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O que é NFT [non-fungible tokens]?

Saiba o que é NFT, os ativos digitais intangíveis em formato de token não fungíveis que estão movimentando milhões na Internet

Melissa Cruz CossettiPor

O noticiário em 2021 está bastante agitado, mas a venda de ativos NFT tem despertado o interesse de muita gente — não exatamente para comprá-los, mas para entendê-los. Criadores de memes, artistas digitais, músicos entre outras classes que navegam pela Internet já faturaram milhões com a venda de tokens não-fungíveis; saiba o que é NFT.

O que é NFT?

O NFT (Non-Fungible Tokens) é uma tecnologia de tokens não fungíveis. Se usarmos o significado de token como símbolo e aplicarmos o conceito de fungibilidade (um atributo de bens adquiridos que podem ser substituídos por outros similares), podemos entender o NFT como um bem diferenciado, contendo dados que os tornam únicos.

Intangíveis: a venta de ativos de tokens não-fungíveis na internet (Imagem: Cherry Laithang / Pexels)

Intangíveis: a venta de ativos de tokens não-fungíveis na internet (Imagem: Cherry Laithang / Pexels)

Ou seja, não fungíveis (não substituíveis).

Uma informação diferente gravada em cada ativo NFT o torna um produto diferente dos outros e é por isso que eles não podem ser substituídos. Eles não podem ser trocados por iguais, porque não há dois iguais. Basicamente, é como vemos uma obra de arte.

Sendo assim, um registro NFT transforma basicamente qualquer coisa do universo digital (uma música, uma arte gráfica ou até um tweet) em um ativo único, exclusivo e com autenticidade segura por uma rede blockchain imutável, como criptomoedas.

Falando em blockchain, o uso dessa tecnologia no registros dos ativos também torna os tokens NFT imutáveis. Se pensarmos fungível como algo que pode ser gasto ou consumido, contrapomos com o não-fungível o conceito de tokens também eternos.

O que o blockchain tem a ver com isso?

A tecnologia de blockchain é mais conhecida como sinônimo de serviços financeiros, mas você pode se surpreender ao descobrir que esse universo quase que totalmente fintech também abriu caminho também para uma nova indústria artística com tokens.

Blockchain é o futuro das transações seguras (Imagem: Pascal Bernardon / Unsplash)

Blockchain é o futuro das transações seguras (Imagem: Pascal Bernardon / Unsplash)

Já falamos sobre blockchain aqui no Tecnoblog, a tecnologia deu os seus primeiros passos junto com a criptomoeda, um sistema financeiro eletrônico peer-to-peer, o bitcoin. Ela foi criada para, entre outras coisas, prevenir o gasto duplo dos valores reais.

Num ambiente digital, dados podem ser copiados, alterados e trocados. O blockchain foi a solução para eliminar as duas primeiras características. Uma pessoa não pode gastar 1 BTC duas vezes ou dizer que enviou 10 BTC mas transferir apenas 0,01 BTC.

Mas, quem confere isso?

Bem, a tecnologia de blockchain pode ser explicada como um livro público (um livro contábil) que faz o registro das transações de moeda. Sendo o blockchain uma rede que funciona com blocos que sempre carregam uma impressão digital, o bloco seguinte também vai conter a impressão digital do anterior, mais o seu próprio conteúdo e, com essas duas informações, gerar sua própria impressão digital; conferível por todos.

A aplicação do NFT na arte leva o uso do blockchain muito além do normal, para moedas digitais. A lista dos usos possíveis da tecnologia é praticamente infinita.

Cryptokitties

NFT não nasceu ontem e já tem algum passado. Em dezembro de 2017, os gatinhos animados Cryptokitties da empresa canadense Dapper Labs estrearam como itens de coleção negociáveis, funcionando basicamente como cartas Pokémon da Era Bitcoin.

Cada imagem foi associada a uma sequência única de dígitos que poderia ser negociada na plataforma de blockchain da Ethereum como um título de propriedade — concedendo ao proprietário o direito objetivo de posse de um determinado gatinho.

Cryptokitties não foi exatamente uma febre, mas chegou viralizar entre os criptoiniciados e as transações relacionadas aos gatinhos foram responsáveis por agitar mais ou menos as transações de Ethereum. De lá para cá, mais itens ganharam tokens.

Arte e token

Artistas digitais — ou que digitalizam suas criações — historicamente enfrentam dificuldades quando se trata de proteger direitos autorais online. Usando tokens não fungíveis em parceria com contratos inteligentes, que permitem incluir atributos detalhados como identidade do proprietário, metadados e link seguro, fica mais fácil.

