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Correios: estudo oficial recomenda privatização total da empresa

Estudos sobre privatização dos Correios desaconselha venda minoritária da estatal ou sua divisão entre vários interessados

Emerson AlecrimPor

Nesta quarta-feira (17), o Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram a conclusão da primeira fase dos estudos oficiais que avaliam a desestatização dos serviços postais no Brasil. A conclusão é a de que a privatização dos Correios deve ser completa.

Agência dos Correios (Imagem: Correios/Divulgação)

Agência dos Correios (imagem: divulgação/Correios)

De acordo com o Ministério da Economia, “o estudo busca alternativas de atração e aumento da participação privada na prestação de serviços postais”. A pasta também informa que “o documento avalia a atual situação financeira e estrutural da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e do setor postal nacional”.

A primeira fase de estudos teve início em agosto de 2020 e foi concluída neste mês de março. O processo foi conduzido pelo Consórcio Postar, formado pela consultoria Accenture, o escritório Machado, Meyer, Sendacz, Opice e o escritório Falcão Advogados. O Ministério da Economia, o Ministério das Comunicações e os Correios participaram da supervisão.

Basicamente, a primeira fase de estudos descarta duas ideias que vinham sendo consideradas: a de que os Correios tivesse apenas uma parte minoritária vendida; a de que a estatal fosse dividida com base em regiões de atuação ou nos tipos de serviços prestados.

Para o consórcio, essas possibilidades “gerariam perdas de economia de escala que acabariam por pressionar ainda mais o equilíbrio financeiro” dos Correios.

A companhia já está em situação desfavorável. Os estudos identificaram, por exemplo, que o mercado de correspondência está sob forte declínio no Brasil e aponta que a receita dos Correios chegou a cair 28% em 2020 em relação a 2019.

Os estudos também apontam que os Correios tiveram grande melhora nos resultados operacionais durante 2020, mas que, apesar disso, ainda carregam incertezas sobre a capacidade de manter suas operações e sobre investimentos futuros.

Por conta dessas e de outras limitações, o Consórcio Postar aponta que a desestatização total dos Correios é o caminho mais pertinente a ser seguido:

Por meio desta alternativa, há a maximização do valor gerado, tanto pelo maior valor da empresa na transação, quanto por garantir que o privado implemente as ações de transformação, o que gera substancial incremento de arrecadação em todas as esferas subsequente à quebra da imunidade tributária. Além disso, essa alternativa também gera empregos pelos investimentos realizados e aumento da produtividade.

Próximas etapas

Os apontamentos da primeira fase não têm aplicação imediata. O plano de desestatização dos Correios ainda vai passar pela fase 2 de estudos, que determinará o modelo a ser adotado para o processo. Essa etapa deverá ser concluída em agosto.

Posteriormente, o plano passará por debates com sociedade, investidores e funcionários dos Correios, além de avaliação pelo Tribunal de Contas da União.

Não havendo impedimentos, vem a terceira e última fase: a de implementação e conclusão do processo, cujo cronograma dependerá da aprovação do projeto de lei de privatização dos Correios pelo Congresso.

Com informações: Valor.

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Fábio Prates Rocha (@Fabio_Prates)

É sério de que precisou de um estudo para isso? Quantos milhões custaram esse estudo? kkkkk

Eita (@mandatario)

Quero ver o resultado disso em 5 anos após a venda

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Amazon, magazineluiza, vai que é sua. Estaríamos bem servidos com qualquer uma das duas.

Aliás seria uma ótima aquisição para a magazineluiza, poderia usar as lojas maiores como centros de redistribuição do marketplace e aproveitar a infra das lojas e torná-las postos do que hoje são os correios (que não precisaria manter esse nome, usei apenas pra contextualizar). Agilizaria a entrega, traria maior acessibilidade para zonas remotas, já que uma loja tem mais fluxo pra sustentar a operação do que apenas um posto dos correios. E viabilizaria entregas mais rápidas para locais mais afastados dos grandes centros.

A Amazon não vejo se beneficiando no curto prazo, como a magazineluiza, já que toda a operação amazon é voltada para o on-line, a magalu já conseguiria absorver o custo da unidade física e usar disso como motor de crescimento.

Magazineluiza, se você não cogitou esse compra, comece a cogitar .

João M. (@RonDamon)

Que comece o mimi do povo que pensa que estatal aqui consegue ser iguais as européias.

Alessandro Johnny (@alejohnny)

Ó os liberais se contorcendo com orgasmos.

André (@andre00)

Olha a agência mais próxima de onde moro:
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Horário de funcionamento: 9h as 15h (param das 12h as 14h para almoço)

Do lado de fora tem sempre uma fila gigantesca e geralmente só uma pessoa atendendo.

Vai reclamar com quem? Central dos Correios manda apenas mensagens prontas e ouvidoria não responde.

Não consigo entender como ainda tentam defender essa empresa.

