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Os perigos de usar uma VPN ou proxy gratuitos

Ao ativar um proxy ou VPN, todo seu tráfego (dados de navegação) passa primeiro pelo servidor do serviço — confiaria às cegas?

Lucas Lima

Por

TB Responde
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Serviços de VPN ou de proxy resolvem vários problemas ou restrições do mundo digital. A intenção da maioria (se é que podemos dizer) é proteger o usuário na internet, criptografando a conexão ou anonimizando a identidade do usuário. O porém é que, em VPNs ou proxies gratuitos, o objetivo pode ser o oposto: comercializar ou roubar dados. Lembra daquele ditado de que não existe almoço grátis? No mundo digital, se o serviço é gratuito, o produto é você.

Celular com app de VPN aberto
VPN (Imagem: Privecstasy/Unsplash)

Proxy e VPN são parecidos, não iguais.

Um proxy tem a função de intermediar a conexão entre o usuário e o destino. É um servidor que fica no meio e que recebe e repassa as requisições, aplicando as devidas configurações. Funciona, por exemplo, para esconder o IP verdadeiro do usuário, bloquear acessos ou manipular a localização.

Já uma VPN é uma rede virtual privada. Ela também atua com um servidor intermediário, mas o grande atrativo é que toda a comunicação entre o usuário e o servidor é criptografada (na VPN paga, idealmente). Isso impõe mais segurança ao tráfego. Um uso comum da VPN é para burlar geolocalização ou para navegar em redes Wi-Fi públicas com tranquilidade.

E onde está o perigo na VPN ou proxy grátis?

Primeiro, é preciso entender que, no caso dos serviços pagos, a receita gerada pelas assinaturas é o que mantém e motiva tais empresas a continuarem em operação. Espera-se que essas VPNs e proxies pagos usem o dinheiro para continuar investindo em infraestrutura e tecnologias para aprimorar a segurança e oferta do serviço.

Por outro lado, nos programas gratuitos, de onde vem a receita para manter o serviço em funcionamento? Vem da comercialização de dados, na maioria das vezes.

Geralmente…

A maioria dos serviços gratuitos trabalha com publicidade. Uma VPN ou proxy pode, por exemplo, vender seus dados de navegação para terceiros que segmentarão anúncios para você. Em outros casos, a própria VPN ou proxy pode modificar os sites que visita para exibir anúncios ali e gerar receita a partir disso.

Por que é ruim?

Porque é o mesmo que não ter um serviço que promete proteger sua privacidade. Quando você usa o Google, por exemplo, sabe que a empresa usa seus dados para melhorar os próprios produtos. Em uma VPN ou proxy, quem está recebendo seus dados é uma incógnita.

Eu diria que a troca não vale a pena só para acessar um serviço que está restrito na sua região.

VPNs pagas, por exemplo, costumam ser bem radicais quanto à proteção dos dados dos usuários, realocando a empresa até mesmo em outro país mesmo para fugir de legislações que preveem alguma quebra na privacidade dos clientes. Há prestação de contas também, como relatórios de transparência de tempos em tempos.

Segurança cibernética (Imagem ilustrativa: Pixabay/Pexels)
Segurança cibernética (Imagem ilustrativa: Pixabay/Pexels)

Falta de criptografia

Com o investimento na infraestrutura reduzido ou nulo, algumas opções disponíveis podem não oferecer a segurança que o usuário precisa, como a criptografia. Em serviços pagos, o principal atrativo é a criptografia do tráfego, ou seja, todo o uso de sites e apps fica escondido enquanto navega na rede, dificultando o rastreio do usuário.

Pode conter malware

Com a segurança comprometida, o serviço gratuito também pode ser responsável pela disseminação de malware. Um estudo feito pela The Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), em 2016, analisou 283 apps de VPN para o Android. Dessas, 10 pareciam estar infectadas por malware, seis eram gratuitas.

Pode te redirecionar para um golpe

Já que um servidor proxy ou de VPN será o responsável por intermediar sua conexão. Eles também podem te direcionar para um site malicioso. Por exemplo: imagine que pretende acessar o site de uma loja online e fazer uma compra. Alguns serviços maliciosos podem redirecionar seu navegador para um site enganoso, que imita o layout da loja. Ali, você pode expor seus dados na tentativa de finalizar a compra e pode perder dinheiro nisso.

Símbolos de internet Wi-Fi sem fio
Wi-Fi (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Pode “emprestar” sua rede e PC

Esse é o caso da Hola, que trabalha em um modelo colaborativo P2P, emprestando seu IP (vai saber o que o colega do outro lado do mundo vai fazer com seu IP) e um pouco de processamento para manter o serviço funcionando. O método é transparente, aliás, e uma página no FAQ explica como isso funciona.

A Hola diz que o processamento será requisitado quando o computador não estiver em uso, já o tráfego diário não passará de 100 MB por dia ou 3 MB no celular.

Eu prefiro não arriscar

Privacidade online custa dinheiro e energia. Mas o que eu prefiro não colocar nessa conta é dor de cabeça. Portanto, para qualquer que seja o uso, a escolha de uma VPN ou proxy deve ser cuidadosa, para evitar futuros transtornos.

Eu sei que esses serviços não são baratos no Brasil, passando dos R$ 50 mensais em alguns casos. Mas, se o benefício desses apps forem fundamentais para sua rotina, é um custo que eu adicionaria ao planejamento.

Com informações: Norton, TechCrunch, Wired.