Sejamos sinceros, parece inacreditável: pagar pela propriedade simbólica de um conteúdo digital hospedado em algum lugar da internet vai de encontro ao modus operandi já conhecido em que se baixa absolutamente tudo com um clique, a custo zero.

Os evangelistas do NFT acreditam que a tecnologia pode resolver exatamente esse problema: a quase impossibilidade de monetizar obras de arte digitais, atribuindo um valor à arte digital, que até então não tinha reconhecimento nos leilões online.

Arte Digital (Imagem: Ivan Samkov / Pexels)

Arte Digital (Imagem: Ivan Samkov / Pexels)

Quem vende NFTs?

Citamos, também, alguns casos que se tornaram emblemáticos sobre a a agitação em torno dos TNFs. O youtuber americano Logan Paul criou uma arte dele mesmo segurando cartas de Pokémon e tokenizou. Aos compradores, determinou que um estoque de três mil unidades custava 1 ether (ETH) cada; faturou mais de US$ 5 milhões.

A cantora Grimes criou um conjunto de obras de arte digitais que foram a leilão e, entre algumas das peças únicas com token não fungível e outras com milhares de cópias disponíveis, a artista canadense vendeu cerca de US$ 6 milhões num único evento.

A banda Kings of Leon tornou-se a primeira banda a registrar um álbum em NFT. O mais recente álbum “When You See Yourself” sairá em todos os streamings de música tradicionais, mas também estará disponível como um NFT na plataforma YellowHeart.

O clássico meme “Deal With It” foi registrado como ativo digital e leiloado pela NFT Foundation. Com lances em ether. a peça foi vendida por 15 ETH, ou US$ 22 mil.

E se não bastasse, Jack Dorsey, cofundador e CEO do Twitter, tokenizou um tweet. O primeiro post do executivo está sendo leiloado com a oferta de até US$ 2,5 milhões.

Parece não haver limites para o que — mesmo intangível — pode ser vendido em NFT.

Quem compra NFTs?

Evidente que qualquer pessoa pode ver fotos de obras caras na internet; mas é a propriedade sobre elas que cria valor. Com NFTs, você não apenas tem a propriedade, com a tecnologia de blockchain você tem propriedade de forma pública e transparente.

Museu do Louvre lotado (Imagem: Jill Evans / Pexels)

Museu do Louvre lotado (Imagem: Jill Evans / Pexels)

Desde especuladores que compram os primeiros ativos NFT na esperança de valorizarem, até grandes proprietários de criptomoedas que querem “patrocinar a arte digital”, há todo tipo de gente interessada. E se antes as artes digitais recebiam críticas por serem simples ou sem apelo, a agitação pode trazer ao mercado novos nomes.

Como colecionadora de vinis que sou — daquelas que valoriza séries limitadas, numerados e bootlegs — lembro que a febre em torno dos ativos NFTs é acrescida de dois ingredientes importantes: é uma tecnologia nova e que também é colecionável.

Como uma tecnologia que ascendeu na nova década, naturalmente os ativos digitais exclusivos vão chamar a atenção das pessoas que já trafegam no meio. Outro ponto importante é o caráter colecionável desses ativos. Colecionadores como eu valorizam muito itens limitadíssimos e exclusivos e essa raridade toda desperta mais emoções.

Com informações: Wired e Art

Tecnocast 184 – Tudo o que você precisa saber sobre NFT

Nesse episódio conversamos com o artista digital Uno de Oliveira e o cofundador da Escola Cripto, João Hazim. Eles nos contam tudo sobre os NFTs. Dá o play e vem com a gente!

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André Gorgen (@Banana_Phone)

Eu ainda acho algo bem ridículo isso aí, talvez com um Tecnocast falando sobre isso por uma hora eu mudasse minha opinião, mas já é a terceira matéria que leio sobre isso tentando entender o que levaria alguém a pagar por isso mas não entra na minha cabeça.
Quando eu vi que o primeiro tuíte tinha sido anunciado, eu achei que o comprador poderia editá-lo e colocar publicidade lá, então quando alguém fosse buscar pelo tuíte mais antigo veria algum link ou imagem, mas não, é simplesmente algo sem sentido que algumas pessoas com dinheiro sobrando estão pagando.

² (@centauro)

Algo que pode virar um problema nesse inicio da popularização de NFTs é basicamente o de roubo de autoria.
Eu lembro de ter visto uma discussão no Twitter sobre arte de usuários do Twitter (gente que faz arte e posta no Twitter para divulgar) sendo transformadas em NFTs e vendidos por terceiros. Isso pode gerar um problema de confiança.

