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Zenfone 3: a bela peça de hardware da Asus

Design sofisticado, bateria de longa duração e hardware de respeito marcam a terceira geração do smartphone da Asus

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3 anos atrás
Nota Final 8.3

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A terceira geração de Zenfones chegou ao Brasil. Em 2014, a Asus estreou fazendo barulho no segmento de intermediários básicos, pegando carona no sucesso do Moto G, que reinava sozinho entre as opções de quem tinha pouco dinheiro para gastar. Em 2015, o Zenfone 2 surpreendeu com hardware acima da média: o primeiro smartphone com 4 GB de RAM custava a partir de R$ 1.299, não milhares de reais.

Em 2016, a estrela dos taiwaneses é o Zenfone 3, um smartphone que pega o Zenfone 2 como ponto de partida, trazendo mais hardware por menos dinheiro, mas adaptado a uma nova realidade, com design mais sofisticado, tela de melhor qualidade e um adeus à Intel.

Será que a Asus acertou? Eu utilizei o Zenfone 3 como smartphone principal nas últimas semanas e conto tudo nos próximos parágrafos.

Review em vídeo

Design

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O Zenfone 3 é um grande avanço em relação ao Zenfone 2 em todos os aspectos. Mas a mudança mais notável é o design: o plástico texturizado da geração anterior saiu para dar lugar a uma carcaça com traseira de vidro, bordas de metal chanfrado e tela levemente curvada nas bordas, o que também ajuda na ergonomia. É um smartphone elegante, sóbrio e um dos mais bonitos do ano.

Embora seja bem diferente do antecessor, o Zenfone 3 segue detalhes conhecidos da Asus: na parte traseira, os raios de luz são refletidos de forma muito bonita (e discreta) a partir do leitor de impressões digitais, assim como nos Zenfones anteriores, o que contribui para dar a sensação de que o aparelho é mais caro do que realmente é. Os botões de liga/desliga e controle de volume também possuem belas linhas concêntricas.

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Claro que ele não é livre de defeitos. O aparelho é seguro nas mãos, mas escorrega como sabão em qualquer superfície: mesas que balançam são potenciais assassinas de Zenfones 3. Além disso, a Asus continua não colocando iluminação nos botões capacitivos, um detalhe pequeno, mas que melhoraria a utilização do smartphone em ambientes escuros.

O leitor de impressões digitais é rápido e está na traseira, talvez a pior localização entre as três possíveis atualmente (frontal, traseira e lateral). Se por um lado isso torna o desbloqueio mais natural ao tirar o smartphone do bolso, por outro o sensor biométrico fica praticamente inútil quando o smartphone está sobre uma superfície — é melhor digitar a senha do que levantar o aparelho só para colocar o dedo ali.

E por último, mas não menos importante, a Asus seguiu o modelo (ruim) de concorrentes ao adotar uma bandeja de SIM card híbrida, que te obriga a escolher entre um chip e um microSD ou dois chips e nenhum microSD. Isso não é um grande problema se você considerar que o Zenfone 3 tem até 64 GB de armazenamento, mas continua sendo uma escolha ruim para quem usa duas linhas.

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Tela

A tela IPS LCD de 5,5 polegadas (1920×1080 pixels) do Zenfone 3 impressiona pelo brilho altíssimo: o sol não é nenhuma ameaça à visualização do conteúdo. Em regra, painéis LCD são bem melhores que os AMOLED quando falamos de brilho, mas a vantagem da Asus é notável quando comparo o Zenfone 3 com aparelhos como iPhone 6s e Nexus 6P.

Por padrão, o visor mostra tons de cores mais naturais, o que me agrada bastante, mas pode deixar alguns usuários frustrados, especialmente os acostumados com telas AMOLED mais saturadas. De qualquer forma, assim como nos Zenfones anteriores, é possível deixar as cores mais vivas e ajustar a temperatura de cor por meio do aplicativo Splendid, da própria Asus.

Além do alto brilho e das boas cores, o visor do Zenfone 3 apresenta um nível de preto bastante profundo, levando em consideração as limitações do LCD, e ângulos de visão irrepreensíveis. Ele traz, provavelmente, a melhor tela da categoria.

Software

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O ponto negativo da Asus continua sendo o software. Você pode argumentar que a ZenUI traz inúmeros recursos úteis que não são encontrados no Android puro, e eu concordarei — mas acrescentarei que tudo parece mal feito. Os problemas do software da Asus vão desde erros de ortografia (como um “Esqueçeu sua senha” logo no assistente de configuração inicial, além de coisas “inconvinientes” nos passos seguintes) até elementos mal posicionados (o botão “Limpar”, na central de notificações, come uma parte da data, por exemplo, e palavras em botões são quebradas no meio por falta de espaço).

