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O que é Internet das Coisas?

Também conhecida como Internet of Things (IoT), essa tecnologia promete tornar casas, empresas e cidades inteiras mais inteligentes

Ronaldo Gogoni
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Quando se fala em Internet das Coisas, muita gente pensa nas aplicações mais simples, e não raro, nas que menos representam adequadamente o conceito. Ainda assim, as chances de que você ouça falar dela muito mais daqui por diante são altas e mais: ela irá fazer parte da sua vida, se já não faz. Continue comigo para entender melhor sobre o IoT e seu papel na transformação digital.

O conceito de Internet das Coisas, ou Internet of Things (IoT) é o de uma enorme rede de dispositivos conectados que possuem a capacidade de transferir dados através de uma rede sem a necessidade de interferência humana.
O que é Internet das Coisas (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O conceito de Internet das Coisas, ou Internet of Things (IoT) é o de uma enorme rede de dispositivos conectados que possuem a capacidade de transferir dados através de uma rede sem a necessidade de interferência humana.

Para ajudar nesse processo, a Internet das Coisas conta com a ajuda de duas tecnologias: inteligência artificial e machine learning. Assim, enquanto uma dá às máquinas a capacidade de analisar dados e tomar decisões baseadas nessas informações, a outra usa esses dados para prever comportamentos e eventos futuros.

Além do celular e do computador, que são gadgets que dependem da internet para funcionar apropriadamente, o foco da IoT é voltado para todos os demais equipamentos do dia a dia de um indivíduo, empresa ou mesmo de uma cidade inteira, que você não imaginaria, em um primeiro momento, que podem se beneficiar da rede.

Exemplos de IoT no dia a dia

A ideia principal por trás da Internet das Coisas é a de facilitar a vida dos usuários e clientes, tornando o uso de certos elementos mais simples e até permitindo a automação de tarefas.

Sua TV ou videogame são os exemplos mais óbvios de dispositivos que migraram do mundo offline para o online, mas há muitos outros. 

Os dispositivos vestíveis (wearables), por exemplo, fazem parte da primeira geração de produtos de IoT voltados ao consumidor final, na forma de smartwatches e pulseiras inteligentes. Todos esses acessórios podem receber sensores que os permitam conectar-se à internet e oferecer recursos extras em tempo real.

Pessoa mexendo em um dispositivo vestível.  (Imagem: Pixabay/Pexels
Smartwatches oferecem vários recursos de qualidade de vida (imagem: Pixabay/Pexels)

E não para por aí. Veja outros exemplos:

  • Aspirador de pó robô que pode ser programado para limpar a casa depois da hora de dormir;
  • Lâmpadas da casa que podem emitir luzes em tons específicos durante vários momentos do dia, ou se apagarem quando todos saírem;
  • Ar-condicionado que pode se ativar cinco minutos antes de você chegar, deixando o ambiente na temperatura correta;
  • Tratores automatizados capazes de fazer o trabalho de um funcionário mesmo à noite, com dados via satélite para evitar desperdício e utilizando a rede apenas quando necessário.

Em outros exemplos, a Nest possui pesquisas voltadas ao desenvolvimento de berços conectados que monitoram o sono de bebês, podendo ser uma ferramenta importante para mães, inclusive para evitar que sejam vítimas da Síndrome da Morte Súbita Infantil, um mal súbito em que uma criança perfeitamente saudável morre durante o sono sem nenhum motivo aparente; o berço viria a ser capaz de detectar alterações nos sinais vitais durante a noite e alertar pais e serviços de emergência.

Além disso, a evolução da tecnologia RFID (Radio-Frequency IDentification, ou Identificação por Radiofrequência), desenvolvida durante a Segunda Guerra Mundial foi essencial para a Internet das Coisas, já que ela utiliza etiquetas e chips minúsculos para coleta e armazenamento de dados via sinais de rádio.

Com ela, é possível desde inibir o roubo de toalhas em hotéis a chipar funcionários com o gadget, controlando o trânsito em setores de empresas que eles podem ou não acessar.

Os chips e etiquetas RFID também são importantes em pesquisa científica, como no monitoramento de colônias de abelhas em todo o mundo.