Gs58 (@Geraldo_de_souza)

Há muitos que acreditam em uma resposta para tudo na privatização. Sob o ainda efeito de uma política de " desinvestimentos", a estrutura pouco ampliou, com restrições de capital humano, equipamentos, entre outros. Mas isso não é fenômeno exclusivo a este governo. Em uma ação estruturada e bem pensada, com uso de profissionais do quadro ou especialistas( não loteando cargos), poder-se-ia buscar resultados mais promissores a esta tão honrada empresa pública. Há de se pensar na capilaridade das próprias agências, e, igualmente, nos custos de certas entregas. Ademais, conhecemos bem a forma de contratação precária e " baixos custos" destas empresas interessadas …

Igor (@Highwind)

Os Correios vêm sofrendo, há muito, com desmandos, indicações políticas, desvios de recursos, ineficiência na entrega, má prestação de serviço, etc etc.

Aí a primeira coisa que passa pela cabeça do brasileiro é: vamos privatizar que melhora tudo!! Como se a privatização fosse a solução milagrosa para todos os problemas. É inegável que tivemos empresas privatizadas que deram uma guinada nos lucros, mas olha o que acontece quando se deixa uma empresa de mineração (Vale) livre, leve e solta, com regulação e fiscalização frouxa.

Para citar outro exemplo: telefonia. Houve uma melhora absurda quando passou para a iniciativa privada? Com certeza. Mas depois vem a acomodação, em que as empresas estão cag**** para o consumidor, e oferecem um serviço medíocre. Como não chega a ser pior do que a época em que era estatal, a gente se conforma (e eu acho que a telefonia tem que ser privada sim, antes que me ataquem).

Outra falácia: na iniciativa privada não tem greve e o serviço é melhor. Bem, os bancos estão aí para provar que não é bem assim. Por muitas vezes, aliás, Caixa (empresa pública) e BB (sociedade de economia mista) puxam muitas das inovações que depois são seguidas pelos outros bancos. Problemas de atendimento ruim, todos eles têm.

Os Correios são a única empresa presente em 100% dos municípios brasileiros, sendo o único banco existente em muitos pequenos. Fonte: Correios. Além disso, estão sem concurso desde 2011, então o serviço vai piorando ano após ano por falta de pessoal.

Serviço ruim tem nas transportadoras privadas também. Em 2014, comprei um notebook no Walmart e entregaram no prédio da frente (os dados estavam completos sim). No outro dia, recebo ele aberto com um recado da mulher que havia recebido. Em 2017, comprei uma JBL Go na Saraiva. No último dia do prazo, marcaram como entregue. Abri reclamação e chegou uma semana depois. Em 2019, comprei um ar condicionado split pela Americanas/Leveros. A loja etiquetou certo, mas a transportadora etiquetou errado e mandaram unidade interna de outra marca, sendo que na etiqueta da loja estava o destinatário certo.

Sou defensor, portanto, da ideia de proteger os Correios de politicagem, melhorar a gestão, contratar mais pessoal, investir em treinamento, adotar práticas de fiscalização interna. É o tipo de empresa que presta também uma função social, que pode suportar prejuízos em locais onde é impossível gerar lucro (pela logística e/ou baixa demanda), enquanto a parte lucrativa equilibra as contas. Uma empresa privada fecha o que dá prejuízo e mantém o que dá lucro.

Rafael Machado de Souza (@rafael.mds)

Manda ver! Aproveita e vende o resto da Petrobrás!

Rafael Machado de Souza (@rafael.mds)

Eu quero é que vendam tudo de uma vez! Todo cidadão vai pagar o preço pela escolha feita!! Espero que não sobre nada de estatal e quando tudo estiver uma merda eu só vou dizer “melhor jair se acostumando”

Lucas Monteiro (@lucasmonteiro)

O que me espantou foi a necessidade de um estudo envolvendo duas instituições para chegar a conclusão mais óbvia que existe.

Elielson Souza (@Elielson_Souza)

Estudo encomendado como eles querem, que seja feita uma auditoria nesses estudos. A Accentury está envolvida em ilícitos e foi escolhida para dar o que o governo quer…

Marcus Silva (@Marcus_Silva)

Isso por que o correios tem sido sucateado a tempos para que fosse realizada uma desestatização, não existem concursos de contratação desde 2011 e teve momentos durante a pandemia que os correios atuou com apenas 30% dos funcionários no pico dos casos da covid.

André (@andre00)

Essa seria a solução perfeita (e teria meu apoio completo), mas infelizmente isso nunca vai acontecer, pois o povo brasileiro tem memória curta e continua sempre votando nos mesmos ladrões.

Mas de que adianta continuar com esse serviço caro e de péssima qualidade? Entra e sai governo e nada melhora (e nem vai, infelizmente).

Eu (@Keaton)

Esse “(DURANTE A PANDEMIA)” não lembra nada não? Sei lá. Algo como o human malware… COVID-19… Por enquanto é o que dá para fazer, né…

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