Some a falta de cuidado na interface aos vários aplicativos pré-instalados de utilidade duvidosa e concluo que, entre as principais fabricantes de smartphones, a Asus é a que oferece o pior software da atualidade. Num cenário em que todas as empresas estão enxugando seus códigos, a Asus continua seguindo pelo caminho inverso, tentando adicionar um monte de recursos para mostrar serviço.

Os taiwaneses reduziram drasticamente a quantidade de softwares inúteis, mas o Zenfone 3 ainda traz um segundo navegador (Puffin), joguinhos da EA, instalador da Gameloft, além de coisas como ZenCircle (uma rede social de fotos da Asus que não faz sentido num mercado com Instagram), ZenFlash S (um aplicativo que permite controlar um flash de xenon, que não está incluso na caixa) e um limpador de memória (num smartphone com 4 GB de RAM).

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Se o software não é o maior trunfo da Asus, não se pode dizer que ele é lento — o Zenfone 3 executa tudo com maestria, como detalharei adiante. Além disso, alguns diferenciais de software valem menção:

  • O Asus Mobile Manager, além de trazer modos úteis de economia de bateria e o tal limpador de memória, possui um recurso de notificações. Ele mostra quantas notificações cada aplicativo enviou e permite que você bloqueie os mais chatinhos. É uma mão na roda para evitar ser incomodado (sabia que eu recebi 1.194 notificações de WhatsApp hoje?).
  • O gerenciador de arquivos continua sendo um dos melhores entre os nativos. Além de fazer o básico, ele possui um analisador de armazenamento, que mostra claramente quais arquivos estão consumindo mais espaço e quais são duplicados.
  • O leitor de impressões digitais, além de servir para desbloquear o aparelho, também pode atender chamadas (toque e segure), abrir a câmera (toque duas vezes) ou capturar uma foto (toque com o aplicativo de câmera aberto).
  • O aplicativo de telefone permite gravar chamadas. Talvez ele não seja tão útil para você, mas ele é especialmente importante ao gravar entrevistas (e para usar como prova contra o SAC de uma empresa ruim). Algumas fabricantes, como a Xiaomi, incluem essa função em seus aparelhos, e eu não sei por que isso ainda é tão impopular como recurso nativo — os aplicativos de terceiros nem sempre funcionam bem.

A Asus não diz quando, mas promete que vai atualizar o Zenfone 3 para o Android 7.0 Nougat, que traz novidades no multitarefa e recursos de economia de bateria e dados móveis. Como a empresa é sempre uma das últimas a atualizar seus aparelhos, não é bom contar com o novo Android tão cedo. De qualquer forma, caso o software da Asus não agrade, a boa notícia é que, com a mudança de plataforma da Intel para a Qualcomm, a variedade de ROMs alternativas disponíveis deverá ser bem maior.

Câmera

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A câmera de 16 megapixels do Zenfone 3 tira fotos com qualidade boa. É um avanço em relação à câmera do Zenfone 2, mas fica atrás de concorrentes como o Moto Z Play, especialmente com relação à exposição e ao alcance dinâmico das fotos. Mesmo com o HDR ativado, o smartphone da Asus sofre um pouco para lidar com cenas de alto contraste; as regiões claras estouram e as escuras ficam muito subexpostas, além de ser possível notar pequenas aberrações cromáticas ao ver as fotos mais de perto.

O hardware da câmera é interessante, com lente de abertura f/2,0, dentro da média da categoria, que envia as imagens para o sensor Sony IMX298, o mesmo que equipa nomes chineses bem conhecidos, como Xiaomi Mi 5 e OnePlus 3. A Asus adicionou a estabilização óptica para fotografias, algo que não existia na geração anterior.

Mas o software, embora tenha melhorado em relação ao Zenfone Zoom, ainda é “bebê”. Há modos específicos para resolver as deficiências naturais do sensor, como o HDR Pro e o Pouca Luz, mas eles precisam ser ativados manualmente. O enorme leque de opções me lembra os antigos softwares da Sony, que incluíam zilhões de modos. Eu tenho sérias dúvidas se alguém realmente dedica algum tempo para analisar em qual modo de camera vai tirar sua próxima foto. Tudo isso deveria ser automático.

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Com boa iluminação, as fotos do Zenfone 3 apresentam bom nível de detalhes e cores que agradam (embora, por vezes, pareçam um pouco estouradas). Em ambientes internos ou cenários noturnos, o pós-processamento da Asus reduz bastante o ruído, mas a nitidez continua muito boa. No geral, é uma câmera que, embora não seja a mais equilibrada da categoria, não vai decepcionar o comprador em nenhum momento.

