Meta lucra menos do que o esperado após gasto de US$ 10 bi com metaverso

Após mudar de nome, Facebook tem queda de 8% no lucro e vê divisão de realidade virtual dar prejuízo de US$ 10 bilhões

Pedro Knoth
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A Meta, controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp, viu seu lucro diminuir nos últimos três meses de 2021 em relação ao mesmo período de 2020. A empresa chefiada por Mark Zuckerberg teve receita líquida de US$ 10,3 bilhões, uma queda de aproximadamente 8% no comparativo ano a ano. A companhia gastou US$ 10 bilhões, por enquanto, para construir o metaverso.

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook (Imagem: Anthony Quintano/Flickr)
Mark Zuckerberg, CEO da Meta (Imagem: Anthony Quintano/Flickr)

Facebook projeta receita abaixo da expectativa

Analistas esperavam que a receita da Meta no 1º trimestre de 2022 fosse próxima a US$ 30 bilhões, para que a companhia de Zuckerberg começasse o ano com o pé direito.

Entretanto, a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp puxou o freio: o faturamento bruto deve chegar, no mínimo, a US$ 27 bilhões. No melhor cenário, a companhia irá faturar US$ 29 bilhões, muito abaixo da margem de crescimento esperada.

As ações do Facebook na Nasdaq afundaram 22% nesta quarta-feira (2) com o desânimo dos investidores.

Ao mencionar a desaceleração em conferência com investidores, Zuckerberg, CEO da Meta, mencionou que o Facebook está perdendo usuários para competidores. O executivo destacou o TikTok como um aplicativo que cresce em ritmo acelerado e que rivaliza com um dos principais recursos dos apps da empresa: o Reels.

Apesar do forte competidor, Zuckerberg afirmou que o Reels é o conteúdo do Facebook que mais cresce entre as plataformas, e a companhia deve expandir mais ferramentas de monetização para criadores em 2022. Adam Mosseri, chefe do Instagram, também já declarou que o app vai investir pesado no formato de vídeos curtos.

Zuckerberg disse, porém, que produtos desse formato não são, por enquanto, tão atraentes para anunciantes quanto o Feed e o Stories.

Metaverso será prioridade do Facebook em 2022

Em defesa dos resultados da Meta, Zuckerberg citou um investimento pesado em produtos de realidade aumentada e virtual, em preparação para o metaverso. O fundador do Facebook comentou que produtos relacionados ao Oculus, aparelho de RV da companhia, geraram receita de US$ 1 bilhão. “Pela primeira vez na história, o app do Oculus foi o mais baixado da App Store, marca atingida durante o Natal”, comentou Zuckerberg.

O CEO também reafirmou projetos do Facebook para o metaverso em 2022: um novo headset de realidade virtual e o desenvolvimento do Project Nazare — os primeiros óculos de RV da companhia.

Mas o Facebook Reality Labs ainda dá prejuízo para a Meta. A divisão que cria produtos relacionados ao metaverso teve prejuízo de US$ 10 bilhões em 2021, e Zuckerberg espera que esse número aumente ainda mais em 2022.

Além da desaceleração no crescimento, a Meta confirmou que o número de pessoas que acessam suas plataformas por dia e por mês teve crescimento estagnado.

Entre Facebook, Instagram e WhatsApp, foram 1,9 bilhões e 2,9 bilhões de usuários diários ativos (DAUs) e mensais ativos (MAUs), respectivamente, no 4º trimestre de 2021. Isso representa um aumento modesto de 5% e 4% em relação a 2020.

Instagram, Facebook e WhatsApp juntos — o trio é chamado de Facebook Family of Apps — geraram uma receita bruta de US$ 32,7 bilhões, enquanto o lucro líquido dos aplicativos foi de US$ 15,8 bilhões.

Facebook passou por turbulência ao mudar para Meta

É o primeiro resultado financeiro da companhia depois da grande mudança na estratégia de marketing para focar no metaverso.

Com esse objetivo, o Facebook anunciou o nome “Meta” em outubro, mas fez a mudança em meio a escândalos de imagem e críticas. Frances Haughen, uma ex-gerente de produto da empresa, provocou o maior a maior crise de reputação à marca desde o episódio da Cambridge Analytica.

O Facebook Papers foi uma série de documentos vazados que revelaram a dificuldade do Facebook em monitorar fake news, impedir crianças e adolescentes de consumirem conteúdos tóxicos e até impedir um esquema de tráfico humano.

Mark Zuckerberg disse aos investidores que 2021 foi o ano da Meta “firmar os pés na areia”. Ele completou: “2022 será a primeira página de um novo capítulo para a companhia”.

Com informações: BBC News e CNBC, [2]

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