Oi deixa de ter acompanhamento da Anatel após reduzir riscos

Anatel considera que Oi não corre risco de liquidez de curto prazo; medida chega após venda de ativos para melhoria de caixa

Lucas Braga
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A Oi divulgou um fato relevante informando ao mercado o fim do acompanhamento especial da Anatel: a agência considera que não há mais risco de liquidez de curto prazo da operadora e suas controladas. Isso indica uma melhora no processo de recuperação judicial: a empresa se desfez de ativos não-estratégicos, como imóveis e torres de telefonia, e conseguiu vender sua participação na Unitel por US$ 1 bilhão.


Desde maio de 2019, a Oi era obrigada a informar à Anatel sobre reuniões do conselho de administração, comitês do plano de recuperação judicial, riscos, auditorias, controles, dados financeiros e projeções de crescimento. Além disso, a nomeação de qualquer membro do conselho de administração deveria passar pelo crivo do órgão.

Para sair do vermelho, a Oi aposta na sua transformação em uma empresa de fibra óptica, com serviços de banda larga, telefonia fixa e TV por assinatura. A operadora já colhe os frutos, com aumento de 11,6% na base de clientes FTTH (fibra até a casa do cliente). O plano estratégico para o triênio 2019-2021 praticamente não contempla o serviço de telefonia móvel.

Oi pode vender divisão móvel para Claro, Vivo e TIM

Atualmente, a Oi conta com a assessoria de um banco para compreender qual o valor do braço móvel e buscar um comprador. No Brasil, as concorrentes Claro, Vivo e TIM já demonstraram interesse; por sua vez, o Cade (Conselho de Administrativo de Defesa Econômica) considerou que há riscos de atuação coordenada entre as empresas — um cartel — se tivermos três grandes operadoras, em vez de quatro.

Nos resultados financeiros do terceiro trimestre de 2019, a Oi registrou queda na receita e prejuízo de R$ 5,7 bilhões. Em janeiro deste ano, houve troca no comando: Rodrigo Abreu, ex-CEO da TIM, assumiu o cargo de diretor-presidente da companhia.

Com informações: Oi.