Hardware e bateria

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O Zenfone 3 é equipado com o Snapdragon 625, o mesmo chip com CPU octa-core Cortex-A53 de 2,0 GHz que está dentro do Moto Z Play. Assim como no concorrente direto, o desempenho não decepciona no dia a dia. Tudo é bastante rápido, as animações são fluidas e a alternância entre os aplicativos é ágil. O gigabyte adicional de RAM em relação ao aparelho da Lenovo (4 GB, contra 3 GB no rival) deve acrescentar um tempinho a mais de vida útil. E o armazenamento de 64 GB garante espaço para os vídeos filmados em 4K e músicas offline.

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Curioso é o fato da Asus ter removido o NFC, que está presente em quase todos os concorrentes da mesma faixa de preço. E isso é ainda mais estranho se lembrarmos que o Zenfone 2 tinha NFC — não faz muito sentido limitá-lo ao Zenfone 3 Deluxe, já que não é uma tecnologia que encarece significativamente o produto. Poucos usam NFC, mas quem usa dá bastante valor: é uma forma muito mais prática de conectar dispositivos e transferir dados, sem perder tempo com pareamento.

Nos jogos, a Adreno 506 faz um trabalho apenas ok. Ela roda praticamente todos os títulos da Play Store com desempenho de bom para ótimo, mas games mais pesados são exibidos com baixa taxa de frames — Unkilled, por exemplo, não é jogável na qualidade alta; é necessário baixar os gráficos para o médio. A impressão é que, ainda que o Zenfone 3 seja mais novo, a GPU ficou abaixo das expectativas para um sucessor de um aparelho que tinha uma boa PowerVR G6430.

Mas o lado bom da Asus ter abandonado a Intel é claramente sentido na autonomia. Esqueça uma bateria gigante que cria altas expectativas mas tem apenas duração medíocre: os 3.000 mAh do Zenfone 3 realmente fazem jus ao número chamativo.

Na minha rotina diária, com 2 horas de streaming no 4G e 1h30min de navegação no 4G, com brilho no automático, eu sempre cheguei em casa com algo entre 45% e 55% de bateria, o que é uma marca muito boa. O Zenfone 2, nas mesmas condições, costumava terminar o dia com bateria em torno de 15%. É um avanço gigantesco.

Não foi uma autonomia suficiente para dois dias de uso seguidos como no Moto Z Play, mas o Zenfone 3 dá a garantia de que vai aguentar até o final do dia com folga para quase todos os usuários.

Conclusão

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Nas duas primeiras gerações, a Asus ficou marcada pela competitividade, oferecendo mais que a concorrência por um preço menor. O momento é outro, o dólar está mais alto, os incentivos fiscais acabaram e nenhum preço de smartphone parece mais encher os olhos. Mas o Zenfone 3 continua mantendo a estratégia, apresentando um conjunto de hardware melhor que as líderes Samsung e Lenovo — e com preços bastante agressivos, de R$ 1.899 para a unidade analisada (ou R$ 1.799 à vista).

O Zenfone 3 (ZE552KL) é parecido com os antecessores em todos os sentidos, para o bem e para o mal: é uma bela peça de hardware, tem preço competitivo e um software que não acompanha o cuidado com o resto do aparelho, seja pela falta de revisão na localização, pelo excesso de aplicativos inúteis pré-instalados ou pela tradicional demora na liberação das atualizações.

Ainda assim, com pequenos comprometimentos aqui e ali, o Zenfone 3 é uma excelente opção de compra: ele oferece desempenho de sobra para a maioria dos usuários, uma bateria que realmente dura bastante (adeus, Intel!) e vários pontos de destaque, como a tela de altíssimo brilho e o design refinado. Em suma, o Zenfone 3 é um Zenfone 2 refinado. Ao menos por fora.

Zenfone 3

PRÓS

  • Alto desempenho multitarefa
  • Boa duração de bateria (adeus, Intel!)
  • Capacidade de armazenamento acima da média
  • Tela de altíssimo brilho

CONTRAS

  • Apertem os cintos: o NFC sumiu
  • Bandeja de chip híbrida
  • Software mal cuidado e presença de bloatwares
  • Traseira de vidro é quase um sabão em superfícies planas
Nota Final 8.3
Design
8
Tela
10
Câmera
8
Desempenho
10
Software
6
Bateria
9
Conectividade
7

Especificações técnicas

  • Bateria: 3.000 mAh;
  • Câmera: 16 megapixels (traseira) e 8 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, Bluetooth 4.2, USB-C;
  • Dimensões: 152,6 x 77,4 x 7,7 mm;
  • GPU: Adreno 506;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 2 TB;
  • Memória interna: 64 GB;
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Peso: 155 gramas;
  • Plataforma: Android 6.0.1 (Marshmallow);
  • Processador: octa-core Snapdragon 625 de 2,0 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, bússola, giroscópio, impressões digitais;
  • Tela: IPS LCD de 5,5 polegadas com resolução de 1920×1080 pixels.
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