É tão ridículo quanto alguém aceitar pagar milhões pela primeira edição de uma carta de Magic ou de Pokemon, ou pagar mais pela edição limitada de alguma coisa.
Pra algumas pessoas essa limitação que torna um item raro (se não único) tem valor e existe um mercado pra isso.
O que o NFT faz é trazer essa limitação para o mundo digital.

Tiago Jeronimo (@TiagoJL)

Ou seja, é um novo jeito de enganar trouxas.

Thiago O. Lopes (@lopesth)

Escassez artificial é coisa para enganar otário, sempre foi e sempre será.

² (@centauro)

Enquanto tiver uma corrente de supostos otários dispostos a pagar um extra por essa escassez, o mercado vai continuar existindo.

Eu não ligo e não julgo quem vê valor nisso.

André Gorgen (@Banana_Phone)

Mas a carta é algo que só você tem acesso, ela tem um valor mais alto ou mais baixo de acordo com o estado de conservação. Um tuíte está disponível para todo mundo, se pelo menos você pudesse comprar o tuíte e colocar seu nome como autor do primeiro tuíte, mas não, nem isso.
É quase como eu comprar um relógio raro que tem o nome de uma pessoa gravado nele, mas mesmo depois de comprado o relógio continua com aquela pessoa pra sempre. Eu apenas ganho o direito de dizer que aquele relógio é meu e de vender esse direito caso alguém tenha interesse.

² (@centauro)

Pelo que eu entendi, o NFT também é único, mas talvez em um sentido diferente.

O que é vendido como NFT seria o equivalente à carta física (com selo de primeira edição ou qualquer coisa que faça ele ter valor) enquanto a cópia do conteúdo do NFT que você e eu temos acesso sem comprar o NFT seria o equivalente a escanear e imprimir a carta fisica em casa.

A diferença entre o exemplo digital e o físico é que a unicidade do item digital está no blockchain enquanto que do item físico está em alguma característica física do item em si (inclusive podendo ser a sua mera existência).

O valor que essa unicidade gera depende basicamente das pessoas envolvidas. Eu e você não damos muito valor, mas parece que tem bastante gente que dá valor (talvez sja só especulativo, mas não deixa de ser valor).

Andre Costa (@mr.luizandre)

@mobilon @higa um Tecnolcast sobre o assunto seria top hein. Confesso que ainda é muito vaga essa ideia pra mim, ainda não compreendi bem.

⠀ (@mdcosta)

Só os boomer de cabeça fechada nos comentários. Quando o bitcoin surgiu falavam a mesma coisa. “Mas quem é o trouxa que vai comprar isso?”

Melissa Cruz Cossetti (@melissa)

Eu acho que o NFT é UMA solução, não A solução e pode não ser bem aplicável a tudo.

Lógico, como tudo que é novo, tem muita galhofa e animação. Vamos ver isso a longo prazo.

Andre Costa (@mr.luizandre)

Tenho uma dúvida relacionada a esse caso do primeiro tweet, mas que também se aplica a outras vendas. Pelo que entendi quando a pessoa “compra” esse tweet, na verdade ela passa a ter a posso de um token, mas o que de fato liga esse token ao tweet comprado? O conteúdo ou alguma referência a ele está contida no token ou no blockchain de alguma forma?

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

A pessoa passa a adquirir o direito de dizer que comprou o primeiro Tweet, mas só isso. Ela não pode alterar, nem nada. Assim como no caso das outras obras, como o meme. Comprou o direito de dizer que comprou um meme, mas não muda o fato dele estar na internet disponível, a não ser que junto tenha a transferência de direitos autorais …

Andre Costa (@mr.luizandre)

Valeu @Douglas_Knevitz, comecei a entender. Mas continuando nesse exemplo do tweet, ou do meme, se eu ver o token puramente, o dado, há alguma coisa ali (um link, uma referência, texto, qualquer coisa) que o ligue ao bem comprado? Ou é somente o “senso comum” que a posse do bem digital está ligado ao token XYZ?

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Imagino que deva ter as informações necessárias pra assegurar a posse. Eu não sei nem por onde essa gente compra esses negócios.

Até agora os exemplos que tiveram foram de coisas que já existiam publicamente, e mesmo as criadas para serem vendidas por NFT também foram divulgadas, como o clip de 36s do DJ.

Sla, quanto mais eu penso nisso, mais me soa como a posse de algo que você não tem posse.

Gabriel Lopes (@glopesmartins)

Quando eu soube dos NFTs, eu achei que rolava na Ethereum, mas acontece que um NFT pode ser criado em qualquer blockchain. O que deve ser uma informação levada em conta se alguém pretende comprar um NFT, uma vez que se criado em uma blockchain meia boca, pode ser que aconteça algum problema mais pra frente.