Receita autoriza Serpro a compartilhar CPF, telefone e mais com terceiros

Serviço Federal de Processamento de Dados é autorizado a fornecer CPF, CNPJ, telefone e data de nascimento a terceiros por ressarcimento

Pedro Knoth
Por
Prédio da Receita Federal

O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) foi autorizado pela Receita Federal a fornecer CPF, telefone, CNPJ e outros dados a terceiros por meio de ressarcimento. A permissão foi concedida a partir de uma portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (19), com base em uma medida do Ministério da Economia publicada em 2016. De acordo com o órgão do governo, a decisão é voltada para a melhoria das políticas públicas sobre compartilhamento de informações à sociedade.

A portaria permite ao Serpro tornar disponíveis às empresas interessadas informações guardadas pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB).

Dentre os dados armazenados que podem ser fornecidos pelo Serpro a terceiros, estão:

  • Nome
  • CPF
  • Telefone
  • CNPJ
  • Data de Nascimento
  • Data de óbito
  • Endereço, CEP e bairro da empresa ou pessoa-jurídica
  • Dados do Simples Nacional e da opção MEI (Micro-empreendedor)
  • Dados contidos na Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), incluindo endereço do emitente e do destinatário

A medida prevê que o Serpro disponibilize esses dados na forma de ressarcimento pelo custo da operação, previsto em regulamentos ou contratos. Nesse sentido, o valor será “devolvido” pela empresa à estatal e aplicado em infraestrutura, como na manutenção de sistemas de informação e servidores. O órgão também pode permitir o acesso a empresas diretamente a seu próprio banco de dados.

O advogado Marcelo Cárgano, especialista em Direito Digital e Proteção de Dados, afirma que a maioria dos dados armazenados, e que podem ser fornecidos, não são de natureza pessoal, mas referem-se às informações de pessoas jurídicas.

“O compartilhamento de dados em si não é um mal e pode tornar administração pública mais eficiente (…) No entanto, um compartilhamento amplo de dados sem controle, sem critérios e sem cuidados é uma ameaça gigantesca para privacidade e segurança dos cidadãos e, em última instância, uma ameaça para democracia brasileira.”

Marcelo Cárgano, da Abe Giovanini Advogados

O método de concessão visa rentabilizar a estatal, que estava na mira do governo Bolsonaro para ser privatizada, e foi incluída no PND (Plano Nacional de Desestatização) do Ministério da Economia. O Dataprev, que administra dados da previdência social no Brasil, também foi listado no plano. Um projeto de lei da Câmara previa a retirada dos serviços do PND, mas não avançou no Congresso.

Fornecimento de dados para políticas públicas

A portaria da Receita Federal diz que o compartilhamento dos dados do Serpro com terceiros é legal, mesmo ao considerar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGDP) — que cita, em seu 2º artigo, dois fundamentos da legislação voltada para proteger informações de titulares: o respeito à privacidade e a inviolabilidade de intimidade, imagem e honra.

O objetivo por trás da concessão de dados a terceiros, segundo a medida da Receita, seria “o complemento de políticas públicas voltadas ao fornecimento de informações à sociedade por meio de soluções tecnológicas complementares às oferecidas pela RFB”.

As informações só serão liberadas pelo órgão federal após a apresentação de um argumento para realizar a consulta nos sistemas. Para cada conjunto de dados, como números de CPF ou de CNPJ, a empresa precisa fazer uma solicitação separada.

A Receita Federal cita na portaria que pode restringir o acesso a terceiros que violarem as permissões da LGPD ou termos do contrato com o Serpro. Se houver uma mudança constante de informações no titular de cadastro da companhia no sistema da Receita, também haverá limitação concessão de dados.

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Pedro Knoth

Pedro Knoth

Ex-autor

Pedro Knoth é jornalista e cursa pós-graduação em jornalismo investigativo pelo IDP, de Brasília. Foi autor no Tecnoblog cobrindo assuntos relacionados à legislação, empresas de tecnologia, dados e finanças entre 2021 e 2022. É usuário ávido de iPhone e Mac, e também estuda Python.

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