!) de uma série ou filme nos primeiros 28 dias após o lançamento.

Os filmes The Old Guard (ação) e A Barraca do Beijo 2 (comédia romântica) foram os títulos mais populares do terceiro trimestre. Confira a lista:

  • The Old Guard, filme estrelado por Charlize Theron: 78 milhões de domicílios
  • A Barraca do Beijo 2: 66 milhões
  • Cenas de um Homicídio: Uma Família Vizinha, documentário: 52 milhões (estimado)
  • Cobra Kai, baseado nos filmes de Karate Kid: 50 milhões
  • Ratched, série de Ryan Murphy: 48 ​​milhões
  • The Umbrella Academy, 2ª temporada: 43 milhões
  • O Dilema das Redes, documentário: 38 milhões
  • Lucifer, 5ª temporada: 38 milhões

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Helliton Soares Mesquita (@Helliton_Soares_Mesq)

Se a Netflix quiser crescer, é bom parar é justamente com as séries originais. Uma pior que a outra, claro tem exceções quando é feita com grandes produtoras como a Warner. Mas original com cara de Netflix é uma porcaria. E outros serviços de streaming por ter conteúdos antigos mas de qualidade é mais vantajoso.

🤷‍♀️ (@xavier)

A Netflix precisava mesmo é um planejamento melhor antes de lançar as séries.
Hoje a notícia que a Away, recentemente lançada, não será renovada e talvez não tenhamos um final pra encerrar a história.

Cara, ficar falando isso é tão 5ª série. Se você não gosta do conteúdo, não assina e ponto. Todo “canal” de streaming vai ter conteúdo bom e conteúdo ruim, e a máxima piegas é aplicável aqui: não é possível agradar todo mundo.
Se fosse mesmo tão ruim, a base de assinantes não continuaria crescendo.

Felipe Insfran (@felipous)

Discordo. O problema são os cancelamentos precoces e que acontecem com muita frequência, pois a qualidade do conteúdo é algo bem pessoal. O que agrada você pode não me agradar, e vice-versa.
Aliás, se o conteúdo das outras plataformas fosse tão superior assim elas estariam roubando usuários da Netflix né? Não tá acontecendo.

Breno (@bbcbreno)

Ela precisa prometer finalizar suas séries, isto sim!

É tão fácil: ao invés de parar uma temporada com a história toda escancarada de aberta, sem pé nem cabeça… Finaliza a porcaria da história no último episódio da série. Se por ventura cancelar… pelo menos a história vai estar fechada e podemos considerar uma série finalizada e não cancelada.

seinper capi (@seinper_capi)

O problema está longe de ser a qualidade das séries, até porque o objetivo dela não é atrair marmanjo, e sim o pessoal mais jovem que tem tempo pra consumir o negócio. O problema é que ela fica cancelando séries que não vão dar retorno na terceira/quarta temporada, aí fica com um monte de produto morto na plataforma, que ninguém vai começar porque sabe que não tem um desfecho.

Toda semana tem hashtag no twitter com um “SaveSeries#”. A empresa tinha a fama de ressuscitar séries no passado e agora passa o machado nas próprias, sem desfecho, sem nada. As únicas que estão garantidas por um bom tempo são Stranger Things (até as crianças crescerem e ficarem estranhas) e The Witcher.

Esse modelo de cancelar séries que não darão retorno pra pagar séries que vão atrair pagantes num primeiro momento, mas que depois também se tornarão problemas, não me parece uma estratégia muito inteligente a longo prazo. Hoje em dia só assino por causa dos documentários.