Cidade inteligente. (Imagem: Hugh Han/Unsplash)
A IoT também é muito importante nas Cidades Inteligentes. (Imagem: Hugh Han/Unsplash)

A Internet das Coisas é também essencial ao conceito de Cidades Inteligentes, projetos urbanísticos que levam em conta sustentabilidade, eficiência e qualidade de vida. Num futuro não muito distante, teremos veículos autônomos, semáforos que abrem e fecham de acordo com o tráfego (e não em períodos pré-programados), sistemas de reaproveitamento de água, ciclovias inteligentes, entre outros.

Para tudo isso funcionar corretamente, é necessária uma poderosa infraestrutura de dados tanto para grandes e pequenas empresas, quanto para o usuário.

E é aí que o 5G entra.

Como o 5G vai beneficiar a Internet das Coisas?

A próxima evolução das telecomunicações, o 5G promete velocidades de download de até 100 Mb/s, mas não pense que ele será revolucionário apenas por permitir que você baixe a coleção completa de filmes da Marvel em seu smartphone on the go: a tecnologia está sendo preparada, principalmente, para atender a enorme demanda da Internet das Coisas, em que a cada ano bilhões de novos dispositivos são conectados à rede.

No futuro, teremos literalmente trilhões de dispositivos conectados, de carros a drones, de servidores remotos a edifícios inteiros, e até sua casa: sensores poderiam detectar problemas na estrutura, vazamentos, curtos, pragas localizadas, avisar o morador e sugerir que ele chame um profissional adequado para resolver a situação.

E adivinha? Nossas redes hoje, mesmo o 4G, não foram pensadas para isso.

Grandes empresas, como a Intel fecharam parcerias para homologar o 5G especificamente de modo que ele dê conta dessa futura e inevitável realidade, desenvolvendo chips compatíveis que foram implementados em uma série de dispositivos IoT mais recentes.

Com uma rede pensada para esses dispositivos, cada um deles usará apenas o que for necessário, quando precisar e, dessa forma, os problemas de tráfego serão minimizados.

E quanto à segurança?

No geral, equipamentos de grande porte deveriam ser seguros e à prova de ataques, o que não podemos dizer dos voltados ao usuário final. No entanto, tanto lá quanto cá a regra de que pessoas não dão muita bola para senhas seguras permanece uma constante e, no caso da Internet das Coisas, tal vulnerabilidade levou a um ataque no mínimo didático.

Em 2016, uma botnet (rede de computadores-zumbis, invadidos e controlados por hackers) chamada Mirai capturou uma quantidade enorme de dispositivos IoT, principalmente porque os usuários nunca se preocuparam em mudar a senha padrão de seus fogões, lâmpadas e outros utensílios.

Uma vez controlados, tais aparelhos foram direcionados contra os servidores da Dyn, executando um ataque DDoS que levou ao comprometimento de serviços como PSN, Twitter, Spotify, Reddit, Amazon, Netflix e vários outros.

Um ataque DDoS consiste em uma grande quantidade de requisições (pedidos de conexão) a um site ou serviço feitos ao mesmo tempo, de modo que o mesmo não consegue dar conta de tudo e entra em colapso, ficando lento ou até mesmo saindo do ar.

O ideal é que usuários e empresas sempre observem as normas de segurança ao utilizar um dispositivo IoT e principalmente, usem senhas diferentes de “admin”, “password” ou “12345”.

O futuro da internet é a IoT?

Sim. Com a rede 5G chegando otimizada para a Internet das Coisas, a tendência é que cada vez mais produtos e iniciativas de grande, médio e pequeno porte permitam que mais e mais dispositivos sejam ligados à rede, desde que preferencialmente possam usufruir de recursos extras e forneçam usos que agreguem aos usuários e à sociedade.

As aplicações são imensas, indo desde saúde, transporte e bem-estar à agricultura, pecuária, indústria e muito mais. As preocupações giram em torno da infraestrutura, que precisa ser bem planejada de modo a dar suporte tanto a gadgets ligados quanto à segurança, especialmente para proteger os dados dos usuários e evitar que seus acessórios virem uma “legião de zumbis”.

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Ronaldo Gogoni

Ronaldo Gogoni é formado em Análise de Desenvolvimento de Sistemas e Tecnologia da Informação pela Fatec (Faculdade de Tecnologia de São Paulo). No Tecnoblog, fez parte do TB Responde, explicando conceitos de hardware, facilitando o uso de aplicativos e ensinando truques em jogos eletrônicos. Atento ao mundo científico, escreve artigos focados em ciência e tecnologia para o Meio Bit desde 2013.

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