Novo ETF de tecnologia na B3 vai investir em Mercado Livre, Magalu e Inter

TECB11, da Magnetis, segue índice que reúne 23 empresas de tecnologia com foco no mercado brasileiro; PagSeguro e Stone também estão no ETF

Giovanni Santa Rosa
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• Atualizado há 2 anos e 5 meses
Gráfico da bolsa de valores

Investidores que se interessam pelo setor de tecnologia terão mais uma opção em breve. A B3 deve ganhar um ETF (fundo negociado em bolsa) composto por empresas do segmento com sede no Brasil ou parte relevante de seus negócios no País.

O Índice de Ações Tech Brasil ETF Fundo de Índice será negociado com o código TECB11 e está atualmente em fase de reservas. As cotas serão negociadas por R$ 10, e o investimento mínimo nessa fase é de dez cotas por R$ 100. Ele entra em negociação pública no dia 4 de outubro.

O fundo tem gestão da Magnetis e taxa de administração de 0,6% ao ano. Ele se baseia no Índice de Ações Tech Brasil, da Teva Índices. 

Este índice seleciona empresas dos setores de desenvolvimento de sistemas de intermediação financeira e serviços digitais, e-commerce (ou varejistas com ao menos 50% da receita vindo de vendas digitais), software, hardware e dados.

Elas são filtradas pelos seguintes critérios:

  • valor de mercado acima de R$ 500 milhões;
  • volume mensal de negociações acima de R$ 100 milhões para empresas listadas na B3 e R$ 10 milhões para companhias com BDRs na B3;
  • 4% de capitalização de mercado disponível para negociação (free float);
  • sede no Brasil ou parte relevante dos negócios no País;
  • não estar em recuperação judicial e estar em dia com pagamentos e obrigações.

Os investimentos do fundo são distribuídos de acordo com a capitalização de mercado disponível para negociação de cada empresa, com limite de 20%.

Mercado de tecnologia na B3 ainda é pequeno

Um dos grandes motivos para investir por meio de ETFs é conseguir diversificar os investimentos entre um grande número de empresas. O TECB11, porém, esbarra na falta de opções dentro da B3.

Interior da B3, a bolsa de valores de São Paulo
Interior da B3, a bolsa de valores de São Paulo (Imagem: Divulgação/B3)

A carteira do ETF tem apenas 23 empresas, sendo que cinco delas correspondem a quase 80% dos investimentos. Índices estrangeiros semelhantes passam facilmente das 100 empresas.

EmpresaPeso no TECB11
Stone20%
Mercado Livre20%
PagSeguro15,1%
Magazine Luiza14,7%
Banco Inter10,1%

É interessante notar que as três maiores empresas na carteira do fundo optaram por abrir seu capital fora da B3: Stone e Mercado Livre são negociadas na Nasdaq, enquanto o PagSeguro está listado na NYSE. Elas estão disponíveis na bolsa brasileira por meio de BDRs (brazilian depositary receipts, que são recibos de ações negociadas em outras bolsas).

O material publicitário do fundo, porém, ressalta que o setor deve ter grandes IPOs em algum momento no futuro, casos de Nubank e iFood.

B3 tem outros ETFs de tecnologia com estrangeiras

A indústria de ETFs no Brasil vem crescendo nos últimos dois anos e até ganhou um portal da B3 dedicado ao assunto. O setor de tecnologia é um dos queridinhos desse ramo dos investimentos. O TECB11 fará companhia para ativos de XP, Itaú e Investo.

Enquanto o novo fundo se concentra no Brasil, seus concorrentes buscam dar opções para investimento em mercados internacionais.

  • O NASD11, da XP, investe nas 100 maiores empresas de tecnologia listadas na Nasdaq e tem taxa de administração total de 0,5% ao ano. 
  • O TECK11, do Itaú, investe nas empresas conhecidas como FAANG — Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google — e em mais cinco companhias de tecnologia, com rotatividade trimestral; a taxa de administração é de 0,25% ao ano. 
  • O USTK11, da Investo, aplica seus recursos em mais de 300 empresas americanas do setor de tecnologia da informação, como Apple, Microsoft, Adobe e Intel, com taxa de administração total de 0,74% ao ano.

Com informações: Magnetis, B3

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Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa

Repórter

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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