Google processa golpistas que usam Bard falso para infectar computadores

Criminosos criam páginas falsas e oferecem Bard falso para download. Arquivo malicioso rouba login e senha de redes sociais da vítima.

Giovanni Santa Rosa
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Google Bard foi revelado em fevereiro de 2023 (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Google Bard foi revelado em fevereiro de 2023 (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A inteligência artificial está em alta, e isso é um prato cheio para pessoas mal-intencionadas. O Google está movendo um processo contra supostos golpistas, que teriam prometido uma versão atualizada do Bard para download. Tudo falso: o arquivo baixado era, na verdade, um malware.

O processo foi apresentado nesta segunda-feira (13) na Califórnia (EUA). A ação diz que indivíduos, que supostamente estariam no Vietnã, criaram páginas em redes sociais com nomes enganosos, como Google AI, AIGoogle.Plus, AIGoogle Bard FB e AIGoogleBard.

Eles também compraram anúncios para oferecer o download do Bard, chatbot do Google com inteligência artificial generativa.

Bard falso roubava redes sociais

O arquivo baixado é, na verdade, um malware. Ao ser instalado, ele rouba logins e senhas de redes sociais das vítimas, dando aos criminosos controle sobre elas. Essas contas são usadas para publicar links do falso Bard, aumentando o alcance do golpe.

Mesmo assim, não se sabe qual o objetivo final da ação. O processo pede informações para descobrir qual é a finalidade do golpe.

“Os acusados são três indivíduos cuja identidade é desconhecida. Eles alegam fornecer, entre outras coisas, ‘a versão mais recente’ do Google Bard para download”, diz o processo. “Os acusados não são afiliados ao Google em nenhuma maneira, apesar de fingirem ser. Eles usaram marcas registradas do Google, incluindo Google, Google AI e Bard para atrair vítimas desprevenidas e fazê-las baixar malware em seus computadores”.

Os golpistas aproveitam o interesse no assunto para veicular informações falsas sobre as ferramentas de inteligência artificial. As propagandas dizem que o Bard é pago, por exemplo, ou que precisa ser instalado no computador. Na verdade, o serviço está disponível gratuitamente na web.

Segundo representantes do Google, mais de 300 pedidos de retirada de anúncios foram protocolados. A empresa afirma que o Facebook e outras plataformas têm colaborado com os pedidos.

O processo pede que os golpistas fiquem impedidos de criar novos domínios maliciosos e de registrar qualquer endereço de internet nos EUA.

Nome do ChatGPT também foi usado por golpistas

O ChatGPT, talvez o nome mais famoso nesta onda da inteligência artificial generativa, também foi usado para distribuir malware. Em fevereiro de 2023, foi revelado que golpistas estavam usando a marca para infectar dispositivos Windows e Android e roubar dados de cartão de crédito.

Em maio, a Meta afirmou ter bloqueado mais de 1 mil URLs maliciosas que ofereciam ferramentas falsas, que se passavam pelo ChatGPT. Segundo a empresa, a origem desses ataques também era o Vietnã.

Com informações: The Wall Street Journal, The Verge, Google

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Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa

Repórter

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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